Descrição
As Guerras Coloniais Portuguesas e a Invenção da História, de Luís Quintais, publicado pelo ICS — Imprensa de Ciências Sociais em Lisboa em 2000, é um ensaio de antropologia social e história que aborda a guerra colonial portuguesa a partir de um ângulo deliberadamente oblíquo: não como história militar ou política, mas como análise dos vocabulários através dos quais essa experiência é recordada, reapreciada e reinventada no espaço público português.
O ponto de partida é o conceito de «desordem de stress pós-traumático», o termo médico e psiquiátrico que se tornou dominante na forma como se descreve e se recorda a experiência dos combatentes portugueses nas guerras de África entre 1961 e 1974. Quintais interroga a emergência deste vocabulário: como é que um conceito médico, produzido noutro contexto histórico e cultural, passou a organizar a memória colectiva de um conflito português? Que interesses — terapêuticos, morais, políticos — serve esta forma de nomear e enquadrar o sofrimento?
A tese é que o vocabulário médico não descreve neutralmente a experiência da guerra, mas a redefine e, nesse processo, contribui para «inventar» a história da guerra colonial — isto é, para lhe atribuir sentidos que respondem às necessidades do presente mais do que à complexidade do passado. O livro insere-se numa tradição de antropologia histórica e análise cultural que interroga os mecanismos de produção da memória social, e constitui uma contribuição singular para pensar a difícil relação de Portugal com o seu passado imperial.
Exemplar em bom estado de conservação.



