Descrição
Writing and Rewriting the Holocaust: Narrative and the Consequences of Interpretation, de James E. Young, publicado pela Indiana University Press em 1988 na colecção Jewish Literature and Culture, é o primeiro estudo verdadeiramente abrangente e teoricamente rigoroso das narrativas do Holocausto, e continua a ser uma referência incontornável nos estudos sobre memória, testemunho e representação.
Young parte de uma premissa simples mas de consequências vastas: os acontecimentos históricos não chegam até nós directamente, mas sempre mediados por narrativas — diários, memórias, ficção, poesia, teatro, testemunho oral, monumentos, museus. Esta mediação não é neutra: a forma como se narra o Holocausto determina o que dele se compreende, o que se recorda e o que se esquece. O título enuncia exactamente esse problema: o Holocausto não existe apenas como facto histórico, existe também como texto — e os textos são sempre reescritos.
O volume analisa sistematicamente as principais formas em que o Holocausto foi narrado: os diários escritos durante os acontecimentos, as memórias dos sobreviventes, a ficção literária, a poesia de Paul Celan e outros, o drama, o testemunho em vídeo do Projecto Yale e os memoriais físicos. Para cada género, Young examina as tensões entre autenticidade e construção, entre testemunho e interpretação, entre o imperativo de recordar e as inevitáveis consequências narrativas que moldam o que é recordado.
Geoffrey Hartman saudou o livro como o primeiro estudo verdadeiramente crítico e abrangente das narrativas do Holocausto, sublinhando que ninguém antes de Young havia clarificado tão bem a «textura da memória». VIII, 243 páginas. Exemplar em língua inglesa, bom estado de conservação.



