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Quando os lobos uivam

Aquilino Ribeiro

Editora: Livraria Bertrand

Local de edição: Lisboa

Ano: 1958

Indisponível

1ª edição. Obra proibida pela Comissão de Censura da PIDE. Romance do mestre Aquilino Ribeiro, figura central da prosa portuguesa do século XX.

    Esgotado

    Descrição

    1ª edição. Obra proibida pela Comissão de Censura da PIDE.

     

    Aquilino Ribeiro, Carregal, Sernancelhe, 1885 – Lisboa, 1963

    Mestre Aquilino é considerado o maior prosador português do século XX e uma das mais características personalidades da literatura portuguesa de todos os tempos. Na sua extensa obra, de grande riqueza e variedade, a escrita muito própria, densa e precisa, processa um autêntico renascimento da lírica e da literatura portuguesas, conseguindo simultaneamente a sua renovação e o volver às origens (a técnica severa dos clássicos e o léxico e cenas populares). Estilizado, o léxico do povo: do mais autêntico vernáculo serrano à gíria da cidade, sem «malbaratar louçanias, vidrilhos ou esmaltes de estilo».

    Não cedendo a correntes literárias sempre fugazes, ou a fáceis apadrinhamentos políticos, antes luta continuadamente, como artesão da palavra, pela liberdade, rebelde à sem-razão da senha obscurantista, porque, para ele, «ser livre é a condição indispensável para que o escritor se realize, i. e., solte as velas todas da sua personalidade». Fecundo, apaixonado, forte e impetuoso, a sua exaltação e dinamismo revolucionários levam-no a ter uma multiplicidade de interesses, e a sua obra (69 livros publicados em vida, para além de um surpreendente espólio ainda inédito) abrange a ficção, o jornalismo, a crónica, as memórias, o ensaio, estudos de etnologia e história (demonstrando algumas das «falsificações» aceites e promovidas), biografias, crítica literária, teatro, literatura infantil, polémicas e traduções-recriações do latim, grego, espanhol, francês e italiano.

    A sua vida, como a de muitas das personagens que animou, foi movimentada e aventurosa. Tendo estudado no Liceu de Lamego (depois da escola de Soutosa), parte para Viseu, onde se inicia na filosofia. A pedido de sua mãe, D. Mariana do Rosário Gomes, entra para o Seminário de Beja, fazendo apenas o 1º. e parte do 2º. ano de Teologia, pois não lhe é reconhecida vocação religiosa. Em 1906 começa, em Lisboa, a sua longa carreira de jornalista, com artigos (e princípio de um romance em folhetins – «A Filha do Jardineiro») na Vanguarda. Escreveu ainda para o Jornal do Comércio e O Século (tendo sido, mais tarde, correspondente deste jornal em Paris), foi redactor do diário A Pátria, colaborou na Ilustração Portuguesa, no Diário de Lisboa, na República e em muita outra imprensa diária. Para além de ser um dos fundadores da Seara Nova (1921), onde também colaborou, escreveu em revistas como Homens Livres e Lusitânia. Foi, com outros intelectuais seus amigos, à frente dos quais Raul Proença, um dos animadores da publicação do Guia de Portugal (1919).

    Em 1907 é acusado de «bombista» (guardara explosivos que deflagraram no seu quarto) e detido por fazer parte do Partido Republicano. (Correu depois uma espécie de lenda segundo a qual A. R. teria sido, em 1908, a «terceira carabina», aliás inútil, já que os dois regicidas tinham desempenhado a sua função…) Evade-se da prisão e refugia-se em Paris, após ter vivido escondido em Lisboa. Vem a Portugal, de visita, em 1910, depois de proclamada a República. Na Sorbonne frequenta cursos de Filosofia e Sociologia. Conhece Grete Teidemann, com quem vai residir e casar na Alemanha. O seu primeiro filho nasce em Paris. Regressa a Portugal em 1914, depois de eclodir a Primeira Guerra Mundial.

    Nunca descurando o seu trabalho de escritor, exerce na Biblioteca Nacional de Lisboa a função de segundo-bibliotecário e, depois, de conservador, cargo de que é demitido em 1927, aquando da segunda perseguição policial. Desta feita unira-se à revolta contra a ditadura militar que entroviscava a Nação. Foge para a Beira Alta e, em seguida, de novo para Paris – segundo exílio. Quando, clandestinamente, regressa a Portugal, esconde-se em Soutosa. Morre-lhe a esposa. No ano seguinte reincide, envolvendo-se noutra conjura contra o Governo. É encarcerado no presídio militar de Fontelo, em Viseu. Com António Mota, consegue evadir-se serrando as grades da prisão enquanto, numa grafonola, sacolejava, altissonante, um disco… Esconde-se em plena serra e foge para Paris – terceiro exílio. Casa com D. Jerónima Dantas Machado, filha do presidente Bernardino Machado, também homiziado na capital francesa. Vão residir para o Sul de França (Ustaritz e Baiona – onde, em 1930, lhe nasce o segundo filho). Entretanto, em Lisboa, condenam-no à revelia. Vive depois em Vigo e em Tui até entrar semiclandestinamente em Abravezes (Viseu). Amnistiado em 1932, vai viver para Cruz Quebrada.

    Em 1933, a sua novela As Três Mulheres de Sansão ganha o Prémio Ricardo Malheiros. Sócio-correspondente da Academia Real das Ciências em 1935, só vinte e três anos mais tarde o elegem sócio efectivo. O Brasil presta-lhe homenagem e condecora-o em 1952. Apesar das forças políticas contrárias, é um dos mais entusiastas fundadores, o primeiro presidente eleito e o sócio nº. 1 da Sociedade Portuguesa de Escritores (1956). No ano seguinte, a Livraria Bertrand inicia a edição das Obras Completas de A. R., que se tinham agigantado em quarenta e quatro anos de profissão literária. Publicado em 1959, o incómodo romance Quando os Lobos Uivam é apreendido e o seu autor processado. Uma amnistia abrange este processo no ano seguinte, ano em que a intelectualidade portuguesa candidata A. R. ao Prémio Nobel de Literatura. A Sociedade Portuguesa de Escritores festeja o cinquentenário da publicação de Jardim das Tormentas quando A. R. adoece repentinamente, vindo a falecer no Hospital da C. U. F. a 27 de Maio de 1963.

    Da sua vida como da sua prosa túrgida emergem a força e a sageza de uma certa rusticidade panteísta (muito mais universal que «regional») que não resiste à tentação dos grandes meios urbanos; a manha, imobilidade e hedonismo do pícaro e a sua paixão pela liberdade; a surda raiva humana que suscitam as injustiças de qualquer cacique; a ironia camuflando a lucidez da denúncia; o gosto do trabalho árduo e diversificado («Alcança quem não cansa», reza o ex-libris do escritor).

    in Dicionário Cronológico de Autores Portugueses, Vol. III, Lisboa, 1994

    Informação adicional

    Autor

    Editora

    Livraria Bertrand

    Local de Edição

    Lisboa

    Ano

    1958

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