Matias de Sousa Vilalobos
Matias de Sousa Vilalobos, ou Mathias de Sousa Villa‑Lobos, nasceu em Elvas por volta de 1643 e tornou‑se uma das figuras mais marcantes da prática musical e litúrgica portuguesa do final do século XVII. Formou‑se inicialmente em Leis na Universidade de Coimbra, onde obteve o grau de bacharel, mas foi na música que encontrou o seu verdadeiro campo de expressão intelectual. Recebeu formação musical de António Marques Lésbio, um dos mais reputados compositores portugueses do período, cuja influência se reconhece tanto na solidez técnica como na sensibilidade litúrgica das obras de Vilalobos.
Fixou‑se em Coimbra ainda jovem e, cerca de 1665, assumiu o cargo de mestre de capela da Sé de Coimbra, função que desempenhou durante várias décadas. A sua atividade estendeu‑se para além da catedral: ensinou música na cidade e também no Colégio da Guarda, contribuindo para a formação de clérigos e músicos num período em que a uniformização pós‑tridentina exigia mestres capazes de conciliar tradição e reforma.
A sua produção impressa, apoiada pelo bispo de Coimbra D. João de Melo, reflete precisamente essa dupla vocação pedagógica e litúrgica. Em 1688 publicou a Arte de Cantochão, um manual destinado a sistematizar e corrigir a prática do canto litúrgico. Três anos depois, em 1691, deu à estampa o seu mais ambicioso compêndio: o Inchiridion de missas solemnes, e votivas, e vesporas das selebridades, e festas de todo o anno, com os hymnos novos, e cantocham novamente emendado, & as festas todas, ad extensum, obra que reúne num único volume o essencial da prática musical e ritual anual, com o cantochão cuidadosamente revisto e adaptado às necessidades do clero.
