Albino Forjaz de Sampaio
Albino Maria Pereira Forjaz de Sampaio nasceu em Lisboa, a 19 de janeiro de 1884, e tornou‑se uma das figuras mais singulares da literatura e do jornalismo portugueses da primeira metade do século XX. Começou muito cedo a escrever para a imprensa, entrando aos dezasseis anos no jornal A Lucta, onde contou com o apoio de Fialho de Almeida e Brito Camacho. A partir daí, colaborou em numerosos periódicos e construiu uma reputação sólida como cronista, polemista e observador atento da vida lisboeta. Foi também bibliófilo e bibliógrafo, chegando a dirigir a biblioteca e o arquivo do Ministério do Fomento, além de integrar a Academia das Ciências de Lisboa.
A sua obra literária revela um espírito profundamente marcado pelo pessimismo filosófico, com influências claras de Nietzsche e Schopenhauer. Forjaz de Sampaio cultivou um estilo incisivo, amoral e frequentemente provocatório, descrevendo com ironia e desencanto a miséria moral e social da Lisboa do seu tempo. Tornou‑se especialmente conhecido pelos seus aforismos, reunidos em séries como Palavras Cínicas, Palavras Cruéis e Palavras Loucas, que alcançaram grande popularidade. Escreveu ainda romances, ensaios, crónicas e textos de crítica social, sempre com a mesma voz mordaz e desencantada que o caracterizava.
Entre os seus livros mais relevantes encontram‑se A Tragédia da Rua das Flores, A Vida Irónica, O Livro de Egas Moniz, O Livro de S. Francisco, O Livro de S. Cipriano e O Livro de S. João, além das já referidas séries de aforismos que marcaram o seu nome na literatura portuguesa. Morreu em Lisboa, em março de 1949, deixando uma obra vasta, irregular mas profundamente pessoal, que continua a ser lembrada pelo seu tom singular e pela forma como captou, com lucidez e sarcasmo, a condição humana e a vida urbana do seu tempo.
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