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António Augusto de Melo Lucena e Quadros

António Augusto de Melo Lucena e Quadros foi um pintor, poeta e professor português cuja vida e obra formam um percurso singular na cultura do século XX. Nasceu a 9 de julho de 1933, em Santiago de Besteiros, Viseu, numa família que lhe proporcionou desde cedo contacto com a literatura, a arte e o ambiente rural que mais tarde surgiria transfigurado na sua pintura e na sua escrita. Iniciou estudos na Escola de Belas-Artes de Lisboa, mas foi no Porto que concluiu a formação em Pintura, em 1961, com uma tese que já revelava a sua inclinação para a experimentação material e conceptual. Pouco depois, tornou-se professor na mesma instituição, reconhecido pela exigência intelectual e pela capacidade de estimular abordagens não convencionais à arte.

A sua carreira deu um salto decisivo quando, entre 1958 e 1959, estudou em Paris como bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian, aprofundando técnicas de gravura e pintura a fresco. Em 1964 mudou-se para Moçambique, onde viveu durante duas décadas. Essa experiência africana marcou profundamente a sua obra: as cores tornaram-se mais intensas, as figuras mais simbólicas e híbridas, e a relação entre mito, identidade e território ganhou centralidade. A pintura de Quadros combina elementos oníricos, humor subtil, crítica social e uma imaginação visual que atravessa o fantástico e o metafísico.

Paralelamente à pintura, desenvolveu uma obra literária vasta e heterogénea, frequentemente assinada por heterónimos que lhe permitiam explorar vozes e universos distintos. João Pedro Grabato Dias, Frey Ioannes Garabatus e Mutimati Barnabé João são os mais conhecidos, cada um com uma personalidade literária própria — do lúdico ao satírico, do místico ao africano. Publicou poesia, prosa e textos híbridos, sempre com uma forte ligação entre palavra e imagem, como se a escrita fosse uma extensão natural da sua pintura.

Regressou a Portugal em 1984, continuando a expor e a escrever até à sua morte, a 2 de julho de 1994, na sua terra natal. Hoje é reconhecido como uma figura ímpar da arte portuguesa, pela originalidade da sua linguagem visual, pela multiplicidade literária dos seus heterónimos e pela forma como integrou experiências pessoais, geográficas e culturais numa obra coerente e profundamente singular.

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