Damião de Góis
Damião de Góis (1502–1574) foi historiador, epistológrafo, diplomata e alto funcionário régio, figura maior do cosmopolitismo português no Renascimento. Órfão de pai em 1513, foi acolhido no paço como moço de câmara, recebendo a sua primeira educação na corte. Em 1523 tornou-se secretário da feitoria de Antuérpia e, a partir daí, viajou extensamente pela Alemanha, Flandres, Brabante e Holanda. Em 1529 seguiu para o Báltico em missão oficial, visitando Danzigue, a Lituânia, Poznan e a corte de Cracóvia. Em 1531 esteve na Dinamarca e, em Vitemberga, encontrou-se com Lutero e Melanchthon. Em 1534 suspendeu as atividades oficiais para se dedicar ao estudo, vivendo em Basileia na companhia de Erasmo de Roterdão, cuja influência foi decisiva na sua formação humanista. Seguiu depois para Pádua, onde residiu quatro anos e frequentou a universidade, viajando por Veneza, Roma e Nuremberga. Em 1538 fixou-se em Lovaina, onde constituiu família e se integrou nos círculos eruditos europeus.
Entre 1539 e 1542 desenvolveu intensa atividade literária, publicando obras como Comentarii rerum gestarum in India (Lovaina, 1539), sobre o cerco de Diu; Fides, religio moresque Aethioporum sub imperio Preciosi Joanni (Lovaina, 1540); e Deploratio Lappianæ gentis (Paris, 1541). Participou na guerra da Flandres, descrevendo o cerco de Lovaina em Urbis Lovaniensis obsidio (Lisboa, 1546). Regressou a Portugal em 1545, talvez com a esperança de fomentar o Humanismo na corte aristocrática.
É neste período que se destaca também a sua relação com outros grandes humanistas: Nicolau Clenardo, pedagogo flamengo que partilhava com Góis a defesa de uma cultura erudita aberta ao mundo, e André de Resende, figura central do humanismo português, com quem manteve diálogo intelectual e afinidades na valorização das letras clássicas e da história nacional. Estas ligações, somadas à amizade com Erasmo, colocam Góis no centro das redes europeias de saber e tornam-no um elo privilegiado entre Portugal e o pensamento humanista continental.
Entre as suas obras mais notáveis figura a Urbis Olisiponis descriptio (1554), uma descrição humanista da cidade de Lisboa, inspirada nos modelos clássicos de representação urbana. Do texto conhecem-se pouquíssimos exemplares, o que lhe confere enorme valor bibliográfico e histórico.
Apesar do prestígio, foi acusado de heterodoxia pela Inquisição em 1545, pelo padre Simão Rodrigues de Azevedo, e novamente em 1571, com acusações reforçadas por interesses familiares. Preso em 1571, após confisco dos bens, foi transferido para o Mosteiro da Batalha, onde permaneceu em residência fixa. Segundo alguns investigadores, terá morrido ali em 30 de janeiro de 1572; outros defendem que foi transferido para Alenquer, onde faleceu em 30 de janeiro de 1574. Em qualquer dos casos, a sua morte esteve rodeada de mistério, havendo suspeitas de ter sido apressada.
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