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Nicolau Tolentino de Almeida

Nicolau Tolentino de Almeida, natural de Lisboa, nascido a 10 de setembro de 1741, filho de Francisco Soares de Almeida, advogado de causas forenses na mesma cidade, e de sua mulher, D. Ana Soares. Preparado com os estudos de humanidades, passou a frequentar em Coimbra o curso de jurisprudência, no qual é, contudo, duvidoso até que ponto chegou. Sabe-se apenas que, decorridos sete anos, e contando ele talvez vinte e quatro anos de idade, voltou para Lisboa sem obter a formatura, ao que parece. Foi provido algum tempo depois numa cadeira de retórica, cujo exercício consumiu, pelo que se presume, quatorze ou quinze anos, até ser, por efeito de impacientes e diuturnas solicitações, despachado em 21 de junho de 1781 como oficial da Secretaria de Estado dos Negócios do Reino, por alvará referendado pelo ministro Visconde de Vila-Nova da Cerveira, um dos muitos protetores que conseguiu granjear com seus versos e mais ainda com suas lisonjas.

Nesta situação igualmente cômoda, honrosa e lucrativa, viveu os últimos trinta anos, sendo, durante esse período, agraciado com o hábito de Cristo, além do de São Tiago, que já possuía, se merece crédito a asserção do contemporâneo Lobo de Carvalho. Todavia, as queixas não cessaram, pois, em repetidos trechos das suas composições, vemos que declama constantemente contra a fortuna, alegando falta de dinheiro, longos jejuns e, mais ainda, fome! Tais exagerações demonstram assaz que a cobiça do poeta era quase insaciável.

Delas, porém, originou-se a falsa ideia que se formou acerca da sua sorte, com a qual se preocuparam alguns dos nossos modernos e autorizados escritores, levando-os ao ponto de marcarem com um doloroso estigma a sociedade que teria deixado mendigar Tolentino e Bocage. Quanto ao segundo, vá que seja; mas o primeiro! Mendigo um celibatário, com carruagem própria, vivendo em habitações vastas e confortáveis, e arrecadando anualmente contos de réis, que correspondiam ao ordenado e aos lícitos proventos do seu emprego, depois de ter obtido tenças nas comendas vagas para as irmãs, melhoria de reforma para o irmão e um benefício para o sobrinho! Parece-me que é levar demasiado longe o sentimentalismo.

Nicolau Tolentino faleceu em Lisboa, na rua dos Cardais de Jesus, a 24 de junho de 1811, devido a uma vómica, e foi sepultado sem alguma distinção particular no antigo cemitério da paróquia de Nossa Senhora das Mercês. Dizem que nunca se deixou retratar.

A sua biografia, totalmente descurada durante muitos anos, tem sido, modernamente, assunto de diversas penas. Entre os artigos de maior ou menor relevo escritos a seu respeito, requerem menção especial:

1. Os que J. M. da Costa e Silva publicou na *Revista Universal Lisbonense*, tomo VI (1846-1847), nas páginas 471, 484 e 491, todos assinados com a simples inicial «C…».
2. *Vida do poeta Nicolau Tolentino*, pelo Sr. João Augusto Amaral Frazão, opúsculo impresso em Lisboa, Tipografia de V. J. de Castro & Irmão, 1843, com 34 páginas.
3. *Estudo biográfico-crítico*, pelo Sr. José de Torres, na novíssima edição das *Obras do poeta*, de que trataremos mais adiante. É, de todos esses ensaios, o mais copioso e completo, realizado não apenas sobre os anteriores, mas também, e principalmente, sobre o exame e leitura reflexiva das próprias obras, que, ao que parece, não foram tão atentamente consultadas e cotejadas entre si pelos biógrafos anteriores, como deveriam ter sido.

Passemos à enumeração das edições até agora publicadas das obras que nos restam deste nosso afamado poeta, que seriam muito mais numerosas se, como dizem, ele próprio não tivesse condenado às chamas uma grande parte, por serem menos ajustadas à pureza dos costumes.

in: Dicionário Biografico Português

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