Bernardo de Sá Nogueira de Figueiredo, Marquês de Sá da Bandeira
Bernardo de Sá Nogueira de Figueiredo, 1.º Marquês de Sá da Bandeira, nasceu em Santarém a 26 de setembro de 1795, no seio de uma família de proprietários. Faleceu em Lisboa a 6 de janeiro de 1876. Ao longo da vida, foi distinguido com os títulos de Barão (1833), Visconde (1834) e, finalmente Marquês de Sá da Bandeira (1864).
Seguiu a carreira militar, ingressando em 1810 no Regimento de Cavalaria n.º 11, onde combateu o exército de Massena durante as invasões francesas. Em 1815, começou a frequentar a Academia de Fortificação, Artilharia e Desenho e, três anos depois, matriculou-se na Universidade de Coimbra nos cursos de Matemática e Filosofia.
Aderiu ao movimento liberal a partir de 1820, apoiando a Revolução do Porto. Oposição à vila-francada levou-o ao exílio em França, onde prosseguiu os estudos na Universidade de Paris, e mais tarde em Inglaterra. Em 1828, acompanhou o exército liberal até à Galiza, e, com o objetivo de se juntar aos liberais na Madeira, viu-se forçado a desviar-se para o Rio de Janeiro. Durante a Regência de Angra, foi nomeado ajudante-de-campo de D. Pedro e participou na expedição do Mindelo, sendo gravemente ferido na serra do Pilar.
Em 1832, assumiu os cargos de ministro da Marinha e, interinamente, do Reino, funções que exerceu até 1833. Foi depois nomeado governador de Peniche e enviado ao Algarve para restaurar a ordem. Com a Revolução de Setembro, Passos Manuel nomeou-o ministro da Fazenda e, temporariamente, dos Negócios Estrangeiros. Coube-lhe ainda formar o segundo governo setembrista, no qual presidiu ao ministério e acumulou as pastas dos Negócios Estrangeiros e da Guerra. Demitiu-se em 1837 e foi então nomeado Lugar-Tenente da Rainha nas Províncias do Norte, com a missão de restabelecer a ordem.
Após a Revolta dos Marechais, voltou a ser ministro da Marinha e, posteriormente, presidente do ministério e ministro dos Negócios Estrangeiros. Nesse período, associou-se à promulgação dos decretos que aboliram a escravatura nas colónias portuguesas. Demitiu-se em 1839. Em 1842 e 1846, integrou os governos liderados pelo duque de Palmela como ministro da Guerra. No ano seguinte, desempenhou um papel decisivo na guerra civil, ao tomar Setúbal.
Em 1851, foi criado o Conselho Ultramarino, presidido por Sá da Bandeira, que desempenhou um papel fundamental na administração e defesa das províncias ultramarinas. Em 1856, no governo do marquês de Loulé, assumiu as pastas da Marinha e das Obras Públicas, destacando-se pela sua oposição ao ministro dos Negócios Estrangeiros no caso do navio francês Charles et Georges, ligado ao tráfico de escravos.
Entre 1860 e 1865, voltou a liderar o Ministério da Guerra, formando nesse período um novo governo, acumulando a presidência com as pastas da Guerra e da Marinha. Em 1868, após o movimento da Janeirinha, chefiou novamente o governo, com a pasta da Guerra, promovendo reformas administrativas destinadas à redução da despesa pública. Acabou por se demitir. Em 1870, formou ainda um último ministério, que durou apenas um mês, encerrando assim a sua carreira política.
Sá da Bandeira destacou-se pela defesa intransigente dos princípios de igualdade e liberdade política. Foi uma das primeiras figuras de relevo em Portugal a defender a abolição da escravatura. Demonstrou ainda um interesse constante pelo desenvolvimento económico, especialmente das províncias ultramarinas, sustentando que os portos portugueses em África e na Ásia deveriam abrir-se ao comércio livre e serem transformados em portos francos. A par disso, manteve sempre uma forte curiosidade pelos avanços científicos e técnicos, conjugada com uma conceção de religião natural baseada na observação da natureza e no instinto humano.
