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Tanta gente Mariana

Maria Judite de Carvalho

Editora: Arcádia

Local de edição: Lisboa

Ano: 1959

Indisponível

    Esgotado

    Descrição

    1ª edição.

     

    149 pp.; 17 cm.

    Maria Judite de Carvalho, Lisboa, 1921 – Lisboa, 1998

    Maria Judite de Carvalho
    Tendo nascido em Lisboa (os pais viviam na Bélgica), desde os três meses de idade foi criada e educada por tias paternas, num meio austero e de extrema contenção. Aos quatro anos morreu-lhe uma das tias, aos oito a mãe, que mal conheceu, e pouco depois o meio irmão, pelo lado materno. Com dez anos, foi a vez de uma outra tia e, com quinze anos, o pai, que continuara a viver na Bélgica, foi dado como desaparecido.

    Entrara no Colégio Feminino Francês tinha catorze anos e, tendo concluído o secundário no Liceu Maria Amália, matriculou-se em Filologia Germânica. Durante este tempo, fez duas amizades duradoiras, com Natália Nunes e Fernanda Botelho. Em 1944, conheceu Urbano Tavares Rodrigues, com quem casou em 1949. O casal seguiu de imediato para Montpellier, em França, onde Urbano fora colocado como leitor de Português. Aqui viveu três anos, e outros tantos em Paris. Entretanto, veio a Lisboa, em 1950, ter a sua única filha, que deixou ao cuidado dos avós paternos.

    Quando regressou a Portugal, foi trabalhar para a revista Eva, primeiro enquanto secretária, depois como redactora e chefe de redacção. Esta revista publicara-lhe já, em 1949, o seu primeiro conto e, desde 1953, as «Crónicas de Paris», tendo continuado a colaborar nela até 1974, altura em que a revista faliu. Foi em 1968 que ingressou no Diário de Lisboa, com as funções de redactora, continuando a publicar as suas crónicas até à idade da reforma, em 1986. Em simultâneo, e a partir de 1978, O Jornal recebeu também a cooperação da escritora, sempre sob a forma de crónicas, que seriam reunidas no volume Este Tempo, de 1991, galardoado com o Prémio da Crónica A. P. E.

    Cardoso Pires, que foi director-adjunto do Diário de Lisboa, recordou-a, entre 1975-76, nestes termos: «… não participava em nada… Sentava-se ali como quem ia à repartição… Não conheci uma única pessoa com quem se desse. Só uma vez a vi alegre.» Arrastava um ar tristíssimo, como de exilada, que Natália Nunes, no entanto, explicou: «Havia nela uma exuberância vital mas completamente recalcada», e a sua austeridade quase monacal impedia-a de falar de si, manifestando uma enorme dificuldade em lidar com a vida. Quanto ao próprio Urbano, este adiantou: «Vivia como espectadora, sempre céptica e desencantada… Uma dor funda sempre a acompanhou, tendo atingido os limites do sofrimento, nos últimos anos da sua vida, devido à deformação física ocasionada pela doença.»

    Será impossível não relacionarmos todas estas informações com o mundo ficcional que a escritora nos deixou: os conteúdos das suas histórias, as características das suas personagens e os específicos objectos evocados, pois quase podemos adivinhar as sucessivas etapas que transpôs e seus particulares estados de espírito, sobretudo a nível das atitudes afectivas que exterioriza perante a deterioração que detecta nas relações humanas e a que os recursos técnicos narrativos, de que se socorre, não podem ser alheios. A descrição do presente – momento disfórico do processo da escrita – servirá, normalmente, como charneira que lhe permite ir ao encontro do passado, daqueles pedaços vividos que se reportam quase exclusivamente a três períodos: o da infância, o dos seus catorze anos e o dos dezoito aos vinte anos. Serão essas memórias que lhe facultarão a expansão da sua anterioridade-interioridade, espécie fictícia de reviver ou recompor uma mais-valia: o que subsiste da sua morada de então.

    Crónicas ou narrativas, os textos de Maria Judite de Carvalho discorrem fundamentalmente sobre casos humanos de solidão – predominantemente femininos – e sobre o desajustamento existencial que lhes é inerente no quadro do quotidiano social e num registo sentidamente amargo, ainda quando temperado pela ironia ou pela mordacidade. Foi nítida a apropriação final dos processos narrativos próprios do Novo-Romance, talvez necessariamente os mais adequados à expressão do estado de espírito geral da época, do ponto de vista político-social e, portanto, da própria A. A sua expressão, todavia, parece continuar a reflectir-lhe o estado psíquico, ao escolher, agora, uma forma próxima da escrita do olhar – este bem diferente do modelo francês – com o natural discurso distendido, imageticamente rico, e a utilização de modalizadores tais como «na verdade», «de facto» e do «talvez», tão apropriados a um discorrer contemplativo, poético e distante, mas tão próximo das coisas, que só muito poucos souberam concretizar.

    De entre outros depoimentos que contribuem para o conhecimento da personalidade e da obra de Maria Judite de Carvalho, destacam-se o dossier sobre a A. incluído em Letras e Letras, nº. 24, 1989 e, na sequência da sua morte, o JL: Jornal de Letras, Artes e Ideias, nº. 712, de 28 de Janeiro de 1998, e a «Revista» do jornal Expresso, de 6 de Junho de 1998.

    Foi galardoada com o Prémio Vergílio Ferreira, da Universidade de Évora, em 1998.

    in Dicionário Cronológico de Autores Portugueses, Vol. V, Lisboa, 1998

     

     

    Informação adicional

    Autor

    Editora

    Arcádia

    Local de Edição

    Lisboa

    Ano

    1959

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