Ibne Batuta
Ibn Battuta, cujo nome completo era Abu Abdullah Muhammad ibn Abdullah al-Lawati al-Tanji ibn Battuta, nasceu a 24 de fevereiro de 1304, na cidade de Tânger, no atual Reino de Marrocos. Foi um dos maiores viajantes da história, bem como jurista e estudioso do direito islâmico. Com apenas 21 anos, partiu da sua terra natal com o objectivo de realizar a peregrinação a Meca, conhecida como Hajj. No entanto, essa viagem inicial acabou por se transformar numa odisseia que duraria cerca de trinta anos, durante a qual percorreu milhares de quilómetros por terras desconhecidas.
Ao longo das suas viagens, Ibn Battuta percorreu o Norte de África, o Médio Oriente, a Ásia Central, o subcontinente indiano, o Sudeste Asiático, a China e partes da África subsariana, como o Império do Mali. Em muitos desses locais, foi acolhido por governantes e elites locais, tendo chegado a exercer funções oficiais, como a de juiz (qadi), devido ao seu conhecimento da jurisprudência islâmica. Quando regressou a Marrocos, por volta de 1354, o sultão de Fez, Abu Inan Faris, pediu-lhe que contasse as suas experiências. Um escriba chamado Ibn Juzayy foi encarregado de registar o seu relato, que ficou conhecido como Rihla (A Viagem), uma das mais importantes obras de literatura de viagens da Idade Média.
Ibn Battuta faleceu provavelmente entre 1368 e 1377. O seu legado permanece até hoje como uma das mais ricas e valiosas fontes sobre o mundo islâmico e outras culturas do século XIV. O seu testemunho é precioso não apenas pela extensão das suas viagens, mas também pela forma como descreveu os costumes, crenças, governos e sociedades que encontrou ao longo do seu percurso.
