Descrição
As chamadas ‘canções de beber’ constituem uma das vertentes menos estudadas, mas de grande coerência temática, da obra pessoana. Nelas, o vinho surge não como mero pretexto bucólico, mas como instrumento de esquecimento voluntário e de distância ao real — uma pose filosófica que atravessa vários heterónimos e a obra ortónima. Esta edição de Lisboa, saída em 1997 pela Ed. Tiragem, insere-se numa vaga de publicações que, na década de noventa, procuraram sistematizar e divulgar fragmentos e conjuntos temáticos dispersos do espólio pessoano. Trata-se de um volume de interesse para o leitor e estudioso que pretenda acompanhar Pessoa numa das suas máscaras mais despretensiosas — e, por isso mesmo, talvez das mais reveladoras.







