Descrição
Henrique Galvão (1895–1970) é hoje sobretudo recordado pelo sequestro do paquete Santa Maria em 1961, episódio que o projetou internacionalmente como opositor ao regime de Salazar. Menos conhecida é a sua atividade como escritor, dramaturgo e homem de rádio — precisamente o contexto em que surge esta Comédia da morte e da vida, editada pela ENP (Emissora Nacional de Radiodifusão em Portugal), sem indicação de local de edição, em 1950. À data da publicação, Galvão já havia rompido com o Estado Novo, encontrando-se numa trajectória que o levaria à prisão e, mais tarde, ao exílio. A edição pela ENP confere à obra um estatuto algo paradoxal, publicada pela rádio oficial do regime num momento de crescente tensão política do seu autor. Exemplar de interesse tanto pelo seu valor literário como pelo que documenta da biografia intelectual e política de Galvão.



