Wenceslau de Morais
Wenceslau de Moraes nasceu em Lisboa a 30 de maio de 1854 e faleceu em Tokushima, no Japão, em 1929. Oficial da marinha de guerra, diplomata e escritor, foi uma figura singular na literatura portuguesa, especialmente no género de viagens, tendo dedicado grande parte da sua vida à descoberta e à escrita sobre o Japão, país que o fascinou profundamente.
Filho de um funcionário público e de Maria Amélia Figueiredo Moraes, cresceu num ambiente culto e literário. Desde muito jovem revelou talento para a escrita, com registos de diários, peças de teatro e poemas ainda na adolescência. Concluiu o curso da Escola Naval em 1875 e iniciou uma carreira militar que o levou a viajar pelas costas de África, Ásia e América. Viveu cerca de cinco anos na China e, durante esse período, visitou o Japão pela primeira vez, passando por Nagasaki, Kobe e Yokohama.
Entre 1893 e 1896, regressou ao Japão em várias ocasiões, enquanto servia na capitania do porto de Macau. Em 1899, foi nomeado cônsul de Portugal em Hiogo e Osaka, cargo que exerceu até 1913. Após a morte da sua companheira japonesa, retirou-se para Tokushima, onde viveu até ao fim dos seus dias, mergulhado na cultura nipónica e na memória dos seus amores.
A sua obra literária, marcada por uma prosa delicada e introspectiva, inclui títulos como Dai-Nippon, Relance da História do Japão e Relance da Alma Japonesa, este último considerado o mais lido e reeditado dos seus livros. Em Portugal, a crítica destacou o seu exotismo e romantismo; no Japão, foi reconhecido pelo profundo conhecimento da alma japonesa e pela autenticidade com que viveu e escreveu sobre o país. A tradução japonesa das suas obras, publicada por uma das maiores editoras do país, esgotou rapidamente, e desde então tem havido um verdadeiro entusiasmo em torno da sua figura.
Wenceslau de Moraes é o único português homenageado com monumentos em Tokushima e Kobe, além de ter um museu dedicado à sua vida e uma sociedade de amigos que preserva a sua memória. O seu retrato e textos figuram nos manuais escolares japoneses, uma consagração rara para um estrangeiro. Pediu um funeral budista e que as suas cinzas fossem depositadas ao lado da sua amada Ko-Haru, no cemitério de Chionji. Todos os anos, durante o Bon-Odori — a festa dos mortos — jovens japoneses cantam e dançam em roda do seu monumento, celebrando a sua memória com alegria.
Comparado a Fernão Mendes Pinto, Moraes não teve o mesmo fôlego épico, mas revelou uma sensibilidade mais refinada e um estilo mais elegante. Enquanto Pinto explorou a Ásia por terra, Moraes concentrou-se no Japão, oferecendo ao leitor português as mais delicadas aguarelas da paisagem nipónica e as mais profundas sondagens da alma japonesa feitas por um estrangeiro.
Mais do que um viajante, foi um apaixonado pela cultura oriental, um homem que se deixou transformar pelo país que escolheu como lar. E é essa entrega, essa capacidade de viver e escrever com autenticidade, que faz de Wenceslau de Moraes uma figura única na literatura portuguesa e um símbolo de ligação entre Portugal e o Japão.
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