Descrição
Faux Pas, de Maurice Blanchot, publicado pela Gallimard em Paris, é a primeira colectânea de ensaios críticos do autor e um dos marcos inaugurais da crítica literária francesa do século XX. O volume reúne cinquenta e quatro textos breves — originalmente publicados como recensões em revistas literárias — precedidos de uma longa meditação introdutória que define a trajectória de conjunto e que constitui, por si só, um dos textos mais densos e originais de Blanchot sobre a natureza da literatura e da linguagem.
O título é programático. Faux pas — passo em falso — designa não um fracasso mas uma condição estrutural: a impossibilidade de a linguagem coincidir com aquilo que quer dizer, o desvio que é constitutivo de toda a escrita. Blanchot parte da angústia como noção central do existencialismo do seu tempo para a deslocar em direcção aos paradoxos da linguagem: quem escreve «estou só» torna imediatamente essa solidão impossível, pois ao escrevê-la dirige-se a um leitor e usa meios que tornam o estar só irrealizável. Esta comédia da linguagem percorre todos os ensaios do volume.
Os textos abordam poesia e narração, silêncio e simbolismo, o romance e a moral, o estranho e o enigma, o tempo e a possibilidade da literatura, a partir de leituras de autores tão distintos como Blake, Balzac, Rimbaud, Gide, Kierkegaard, Rilke, Bataille, Sartre, Camus e Queneau. Blanchot constrói leituras soberanas sem nunca as reduzir a instrumentos de uma tese prévia, deixando em cada ensaio uma margem de resistência que o texto recusou dizer.
Obra publicada originalmente em 1943, num dos momentos mais sombrios do século XX, e que nunca deixou de ser referência incontornável para qualquer pensamento sério sobre literatura e linguagem. 366 páginas, em língua francesa. Exemplar em bom estado de conservação.



