Descrição
Eugénio de Andrade reuniu, ainda em vida, uma antologia de poemas escolhidos por si, gesto que revela a consciência clara que tinha do seu próprio percurso poético. Nessa seleção, privilegiou textos onde a depuração da linguagem, a celebração do corpo e da natureza, a memória da infância e a busca de uma luminosidade essencial se tornam mais nítidas. A antologia funciona como um autorretrato: nela se encontram os poemas que o poeta reconhecia como mais próximos da sua voz interior, aqueles onde a simplicidade trabalhada, a música das palavras e a intensidade sensorial atingem a sua forma mais pura. Lida hoje, essa escolha confirma a coerência e a singularidade de uma obra que fez da clareza e da emoção contida uma das marcas mais duradouras da poesia portuguesa contemporânea.



