Descrição
Longe de ser um inventário exaustivo — tarefa impossível perante um tema inesgotável —, L’Image Corps de Paul Ardenne é uma deriva crítica pelas múltiplas formas de instalar o corpo humano na cena artística contemporânea. Este livro desenha um panorama da “imagem-corpo”, explorando as morfologias, posturas e compromissos que os artistas adotaram num século marcado por convulsões estéticas sem precedentes.
Partindo da premissa de Antonin Artaud, que descreveu o corpo como um “campo de guerra ao qual seria bom regressarmos”, Ardenne analisa como a consciência do sujeito ocidental gera um conflito que transborda para o perímetro da representação. O corpo que a arte oferece ao olhar revela-se contraditório e nunca unificado: é figura de glória e propaganda para uns, mas figura de sofrimento e “carne de dor” para outros, numa reatualização constante do tema da Crucificação.
Entre os abismos da sexualidade, as máscaras da vida social e a estética da monstruosidade, muitos artistas acabam por encenar não a presença, mas a própria desaparição do corpo. Paul Ardenne demonstra que, na arte do século XX, o corpo nunca é uma figura neutra: é um espaço de conflitos, um espelho turvo da instabilidade da condição humana.



