Descrição
Mário Botas (1952–1983) foi um dos casos mais invulgares da arte portuguesa contemporânea: médico de formação, exerceu no Hospital Júlio de Matos, onde trabalhou com doentes psiquiátricos, experiência que marcou profundamente o seu universo imagético. A sua obra, densa de referências literárias, mitológicas e do imaginário popular português, alia o desenho obsessivo a uma ironia corrosiva e a uma melancolia muito própria. Falecido prematuramente aos trinta anos, deixou um corpus gráfico de grande coerência e força expressiva, que continua a suscitar interesse crescente entre colecionadores e investigadores. Este catálogo, editado precisamente pela instituição onde Botas exerceu, em 2007, constitui um testemunho de valor documental e afectivo assinalável, reunindo reproduções da sua obra no contexto de uma exposição evocativa. Exemplar de interesse para quem se dedica ao estudo das artes gráficas portuguesas da segunda metade do século XX.



