Eduardo Guerra Carneiro
Eduardo Guerra Carneiro (Chaves, 1942 – Lisboa, 2004)
Jornalista, ficcionista e poeta, Eduardo Guerra Carneiro iniciou precocemente a sua actividade literária, publicando ainda na adolescência o seu primeiro livro, O Perfil da Estátua. No entanto, foi apenas a partir da década de 1970 que a sua obra começou a captar a atenção da crítica especializada.
A sua escrita revela influências evidentes do neo-realismo, especialmente na preocupação com a intervenção social e a denúncia de injustiças. Contudo, procura ultrapassar os limites dessa tradição, integrando elementos do imaginário surrealista, numa tentativa de síntese entre a consciência crítica e a liberdade onírica.
Nas obras mais tardias, a crítica tem identificado uma tendência para o que já foi descrito como uma “reelaboração lírica” dos sinais e conflitos do mundo contemporâneo. Títulos como Isto Anda Tudo Ligado, Contra a Corrente ou Profissão de Fé ilustram bem a sua postura de autor marginal — ou outsider — em confronto com as convenções dominantes do sistema literário e cultural.
Guerra Carneiro teve colaboração regular em diversos jornais e revistas, nomeadamente Diário de Lisboa, República, Jornal do Fundão, Jornal de Notícias e O Jornal. Participou também em obras colectivas, como Poemas Livres e Hiroxima, e está representado em várias antologias de poesia.
