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Maria Helena da Rocha Pereira

Maria Helena da Rocha Pereira (Porto, 24 de junho de 1925 – Coimbra, 7 de julho de 2017) foi uma das mais eminentes intelectuais portuguesas do século XX, destacando-se como helenista, tradutora, professora universitária e divulgadora da cultura clássica. Licenciou-se em Filologia Clássica na Universidade de Coimbra, instituição à qual ficou profundamente ligada durante toda a sua carreira académica. Foi professora catedrática da Faculdade de Letras, onde ensinou literatura e língua grega e latina com um rigor e uma erudição que marcaram gerações de estudantes e colegas.

O seu percurso é indissociável da revitalização dos estudos clássicos em Portugal no pós-guerra. Dotada de uma inteligência límpida, dominava com precisão os textos da Antiguidade, tanto no plano filológico como no histórico e filosófico, destacando-se também como tradutora exímia. Traduziu Platão, Homero, Plutarco, entre muitos outros, procurando sempre uma linguagem portuguesa clara e elegante, sem ceder a facilidades, mas também sem rigidez erudita. A sua introdução crítica e anotação à edição moderna da Peregrinação de Fernão Mendes Pinto, publicada pela Imprensa Nacional-Casa da Moeda, é uma das mais relevantes contribuições para os estudos de literatura de viagens e da presença portuguesa no Oriente, sendo amplamente citada por estudiosos da literatura e da história.

Para além da investigação e do ensino, Maria Helena da Rocha Pereira desempenhou um papel determinante na divulgação da cultura clássica em Portugal, sendo autora de ensaios que evidenciam a permanência dos modelos antigos na literatura portuguesa contemporânea, desde Camilo Castelo Branco até Jorge de Sena. A sua escrita, sempre elegante e contida, era o reflexo de uma atitude intelectual profundamente ética e disciplinada, avessa ao vedetismo e às modas académicas.

Foi distinguida com inúmeros prémios e condecorações, entre os quais o Prémio Vida Literária da Associação Portuguesa de Escritores, o Prémio Vergílio Ferreira da Universidade de Évora e o Prémio de Tradução da União Latina. Era membro da Academia das Ciências de Lisboa e de diversas sociedades internacionais de estudos clássicos. Ao longo de décadas, manteve uma atividade intelectual contínua, sendo considerada unanimemente como a maior classicista portuguesa do seu tempo.

A sua obra, feita de rigor, clareza e discrição, permanece como um legado incontornável da cultura portuguesa. Maria Helena da Rocha Pereira foi, mais do que uma especialista em línguas e textos antigos, uma verdadeira humanista.

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