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Orlando Ribeiro

Orlando da Cunha Ribeiro nasceu em Lisboa a 16 de fevereiro de 1911 e faleceu na mesma cidade a 17 de novembro de 1997. Foi um geógrafo e historiador português, considerado o grande renovador da geografia em Portugal no século XX. Destacou-se internacionalmente pela vasta produção científica e pela abordagem interdisciplinar que cruzava geografia com história, antropologia e geologia. A paixão pela geografia nasceu do amor pela natureza e pela vida do campo, cultivado em longos passeios durante a infância passada fora de Lisboa, sobretudo nos arredores de Almada e em Viseu.

Licenciou-se em História e Geografia pela Universidade de Lisboa em 1932, tendo como mestres Leite de Vasconcelos e David Lopes. Doutorou-se em 1936 com a tese A Arrábida: Esboço Geográfico. Entre 1937 e 1940 viveu em Paris, onde estudou com grandes nomes da geografia francesa, como Emmanuel de Martonne e Albert Demangeon. Regressou a Portugal em 1940, ao ser nomeado professor na Universidade de Coimbra. Em 1943 tornou-se professor catedrático na Universidade de Lisboa, onde fundou o Centro de Estudos Geográficos (CEG), que dirigiu até 1974. Também criou o CEG em Coimbra, sendo o primeiro diretor de ambos. Em 1949 organizou o XVI Congresso Internacional de Geografia e foi vice-presidente da União Geográfica Internacional até 1956.

Lecionou em instituições prestigiadas como a Sorbonne, o Collège de France e universidades em França, Brasil, Espanha e Canadá. Em 1956 dirigiu um Curso de Altos Estudos Geográficos na Universidade do Rio de Janeiro. Participou nos Cursos de Férias da Universidade de Lisboa no Ultramar, ensinando em Luanda e Lourenço Marques em 1960 e 1961. Em 1960 conheceu Suzanne Daveau num congresso na Suécia, geógrafa francesa com experiência em África, com quem se casou em 1965 e que se tornou sua principal colaboradora.

Autor de mais de 400 trabalhos científicos, muitos traduzidos em diversas línguas, abordou temas que vão da geografia à história, etnologia, pedagogia e investigação científica. Entre as suas obras mais relevantes destacam-se A Arrábida: Esboço Geográfico (1935), Portugal, o Mediterrâneo e o Atlântico (1945), Portugal (1955), Mediterrâneo: Ambiente e Tradição (1968), A Ilha do Fogo e as suas Erupções (1954, 1960), Memórias de um Geógrafo (2003, póstumo) e Geografia de Portugal (1987–1991), esta última em colaboração com Suzanne Daveau e Hermann Lautensach. A sua escrita clara e acessível aproximou a geografia do público em geral. Maria de Lourdes Belchior destacou a sua prosa tersa e poética, com raro poder de comunicação científica.

A sua obra poética permanece inédita, mas os textos revelados em 1995 demonstram talento literário que complementa a sua dimensão científica. Raquel Soeiro de Brito considera-o o “primeiro nome da geografia moderna portuguesa”, sublinhando que “antes dele, a geografia era sobretudo descrição da paisagem; ele acrescentou a interpretação”. José Mattoso reconhece que Portugal, o Mediterrâneo e o Atlântico contribuiu para desmontar o chavão da unidade nacional, enquanto Carlos Alberto Medeiros o descreve como “um dos vultos mais notáveis da cultura portuguesa do século atual”.

Foi distinguido com diversos títulos e honrarias, entre os quais Grande-Oficial da Ordem da Instrução Pública (1981), Grande-Oficial da Ordem Militar de Sant’Iago da Espada (1987) e Chevalier da Légion d’Honneur (França). Membro de academias científicas em Portugal, França, Itália e Espanha, recebeu doutoramentos honoris causa de várias universidades internacionais. Colaborou no Dicionário de História de Portugal

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