Descrição
Em Philosophical Remarks, Wittgenstein regista o momento de transição entre o Tractatus e as Investigações Filosóficas, quando começa a abandonar a ideia de que a linguagem possui uma forma lógica fixa e subjacente. Ele passa a perceber que a representação do mundo não depende de uma estrutura lógica universal, mas das práticas concretas em que a linguagem é usada. A filosofia, para ele, deixa de ser uma tentativa de construir teorias e passa a ser um trabalho de clarificação, de dissolução de confusões que surgem quando palavras são arrancadas dos seus contextos naturais. Neste período, Wittgenstein começa a desenvolver a noção de que o significado não é algo que acompanha as palavras como uma essência, mas algo que emerge do uso que fazemos delas em situações específicas. Esta mudança leva-o a criticar a ideia de que os estados mentais são entidades internas e privadas, antecipando o argumento contra a possibilidade de uma linguagem privada. Ele também reformula sua visão da matemática, entendendo-a não como um corpo de verdades que descrevem o mundo, mas como um sistema de regras que organizam formas de agir e calcular. Ao longo do texto, Wittgenstein insiste que a filosofia não deve avançar construindo sistemas cada vez mais complexos, mas permanecer no mesmo ponto, examinando com clareza aquilo que sempre esteve diante de nós. Philosophical Remarks revela, assim, um pensamento em movimento, que abandona a busca por essências e se volta para a multiplicidade das práticas humanas, preparando o terreno para a virada definitiva das Investigações Filosóficas.



