Joshua Benoliel
Joshua Benoliel (Lisboa, 13 de Janeiro de 1873 – Lisboa, 3 de Fevereiro de 1932) destacou-se como uma das figuras mais proeminentes da história da fotografia portuguesa, sendo amplamente reconhecido como o pioneiro da fotografia de reportagem em Portugal e um dos maiores fotógrafos do início do século XX.
Nascido em Lisboa, no seio de uma família hebraica oriunda de Gibraltar, iniciou a sua actividade fotográfica no final do século XIX, tendo a sua primeira fotografia sido publicada em 1899 na revista Tiro Civil. Desenvolveu a sua carreira sobretudo na capital, documentando com particular acuidade a vida política, social e cultural portuguesa.
Exerceu funções como repórter fotográfico do jornal O Século e da sua revista ilustrada Illustração Portugueza, onde foi responsável por 122 capas entre 1907 e 1918. A sua colaboração com esta publicação foi decisiva para o seu êxito editorial, tendo esta atingido tiragens notáveis, num país ainda marcado por elevados índices de analfabetismo.
Benoliel acompanhou de perto os principais acontecimentos do seu tempo, entre os quais se destacam o Regicídio de 1908, a Revolução Republicana de 1910, os movimentos monárquicos subsequentes, a acção política de Sidónio Pais em 1917, e a participação portuguesa na Primeira Guerra Mundial. A sua obra constitui, assim, um testemunho visual ímpar das transformações políticas e sociais da transição da monarquia para a república.
Embora defensor da causa monárquica, Benoliel manteve uma postura profissional equidistante, afirmando-se como fotógrafo acima de qualquer ideologia. A sua reputação abriu-lhe portas em todos os sectores da sociedade portuguesa, sendo uma figura conhecida e respeitada. Preparava meticulosamente os seus trabalhos e era presença assídua nos mais diversos ambientes, desde os círculos do poder até às ruas da cidade, onde registava com sensibilidade o quotidiano da população lisboeta.
Paralelamente à sua actividade profissional, Benoliel foi um membro activo da comunidade judaica de Lisboa, frequentando regularmente a sinagoga Shaaré Tikvá. Recebeu diversos reconhecimentos ao longo da sua carreira, incluindo a medalha de ouro na Exposição de Artes Gráficas de Leipzig (1915), a Ordem de Santiago (1909), a Ordem Militar de Sant’Iago da Espada (1929) e a Ordem de Mérito Civil de Espanha (1930).
Após a sua morte, em 1932, a sua obra foi parcialmente compilada na publicação Arquivo Gráfico da Vida Portuguesa: 1903–1918, editada pela Livraria Bertrand. O seu espólio fotográfico encontra-se actualmente disperso por diversas instituições, nomeadamente o Arquivo Nacional Torre do Tombo, o Arquivo Municipal de Lisboa – Fotográfico e o Centro Português de Fotografia, constituindo um acervo fundamental para o estudo da história contemporânea portuguesa.
