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Léah

José Rodrigues Miguéis

Local de edição: Lisboa

Ano: 1958

Indisponível

Romance de José Rodrigues Miguéis, edição original de 1958. Obra do escritor português que se fixou nos EUA em 1935.

    Esgotado

    Descrição

    Edição original.

    José Rodrigues Miguéis, por Teresa Martins Marques

    Escritor português (Lisboa, 1901 – Nova Iorque, 1980). Licenciado em Direito (Lisboa, 1924) e em Ciências Pedagógicas (Bruxelas, 1933). Foi temporariamente advogado, delegado do Ministério Público e professor do ensino secundário. Atento à imprensa periódica, colaborador d’A República e da Seara Nova, dirige o semanário O Globo (1933) com Bento Caraça e envolve-se em movimentos de intervenção cívica democrática. Vendo o seu nome censurado nos jornais, vai em 1935 para os EUA, onde acabará por se fixar e viver a maior parte da sua vida. A partir de 1942, e durante cerca de dez anos, exerce funções de Assistant Editor das Seleções do Reader’s Digest. Colabora regularmente na imprensa de Lisboa e dedica-se à tradução: Stendhal, Carson McCullers, Erskine Caldwell, F.Scott Fitzgerald.

    A obra de José Rodrigues Miguéis configura-se predominantemente ao nível da ficção narrativa e da crónica-ensaio. Coetânea do presencismo e do neorrealismo, é relativamente independente do cânone rígido daqueles movimentos, situando-se numa zona de interseção entre ambos, gerando sínteses originais. Leitor atento de Camilo e de Eça, revela-se mestre da ironia e do humor, problematizando as contradições sociais, analisando o sujeito individualmente considerado, não raro em situação limite de amargura e de perda, mas também em busca de identidade, oscilando entre o regresso como forma de esperança e a fuga como expressão de desistência, a que não é alheia a herança brandoniana: «As crónicas da República (tudo ali me lembrava Raul Brandão, que por lá passara) eram talhadas em pleno material do mestre da Farsa. A sua sensibilidade luarenta e espectral coincidia visceralmente com o meu modo de ser.» (in «Nota do Autor» à 2ª ed. de Páscoa Feliz, 1958, p.183).

    São em número de seis os romances de JRM: Uma Aventura Inquietante (1958), que sob um enredo policial denuncia as arbitrariedades da Justiça, revelando em simultâneo a «gastronostalgia» do expatriado na Bélgica, que só dá valor à Pátria quando se encontra longe dela; A Escola do Paraíso (1960), revelando algumas características do romance de formação, é centrada na infância do herói, decorrida entre o fim da Monarquia e os alvores da República, concedendo particular destaque à figura da mãe e à da cidade-berço; Nikalai! Nikalai! (1971), história pícara que retrata uma comunidade de russos brancos sediada em Bruxelas, após a revolução soviética, e que pretende repor no trono o czar Nikalai; O Milagre segundo Salomé (1975), grande fresco da sociedade lisboeta, da ambiência depressiva que correspondeu à degradação dos sonhos republicanos, que culminaria no golpe de 28 de maio de 1926; O Pão Não Cai do Céu (1981), a sua obra mais conforme ao cânone neorrealista, onde se destaca a figura do «cigano», herói épico, símbolo unificador da luta pela terra e pela liberdade na planície alentejana; Idealista no Mundo Real (1986) que problematiza as contradições de um jovem magistrado colaborador da Seara Nova em busca da sua identidade ideológica e social. Serão, contudo, a novela e o conto que tornarão JRM referência obrigatória entre os melhores no género: Páscoa Feliz (1932) – Prémio da Casa da Imprensa – revela-se um dos mais penetrantes retratos da desagregação mental do sujeito até ao limite da loucura e do crime, temática que será retomada com menor dramatismo e expressividade na peça de teatro O Passageiro do Expresso (1960).A problemática da dissolução do sujeito, associada a elementos fantásticos, constitui também a linha de força da narrativa «A Mancha não se Apaga» (Onde a Noite se Acaba, 1946).

    De Léah e Outras Histórias (1958) – Prémio Camilo Castelo Branco – destacam-se as narrativas «Léah» e «Saudades para a Dona Genciana» . A primeira, oscilando entre a carta e o diário, constitui-se como solilóquio confitente de um medroso e tímido narrador evocando a mulher amada e perdida; a segunda, considerada a obra-prima da ficção migueisiana, construída sobre uma dupla sinédoque: Dona Genciana representando o espaço humano da Avenida (Almirante Reis), e esta, por sua vez, representando a cidade de Lisboa, vista disforicamente no passado e euforicamente no presente da rememoração, depreciadas ambas pela vivência e também ambas glorificadas pela memória, testemunhas de um espaço-tempo relíquia, que a saudade faz re(vi)ver.

    A condição do imigrante constitui-se como eixo temático dominante nos contos de Gente da Terceira Classe (1962). A experiência autobiográfica, força motriz da obra migueisiana no seu conjunto, assume-se explicitamente em Um Homem Sorri à Morte – Com Meia Cara (1959) onde o sofrimento perante a ameaça do fim se transmuta pela coragem e pela vontade, em vitória da vida e da esperança.

    A produção genericamente considerada crónica foi reunida em três vols.: É Proibido Apontar – Reflexões de um Burguês I (1964), O Espelho Poliédrico (1973), As Harmonias do Canelão – Reflexões de um Burguês II (1974).

    Pass(ç)os Confusos (1982) reedita o livro de contos Comércio com o Inimigo (1973) bem como um conjunto de narrativas anteriormente publicadas na imprensa. Aforismos & Desaforismos de Aparício (1996, ed. OnésimoT. Almeida) reúne textos publicados no Diário Popular sob o título de Tablóides, subordinados a temáticas diversas na área político-cultural, de que se destacam os conceitos de liberdade e de arte, bem como o papel dos intelectuais nas sociedades modernas, acusando dramatismo e angústia, fruto do exílio e da solidão.

    BIBLIOGRAFIA: AA. VV. José Rodrigues Miguéis: Catálogo da Exposição Comemorativa do Centenário do Nascimento, Lx., 2001;Onésimo T. Almeida (ed.) José Rodrigues Miguéis: Lisbon in Manhattan (Providence, 1984); Onésimo T. Almeida & Manuela Rego (eds.), José Rodrigues Miguéis: Uma Vida em Papéis Repartida, Lx., 2001; Margarida Barahona, introd. a Contos de José Rodrigues Miguéis, Lx, 1981; João José Cochofel, «O Último Romance de Miguéis», in Críticas e Crónicas, Lx., 1982; José Martins Garcia, «Um Paraíso Sempre Ameaçado», introd. a A Escola do Paraíso, Lx.,1986; John A. Kerr Jr., Miguéis –To the Seventh Decade, University of Mississipi, Romance Monographs 29, 1977; Maria Lúcia Lepecki, «Rodrigues Miguéis: o Código e a Chave» in Meridianos do Texto, Lx., 1979; Óscar Lopes, «O Pessoal e o Social na Obra de Miguéis», in Cinco Personalidades Literárias, Porto, 1961; Eduardo Lourenço, «As Marcas do Exílio no Discurso de Rodrigues Miguéis», in O Canto do Signo, Lx., 1994; Teresa Martins Marques, O Imaginário de Lisboa na Ficção Narrativa de José Rodrigues Miguéis, Lx., 1994; David Mourão-Ferreira, «Avatares do Narrador na Ficção de Miguéis», in Sob o Mesmo Tecto, Lx.,1989; Mário Neves, José Rodrigues Miguéis – Vida e Obra, Lx., 1990; Ernesto Rodrigues,«Uma Atmosfera Revolucionária: O Pão não Cai do Céu», in Mágico Folhetim—Literatura e Jornalismo em Portugal, Lx.,1998; Mário Sacramento, «A Problemática do Eu em José Rodrigues Miguéis», in Ensaios de Domingo, Coimbra, 1959.

    in: Centro Virtual Camões

    Informação adicional

    Autor

    Local de Edição

    Lisboa

    Ano

    1958

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