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Ruy Belo

Ruy Belo, nascido Rui de Moura Ribeiro Belo em 1933, em São João da Ribeira, afirmou‑se como uma das vozes mais singulares, inquietas e luminosas da poesia portuguesa do século XX. Cresceu entre o ambiente rural ribatejano e a formação académica em Lisboa, onde estudou Direito e Filologia Românica, antes de partir para Roma para concluir um doutoramento em Direito Canónico com uma tese sobre ficção literária e censura eclesiástica — tema que já deixava entrever a tensão entre fé, linguagem e liberdade que atravessaria toda a sua obra. Na juventude aproximou‑se de meios católicos, incluindo a Opus Dei, mas a sua relação com a Igreja evoluiu para uma posição cada vez mais crítica e ambivalente, sem que isso apagasse a marca espiritual que impregna grande parte da sua poesia.

A década de 1960 foi decisiva para a sua afirmação literária e pessoal. Publicou Aquele Grande Rio Eufrates, livro inaugural que o revelou como poeta de voz própria, seguido de O Problema da Habitação e Boca Bilingue, obras onde se cruzam o quotidiano, a perplexidade existencial e um sentimento de exílio íntimo que o acompanharia sempre. Participou na greve académica de 1962 e, em 1969, apresentou‑se como candidato da oposição democrática, o que lhe trouxe vigilância política e dificuldades profissionais. Trabalhou como editor, crítico e tradutor, e em 1971 mudou‑se para Madrid, onde exerceu funções de leitor de Português até 1977 — anos de grande produção poética e de reflexão sobre o país que deixara para trás.

Após o 25 de Abril regressou a Portugal e dedicou‑se ao ensino, mantendo uma escrita intensa, marcada por uma busca persistente de sentido, pela atenção às pequenas coisas e por uma melancolia luminosa que se tornou a sua assinatura. Livros como Homem de Palavra(s), País Possível, Transporte no Tempo, A Margem da Alegria e Toda a Terra consolidaram a sua posição como um dos poetas mais importantes da sua geração. A sua poesia, simultaneamente coloquial e metafísica, íntima e civil, revela uma consciência aguda da passagem do tempo, da fragilidade humana e da necessidade de nomear o mundo para o habitar. Paralelamente, traduziu autores como Saint‑Exupéry, Cendrars, Borges, Montesquieu e García Lorca, ampliando o diálogo entre a sua escrita e outras tradições literárias.

Ruy Belo morreu prematuramente em 1978, aos 45 anos, vítima de um edema pulmonar, deixando uma obra breve mas decisiva, reunida postumamente em Obra Poética de Ruy Belo. A sua escrita permanece como um território onde a língua portuguesa encontra uma das suas expressões mais livres e inquietas, continuando a ser lida, estudada e amada por sucessivas gerações.

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