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Carlos de Oliveira

Carlos de Oliveira

Belém do Pará, Brasil, 1921 – Lisboa, 1981

A obra de Carlos de Oliveira – «um palmo de estante», na expressão de Mário Dionísio – é breve em extensão, mas de peso decisivo na literatura portuguesa do século XX. Poeta e romancista, também cronista, crítico e tradutor, iniciou-se na escrita no seio da geração neo-realista de Coimbra. O seu labor de depuração e exigência estética moldou um estilo singular, reconhecido unanimemente pelos contemporâneos.

Filho de emigrantes portugueses, nasceu em Belém do Pará a 10 de agosto de 1921. Viveu apenas dois anos no Brasil: em 1923 a família regressou a Portugal, fixando-se na Gândara, concelho de Cantanhede, na aldeia de Febres, onde o pai exerceu medicina.

Em 1933 mudou-se para Coimbra, concluindo em 1947 a licenciatura em Ciências Histórico-Filosóficas com a tese Contribuição para uma estética neo-realista. No ano seguinte estabeleceu-se em Lisboa, colaborando em jornais e revistas e ensaiando o ensino. A partir de 1972 dedicou-se exclusivamente à literatura.

A sua arte foi marcada por três eixos fundamentais: a infância num meio rural pobre e isolado; uma visão marxista da História, aberta porém a múltiplas dimensões da experiência humana; e a ditadura salazarista, que lhe conferiu a reputação de «pessimista», embora mais justo seja vê-lo como humanista consciente da fatalidade.

Entre 1943 e 1953 publicou a maioria dos romances: Casa na Duna, Alcateia, Pequenos Burgueses e Uma Abelha na Chuva, este último tornado clássico escolar até finais da década de 1990. Só regressaria ao romance em 1978 com Finisterra: paisagem e povoamento, obra de forma fragmentada e poética, considerada renovadora do romance português contemporâneo.

Na poesia, Oliveira destacou-se como inovador, fiel apenas à sua disciplina estética. Entre Turismo (1942) e Pastoral (1977), percorreu um caminho de rigor e condensação, buscando a palavra justa e refletindo sobre o próprio ato de escrever. Cantata (1960) marcou uma viragem, e os quatro livros seguintes consolidaram-no como referência maior da poesia portuguesa contemporânea.

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