Francisco Inácio Solano
Francisco Ignácio Solano, nascido em Lisboa em 1721 — embora algumas fontes refiram Coimbra como provável local de nascimento — foi uma figura central no desenvolvimento da teoria e pedagogia musical portuguesa do século XVIII. Batizado na Igreja da Conceição Nova, estudou no Real Seminário de Música da Igreja Patriarcal, onde foi discípulo de Giovanni Giorgi e também aprendeu violoncelo. Ainda jovem, ingressou na Irmandade de Santa Cecília e, em 1750, casou-se com Eufrazia Luiza dos Anjos. Ao longo da vida, dedicou-se à docência musical, ensinando jovens da nobreza e burguesia lisboeta e fundando em 1779 um curso de música em Lisboa.
Solano destacou-se como teórico, cantor, organista e professor. Publicou seis tratados de grande relevância entre 1764 e 1793, sendo os principais Nova instrucção musical, ou Theorica pratica (1764), Novo tratado de musica metrica, e rythmica (1779), Exame instructivo sobre a musica multiforme, metrica e rythmica (1790), além de obras complementares como Nova arte, e breve compendio de musica para lição dos principiantes (1768), Dissertação sobre o caracter, qualidades, e antiguidades da musica (1780) e Vindicias do tono (1793), onde defende a utilização do tritono, na época alvo de controvérsias.
O seu pensamento musical alia influências do Iluminismo a tradições eclesiásticas, refletindo uma tentativa de sistematizar ensinamentos que antes eram transmitidos oralmente. Abordou temas como solfejo, ornamentação, bimodalidade, octomodulação, temperamento musical, regras da oitava e contraponto imitativo. Recebeu elogios de vários músicos contemporâneos — David Perez, João Cordeiro da Silva, Henrique da Silva Negrão, António Tedeschi, Nicolau Ribeiro, Joaquim do Valle Mexilim e Luciano Xavier dos Santos — e manteve correspondência com figuras internacionais como Giovanni Battista Martini e Frei Manuel do Cenáculo.
A sua influência também se fez sentir nos debates teóricos da época, tendo trocado argumentos com músicos como João Vaz Barradas Muito Pão e Morato, e José do Espírito Santo Monte. Faleceu em Lisboa no ano de 1800, deixando um legado teórico que ainda hoje merece estudo pela profundidade e originalidade com que pensava a música.
