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Rocha Martins

Francisco José da Rocha Martins, nascido em Lisboa a 30 de março de 1879, destacou‑se como um dos mais prolíficos jornalistas, historiadores e escritores portugueses da primeira metade do século XX. Filho de uma época politicamente turbulenta, cresceu intelectualmente num ambiente marcado por debates ideológicos intensos, o que moldou o seu estilo combativo e a sua permanente intervenção na vida pública. Frequentou o Instituto Industrial e o Curso Superior de Letras, mas não concluiu nenhum dos cursos, preferindo lançar‑se desde muito cedo na imprensa, onde encontrou o seu verdadeiro espaço de afirmação. Autodidata incansável, publicou contos, folhetins, romances históricos, biografias e ensaios, construindo uma obra vastíssima que lhe valeu reconhecimento nacional e internacional, incluindo a condição de sócio‑correspondente da Academia das Ciências de Lisboa e da Arcádia de Roma.

A sua carreira literária foi marcada por um interesse profundo pela história de Portugal e do Brasil, culminando na obra “A Independência do Brasil”, frequentemente considerada o seu trabalho mais ambicioso. Entre os seus romances históricos destacam‑se títulos como “Gomes Freire” e “Maria da Fonte”, que revelam a sua capacidade de dramatizar episódios marcantes da história nacional. Paralelamente, manteve uma atividade jornalística intensa, colaborando com inúmeros periódicos e vivendo exclusivamente da escrita, algo raro no panorama cultural português da época.

Politicamente, Rocha Martins foi uma figura complexa. Monárquico liberal, permaneceu fiel a D. Manuel II após a implantação da República e opôs‑se ao reconhecimento de Duarte Nuno de Bragança como pretendente ao trono. Durante a Ditadura Nacional colaborou com Henrique Linhares de Lima na Campanha do Trigo, mas rapidamente se tornou crítico do regime salazarista, escrevendo artigos contundentes no jornal A República. A sua independência intelectual e a recusa em alinhar cegamente com qualquer poder político tornaram‑no uma voz singular e, por vezes, incómoda.

Iniciado na Maçonaria em 1906, na loja Simpatia e União, manteve ao longo da vida uma postura de intervenção cívica e cultural que o colocou no centro de debates importantes sobre identidade nacional, história e política. Morreu em Sintra a 23 de maio de 1952, deixando uma obra imensa e uma reputação de trabalhador incansável das letras, cuja influência se estende muito para além do seu tempo.

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