Irisalva Moita
Irisalva Constância de Nóbrega Nunes Moita, nascida a 21 de maio de 1924 em Sá da Bandeira, Angola, destacou‑se como uma das mais importantes historiadoras, arqueólogas e olissipógrafas portuguesas do século XX. Cresceu numa família numerosa e culturalmente estimulante, circunstância que moldou desde cedo a sua curiosidade intelectual. Fixando‑se em Lisboa ainda jovem, encontrou na cidade o território que viria a dedicar toda a sua vida de investigação. A sua carreira desenvolveu‑se sobretudo no Museu da Cidade de Lisboa, instituição que ajudou a transformar profundamente, modernizando coleções, estruturando programas de investigação e promovendo exposições que marcaram a museologia portuguesa. Foi responsável por trabalhos arqueológicos de grande relevância, entre os quais se destaca a direção das escavações do Teatro Romano de Lisboa, que permitiram recuperar e reinterpretar um dos mais importantes vestígios da antiga Olisipo.
A sua produção bibliográfica é vasta e constitui um contributo decisivo para a compreensão da evolução urbana de Lisboa. Entre os seus estudos mais influentes contam‑se trabalhos dedicados à Lisboa medieval, às muralhas e sistemas defensivos, à expansão urbana quinhentista, ao impacto do Terramoto de 1755 e à transformação dos bairros históricos ao longo dos séculos. Publicou catálogos, monografias, artigos e textos de investigação que se tornaram referências obrigatórias para historiadores, arqueólogos e urbanistas. A sua escrita combina rigor científico com uma sensibilidade particular para a identidade da cidade, revelando uma capacidade rara de articular fontes documentais, vestígios materiais e leitura crítica do espaço urbano.
Ao longo da sua carreira, Irisalva Moita recebeu diversas distinções, entre as quais a Ordem do Infante D. Henrique, em 2004, e a Medalha de Ouro da Cidade de Lisboa, em 2008, reconhecimentos que sublinham a importância do seu contributo para o estudo, preservação e divulgação da história lisboeta. Faleceu em Lisboa a 13 de junho de 2009, deixando um legado que permanece vivo tanto na museologia como na investigação histórica e arqueológica. A sua obra continua a ser uma base fundamental para quem procura compreender Lisboa como realidade histórica complexa, feita de camadas, permanências e rupturas.
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