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António Nunes Ribeiro Sanches

António Nunes Ribeiro Sanches (Penamacor, 7 de março de 1699 – Paris, 14 de outubro de 1783) foi um dos mais notáveis médicos e polímatas portugueses do século XVIII, distinguindo‑se também como filósofo, pedagogo e historiador. Figura central do Iluminismo luso e europeu, escreveu dezenas de manuscritos influenciados pela pedagogia das Luzes, embora apenas nove tenham sido publicados em vida; a maioria permanece ainda hoje em arquivos. Na medicina destacou‑se particularmente na venereologia, o que lhe valeu o epíteto de “médico dos males de amor”, e colaborou com D’Alembert e Diderot na Enciclopédia, testemunho da sua reputação internacional. O seu nome figura entre os grandes mestres do pensamento europeu da época, e o Marquês de Pombal viria a aproveitar amplamente o seu saber para sustentar a modernização cultural e científica de Portugal.

Filho de Simão Nunes Flamengo, de Penamacor, e de Ana Nunes Ribeiro, da Idanha‑a‑Nova, Ribeiro Sanches nasceu numa família de abastados comerciantes cristãos‑novos da Beira Baixa, sendo irmão de Diogo, Isabel e Maria. Era descendente de outro célebre médico, Francisco Sanches (1550–1622). Por influência de um tio jurisconsulto, iniciou estudos de Direito na Universidade de Coimbra em 1716, mas a sua curiosidade intelectual e a insatisfação com o ensino levaram‑no a mudar‑se para Salamanca, onde concluiu o doutoramento em Medicina em 1724. De constituição frágil, mas dotado de inteligência viva e espírito observador, foi um leitor incansável, profundamente marcado pelos Aforismos de Hipócrates.

Cristão‑novo, mas secretamente judeu, viveu desde cedo sob o temor da Inquisição. Ele próprio recordaria: “Quando eu nasci, já a fogueira da Santa Inquisição fazia arder corpos e almas no Rossio de Lisboa e Évora, assim como nos Paços de Coimbra e Goa.” Depois de exercer medicina em Benavente, Guarda e Amarante, foi denunciado por um primo pela prática do judaísmo. Escapou ao cárcere e iniciou um exílio que duraria toda a vida. Passou por Génova, Montpellier, Bordéus e Londres, exercendo medicina, até se fixar em Leiden, na Holanda, onde estudou com o célebre Hermann Boerhaave, então o mais reputado professor de medicina da Europa.

Recomendado por Boerhaave, partiu para a Rússia em 1731, onde exerceu medicina militar com grande sucesso. Tornou‑se clínico do Corpo Imperial dos Cadetes de São Petersburgo e, pela sua competência, médico da czarina Ana Ivanovna. Em 1739 foi eleito membro da Academia de Ciências de São Petersburgo e, no mesmo ano, da Academia de Ciências de Paris. Após mais de quinze anos na Rússia, onde chegou a Conselheiro de Estado, deixou o país em 1747 para escapar às intrigas da corte. Instalou‑se em Paris, tendo sido recebido por Frederico II da Prússia e beneficiado de uma tença concedida por Catarina II da Rússia. Na capital francesa viveu até ao fim da vida, colaborando com os principais intelectuais do seu tempo, exercendo medicina e dedicando‑se intensamente ao estudo e à escrita.

Ao longo da sua longa carreira manteve correspondência com figuras eminentes da vida intelectual europeia e estabeleceu ligações duradouras com instituições científicas internacionais, como a Academia Internacional de Paris, a Royal Society de Londres e a Academia de São Petersburgo. A imperatriz Catarina, a Grande, concedeu‑lhe um brasão de armas com o mote Nec sibi sed toti genitum se credere mundo — “Acreditava ter nascido para ser útil, não a si próprio, mas ao mundo todo” — uma síntese perfeita do espírito cosmopolita, reformador e profundamente humanista que marcou toda a sua vida.

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