Thomaz de Mello Breyner
Tomás Maria António d’Assis e de Borja de Melo Breyner (Lisboa, 2 de setembro de 1866 – Lisboa, 24 de outubro de 1933), 4.º Conde de Mafra, foi um aristocrata e médico de elevada reputação no Portugal do final da Monarquia e início da República . Formação e carreira médica Nasceu no interior do Castelo de São Jorge, então quintel do Batalhão de Caçadores 5, sob comando do seu pai, o 2.º Conde de Mafra. Iniciou os estudos no Colégio Académico Lisbonense e posteriormente frequentou a Escola Politécnica e a Escola Médico‑Cirúrgica de Lisboa, onde se formou em Medicina. Após estágio em França, regressou em 1893 como médico do Hospital de São José e, nesse mesmo ano, foi nomeado médico da Real Câmara pelo rei D. Carlos I, posição que manteve até 1908. Participou como secretário no Congresso sobre peste bubónica em Veneza (1897) e representou Portugal nos Congressos Internacionais de Medicina em Madrid (1903), Paris (1905) e Lisboa (1906), sendo eleito secretário da comissão executiva deste último. Em 1906–1907, serviu brevemente como deputado. Posteriormente, assumiu cargos nos Hospitais Civis de Lisboa, destacando-se como diretor clínico e, em 1929, como diretor dos Serviços Mistos de Dermatologia, Sífilis e Doenças Venéreas no Hospital do Desterro contribuição para a saúde pública. Foi pioneiro na luta contra as doenças venéreas, organizando desde 1897 uma “consulta das moléstias vergonhosas” e defendendo políticas de saúde preventiva, embora isso tivesse por vezes conflito com interesses políticos. Vida privada e rede social Em 1894, contraiu matrimónio com Sofia Burnay, da influente família dos Condes de Burnay; do casal nasceram nove filhos. Construiu laços estreitos com a corte e com intelectuais da época, incluído Eça de Queirós, Guerra Junqueiro e António Feliciano de Castilho.É avô da poetisa Sophia de Mello Breyner Andresen. Diário e memórias como fonte histórica Durante 36 anos (1880–1933), registou diariamente observações clínicas, eventos políticos, relatos pessoais e sociais. Este diário – composto por cadernos de notas, agendas, receitas, correspondência e documentos fotográficos – foi depositado no Arquivo Nacional Torre do Tombo em 2015. As suas Memórias, elaboradas sob orientação científica, foram editadas em duas edições (1930 e 1934), e oferecem reflexões sobre a vida da elite lisboeta nas cortinas finais da monarquia .Legado e relevância estudada A historiografia recente considera o seu diário uma das fontes mais importantes do período 1897–1933, pela riqueza de detalhes quotidianos, pela descrição hospitalar médica e pela vivência direta de eventos como o Regicídio, o período republicano e o surgimento do Estado Novo.
