Thomaz José de Mello
Thomaz José de Mello, conhecido simplesmente por Tom, nasceu no Rio de Janeiro a 11 de janeiro de 1906 e faleceu em Lisboa a 7 de janeiro de 1990. Artista luso‑brasileiro de excecional versatilidade, destacou‑se como caricaturista, ilustrador, pintor, decorador, publicitário e designer gráfico, ocupando um lugar singular na história do modernismo português. Chegou a Portugal em 1926, integrado na companhia teatral de Leopoldo Fróis, e rapidamente se afirmou no meio artístico lisboeta. A sua colaboração com a imprensa foi intensa desde finais da década de 1920, sobretudo no jornal A Voz, onde criou a popular série Tiroliro, e mais tarde no Diário da Manhã, onde deu vida às personagens Rico, Pico e Sarapico. Paralelamente, desenvolveu um percurso plástico marcado pela síntese gráfica, pela bidimensionalidade deliberada e por um humor subtil que atravessa tanto a caricatura como a pintura.
Em 1932, fundou com António Pedro a UP, considerada a primeira galeria de arte moderna em Lisboa, assumindo um papel pioneiro na divulgação de linguagens modernistas. Trabalhou também no Secretariado de Propaganda Nacional, integrando equipas responsáveis pela conceção e decoração de pavilhões portugueses em várias exposições internacionais, experiência que consolidou a sua reputação como artista gráfico e decorador. Criou ainda o Estúdio Tom, dedicado à publicidade e ao design, área onde deixou contributos duradouros. Ao longo da sua carreira realizou mais de cinquenta exposições individuais e produziu mais de quarenta tapeçarias, explorando sempre uma estética marcada pela clareza formal e pela economia expressiva. A Fundação Calouste Gulbenkian conserva um conjunto significativo de obras suas, datadas entre as décadas de 1940 e 1970, testemunhando a amplitude e a coerência do seu percurso.
Tom é hoje reconhecido como uma figura central na articulação entre modernismo, caricatura, ilustração e artes decorativas em Portugal. A sua obra, simultaneamente popular e erudita, gráfica e pictórica, humorística e rigorosa, permanece como um dos contributos mais originais para a cultura visual portuguesa do século XX.
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