Descrição
Poemas Canhotos, de Herberto Helder, publicado pela Porto Editora em Maio de 2015, é o último livro de poemas inéditos do poeta madeirense, terminado pouco antes da sua morte a 23 de Março desse ano, aos 84 anos. De acordo com a vontade expressa do autor, a edição foi de tiragem única e limitada — condição que confere ao exemplar um valor bibliofílico assinalável.
O título carrega a ambiguidade que percorre toda a obra de Herberto Helder: «canhoto» designa ao mesmo tempo o que vem do lado esquerdo — do coração —, o que é desajeitado ou imperfeito, e o que resiste à mão direita que o mundo exige. Os poemas dialogam com a memória e a morte, com o corpo que falha e o tempo que se fecha, e incluem dois poemas em redondilha maior — forma clássica, a medida de Camões — que enquadram o volume como limiar de entrada e saída. Entre eles, poemas em verso livre que interrogam o acto de escrever, a inutilidade dos gestos quotidianos perante o fim iminente, e a língua portuguesa como herança e destino.
A morte sem mestre (2014) havia sido o último livro publicado em vida. Poemas Canhotos é o fecho póstumo de uma obra que, de O Amor em Visita (1958) a Ofício Cantante (2009), constitui um dos corpora poéticos mais radicais e inconfundíveis da literatura portuguesa do século XX. O volume inclui uma bibliografia completa do autor, preparada por Luís Manuel Gaspar. 56 páginas, capa cartonada. Exemplar em bom estado de conservação.
53 pp.; 19 cm.



