Descrição
Português Suave — Arquitecturas do Estado Novo José Manuel Fernandes IPPAR, Lisboa
Publicado pelo Instituto Português do Património Arquitectónico, Português Suave é uma obra de referência sobre uma das expressões mais características — e mais ambíguas — da arquitectura portuguesa do século XX: o estilo promovido e instrumentalizado pelo Estado Novo como imagem de uma identidade nacional que o regime pretendia construir e impor.
José Manuel Fernandes, arquitecto e historiador de arquitectura, analisa com rigor e distância crítica o corpus edificado que entre as décadas de 1930 e 1960 deu forma a repartições públicas, correios, tribunais, escolas, quartéis e habitação social por todo o país e nas então colónias. Um estilo que bebeu no regionalismo, na tradição vernácula e nos modelos do passado imperial português, mas que os reelaborou ao serviço de uma estética oficial carregada de significado político.
O título é irónico e certeiro: “português suave” foi a expressão usada pelos próprios arquitectos da época para descrever uma moderação estilística que se pretendia ao mesmo tempo moderna e enraizada — e que hoje lemos como o rosto construído de um regime. A obra documenta esse universo com rigor histórico, plantas, fotografias e análise tipológica, constituindo um contributo fundamental para a compreensão da arquitectura e da cultura visual do Portugal salazarista.
Uma referência indispensável para arquitectos, historiadores, estudiosos do Estado Novo e todos os que se interessam pelo modo como o poder se inscreve no espaço e na pedra.



