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A Poesia da “Presença”

Adolfo Casais Monteiro

Editora: Moraes

Local de edição: Lisboa

Ano: 1972

20,00 

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Descrição

Colecção Círculo de Poesia

1ª edição

364 pp. ; 20 cm

Adolfo Casais Monteiro, Porto, 1908 – São Paulo/Brasil, 1972

Poeta e ensaísta. Fez os estudos secundários na sua cidade natal e, ainda ali, frequentou a antiga e famosa Faculdade de Letras do Porto, que a ditadura de Salazar extinguiu e onde conheceu, não sem dele ter recebido salutares e perenes marcas intelectuais, o filósofo Leonardo Coimbra. Em 1929, juntou-se a este e a Sant’Anna Dionísio na revista A Águia. Nesse mesmo ano estrear-se-ia em livro, como poeta, com o volume Confusão, que, com as suas duas colectâneas seguintes (1934 e 1937) e os primeiros ensaios, mostrará, para Óscar Lopes, «uma rudeza ou bufonaria sem amabilidades, mesmo rítmicas, a que correspondia um conflito interno entre o lirismo já tradicional do alheamento, do isolamento, da insatisfação egotista, e o lirismo da adesão ao momento que passa». Para Gastão Cruz, «Nunca antes […] as fronteiras entre prosa e poesia se haviam diluído a tal ponto na poesia portuguesa. Mas também nunca os perigos dessa indeterminação se haviam mostrado tão nítidos». Daí que Eugénio Lisboa oportunamente lembre: «O próprio Casais Monteiro revelou frequentemente, junto dos amigos de Coimbra, as suas dúvidas quanto à sua vocação de poeta e quanto à eventual aceitação da sua poesia. Régio, em cartas particulares, encorajava-o, valorizando, com simpatia, a aparente “gaucherie” do verso de Casais. E, falando da poesia de João Falco (Irene Lisboa), nas páginas da Presença, observará mesmo: “A influência de Casais Monteiro na libertação do nosso verso moderno não pode deixar de ser reconhecida”.» Posteriormente, nos livros de poemas publicados entre 1948 e 1969, Óscar Lopes notará «uma tendência para maior regularidade rítmica» aliada «a uma aceitação quase clássica ou estóica de cada momento da vida efémera, aceitação tendente a minimizar o que num poema existe de voz pensante, para tudo apreender como simples inflexão objectiva».

Como ensaísta, se, por um lado, os seus textos foram importante e oportuno alimento informativo e formativo numa época marcante para o meio cultural português, então a viver um dos períodos negros do obscurantismo imposto pela Ditadura e pelas condições circundantes de guerra – a Guerra Civil de Espanha, primeiro, e a Segunda Grande Guerra, depois –, traziam, por outro, uma renovada e assumida resposta às inquietações das camadas intelectuais então nascentes. E foi ainda o ensaio que, nos últimos anos de vida e de docência universitária no Brasil, o fez erguer acima de si próprio e dos textos ensaísticos e críticos que escrevera nas décadas de 30 e de 40. Obra à qual, acrescente-se, também para o estudo da sua literatura o Brasil muito deve. Brasil para onde se exilara em 1954, depois de ter sido expulso do ensino secundário português em 1937, passando desde então a viver da literatura, quer como autor, quer como tradutor, quer ainda como editor, associado ao seu grande amigo António Pedro, que lhe lera aos microfones da BBC o seu único romance, Adolescentes (1945), e estivera a seu lado no Mundo Literário, cujos 53 números Casais dirigiu (1946-1947).

Após a saída de Miguel Torga, Branquinho da Fonseca e Edmundo de Bettencourt (1930) da direcção da revista Presença, Casais Monteiro foi co-director desta revista, com José Régio e Gaspar Simões, sendo por uma polémica entre Casais e este último que a revista acabaria (1940). Polémica que haveria de provocar distorções na apreciação «externa» quer de um, quer de outro – e «externa», pois que, logo em 1945-1946, João Gaspar Simões colaboraria semanalmente no já citado Mundo Literário que Casais dirigia – criando preconceitos de ordem não literária e estética nas apreciações que, apenas como tal, deveriam ser feitas. Por isto mesmo, ao avaliar criticamente uma tese de doutoramento de Nadia Battella Gotlib sobre o poeta e ensaísta (O Estrangeiro Definitivo: Poesia e Crítica em Adolfo Casais Monteiro, 1985), Maria Teresa Arsénio Nunes observa, oportuna: «que não escapa, também ela [a autora da tese], aos preconceitos ideológicos que de um modo geral têm presidido a essa história, no que se refere ao afastamento de alguns mentores da revista». Revista de que o poeta trata em três dos seus mais interessantes ensaios: A Poesia da «Presença» (1972), A Poesia Portuguesa Contemporânea (1977) e O Que Foi e o Que Não Foi o Movimento da «Presença» (1996).

Nos Cadernos de Teoria e Crítica Literária, do Departamento de Literatura, do Instituto de Letras, Ciências Sociais e Educação da Universidade Estadual Paulista, foram reunidos, em 2 vols. (nº 12, número especial, edição policopiada), os artigos de Adolfo Casais Monteiro publicados no «Suplemento Literário» do jornal O Estado de São Paulo, num total de 186 textos.

in Dicionário Cronológico de Autores Portugueses, Vol. IV, Lisboa, 1997

Informação adicional

Autor

Editora

Moraes

Local de Edição

Lisboa

Ano

1972

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