Descrição
Diário III, Inquérito às quatro confidências: “Entre a minha alma e a água o corpo estava despido, incógnito na sua natureza — obra de autor desconhecido; à medida que lavava o chão, vinha-me à memória a classificação das partes do corpo em coração, membrana, entranhas, núcleo, âmago, sangue — classificação curiosa como as que apreciava Foucault supondo a existência de uma anatomia que ignorava a noção de organismo. E, quando me vesti, afastei a água e mergulhei, já mais livre, no álbum de escrever; é assim que eu desejaria escrever, apurando o álbum da fotografia do corpo sem tópicos, flash sobre flash, deslocando o braço que segura a máquina de escrever para todos os ângulos possíveis. Chamo a este texto a fotografia ficou retida na imagem uma mulher nua com os joelhos sobre a toalha para os joelhos não doerem mergulhando — como já retive em Jodoigne —, um pano na bacia que servia de balde; entretanto, eu pensava sentimento, não cessava de atribuir-lhe pensamento, e de o ver surgir para mais tarde. Havia um conceito à minha espera, no corredor. Que tem isto de corpo feminino?”
184 pp.; 20 cm.



