Descrição
Wittgenstein’s Vienna, da autoria de Allan Janik e Stephen Toulmin, constitui um marco na historiografia intelectual ao situar o pensamento de Ludwig Wittgenstein no denso e efervescente contexto cultural da Viena de fim de século. Contrariando as interpretações estritamente lógicas que dominavam a filosofia analítica anglo-saxónica, os autores demonstram que o Tractatus Logico-Philosophicus não é apenas um tratado de lógica formal, mas uma resposta ética e estética à crise de valores da Áustria-Hungria.
A obra traça paralelos fascinantes entre a filosofia de Wittgenstein e as revoluções noutras esferas da modernidade vienense, desde a música de Arnold Schoenberg e a arquitetura funcionalista de Adolf Loos, até à crítica linguística de Karl Kraus e ao pensamento de Fritz Mauthner. Janik e Toulmin argumentam que a distinção wittgensteiniana entre o que se pode dizer e o que se deve calar reflete uma preocupação ética profunda — uma tentativa de proteger o domínio dos valores e do misticismo contra a degradação da linguagem factual e técnica.
Este estudo é indispensável para compreender o nascimento do modernismo e a forma como a Viena de 1900 moldou uma das mentes mais complexas do século XX, oferecendo uma visão integrada que une a história social, a crítica literária e a análise filosófica rigorosa.



