Descrição
Preempting the Holocaust, de Lawrence L. Langer, publicado pela Yale University Press em 1998, é uma colectânea de onze ensaios do crítico literário considerado a referência mais exigente e incontornável no estudo das representações do Holocausto na cultura ocidental. Langer, autor de Holocaust Testimonies: The Ruins of Memory — galardoado com o National Book Critics Circle Award —, parte de uma posição intelectual deliberadamente incómoda: recusa-se a encontrar no Holocausto qualquer lição redentora, qualquer triunfo do espírito humano, qualquer narrativa de esperança que não traia a memória dos que morreram.
O título é programático. «Preempting» — antecipar, apropriar, neutralizar — designa o gesto que Langer critica sistematicamente ao longo do volume: a tendência de comentadores, artistas e educadores para se apoderarem do Holocausto e o subordinarem a agendas morais, religiosas ou terapêuticas que desviam o olhar do crime, dos criminosos e das vítimas. Langer examina obras de Primo Levi, Elie Wiesel, Cynthia Ozick e Art Spiegelman; aprecia a pintura de Samuel Bak, sobrevivente do gueto de Vilna e considerado o maior pintor do Holocausto do nosso tempo; analisa o controverso projecto de Judy Chicago; e oferece uma leitura do filme iídiche Undzere Kinder, produzido na Polónia após a guerra sobre órfãos do Holocausto, obra negligenciada pela crítica.
Entre as questões abordadas contam-se o ordálio das mulheres nos campos, as tensões entre sobrevivência individual e colectiva no gueto de Kaunas, a tendência crescente para equiparar o Holocausto a outros genocídios modernos diluindo as suas especificidades, e o impulso recorrente de deslocar o centro da narrativa do crime para o perdão e a reconciliação. O volume encerra com reflexões sobre o desafio de ensinar o Holocausto a gerações que sabem cada vez menos da sua história.
288 páginas. Exemplar em língua inglesa, bom estado de conservação.



