Maria Gabriela Llansol, Geografia de rebeldes, Trilogia, Afrontamento, Porto, 1977, 1982 e 1984; (1ª edição), 3 vols.

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I. O Livro das Comunidades (1977);
II. A Restante Vida (1982);
III. Na Casa de Julho e Agosto (1984).

Sobre Maria Gabriela Llansol (1931-2008) disse Eduardo Lourenço que será, depois de Fernando Pessoa, "o próximo grande mito literário da literatura portuguesa": "Nunca será uma autora fácil e consensual. É uma espécie de fenómeno misterioso. Alguém vindo de uma outra espécie de planeta. Quem a encontra é difícil não ficar fascinado por essa escrita."

«Acolhidos com um misto de perplexidade, indiferença e até reprovação pela crítica, para Augusto Joaquim, autor do posfácio à 2.ª edição de Pregos na Erva, a cultura portuguesa no início dos anos 60 ainda não estava preparada para compreender a novidade ficcional trazida por estes contos. Nascida da intenção de "provocar no leitor um desejo de mais-real [...] em mostrar fulgurâncias-de-Belo tais que o leitor é levado a com-partilhar o real que se desvenda no texto, mas sem intriga, sem apoio de identificação, sem ficção, mas sem figuras", a escrita de Llansol estabelece com o leitor um contrato de exigência que decorre da compreensão da arte como forma de conhecimento. Densamente construídos, numa narração onde nenhuma palavra ou expressão surge por acaso, mas é indispensável para a reconstituição, numa segunda leitura, dos significados do texto, os contos apresentam situações e trajetórias humanas, protagonizadas por personagens precárias, frequentemente ameaçadas pela morte, e cujas referências familiares, sociais, políticas ou nacionais desconhecemos. Entre a narratividade tradicional e uma estrutura próxima do drama estático, os contos encontram uma unidade na tessitura de símbolos e alegorias da cultura bíblica judaico-cristã - que codificam alguns dos sentidos de vários contos - e em determinadas recorrências (o cão, o amarelo e o negro, a cruz, a árvore, etc.) que conferem à realidade a categoria de cenário especialmente construído para a materialização de fragmentos de discursos, de estados e de percursos, através dos quais a autora, como Pedro de "A Manhã Morta", procura "uma substância onde esta multiplicidade se unificasse e permanecesse com uma face real" (p. 85).»

Maria Gabriela Llansol, (Lisboa, 24 de Novembro de 1931 - Sintra, 3 de Março de 2008)

Maria Gabriela Llansol Nunes da Cunha Rodrigues Joaquim, escritora portuguesa de ascendência espanhola, nascida no ano de 1931 em Lisboa. Licenciou-se em Direito e em Ciências Pedagógicas, tendo trabalhado em áreas relacionadas com problemas educacionais. Em 1965, abandonou Portugal para se fixar na Bélgica. Regressou há alguns anos a Portugal. Considerada uma autora cuja escrita é hermética e de difícil inteligibilidade para o leitor comum, é, no entanto, apontada por muitos como um dos nomes mais inovadores e importantes da ficção portuguesa contemporânea. A sua carreira literária iniciou-se com Os Pregos na Erva (1962), obra que inaugurou uma nova forma de escrever, embora estruturalmente se assemelhe a um livro de contos. Publicou de seguida Depois de os Pregos na Erva (1972), O Livro das Comunidades (1977), A Restante Vida (1983), Na Casa de Julho e Agosto (1984), Causa Amante (1984), Contos do Mal Errante (1986), Da Sebe ao Ser (1988), Um Beijo Dado Mais Tarde (1990), com evidentes ressonâncias autobiográficas, Lisboaleipzig 1: O Encontro Inesperado do Diverso (1994), Lisboaleipzig 2: O Ensaio de Música (1995), Ardente Texto Joshua (1998) e Onde Vais Drama Poesia? (2000). No caso de Maria Gabriela Llansol dificilmente se podem aplicar designações tradicionais como conto, romance ou mesmo diário. Apesar de se detectarem elementos tradicionais da narrativa, as suas obras, mais do que narrativas, são conjuntos de pequenos quadros e meditações. A acção localiza-se geralmente na Alemanha ou em regiões próximas, nos primórdios do Renascimento, num ambiente fantástico em que à volta de Copérnico, Isabol ou Hadewijch se movimentam personagens inspirados em pensadores místicos como San Juan de la Cruz e Eckhart e filósofos como Nietzsche e Espinosa. Os diários Um Falcão em Punho (1985), considerado o ponto de viragem no que toca à cada vez maior inteligibilidade da sua escrita, e Finita (1987), distinguem-se das obras ficcionais pela sua aparente ordenação cronológica e pelas reflexões sobre a concepção materialista em que se baseia a mística e a poética da autora. Um dos traços mais marcantes de toda a sua produção consiste na constante negação da escrita representativa, com inserção no texto de diferentes caracteres tipográficos, espaços em branco, traços que dividem o texto, perguntas de retórica, aspectos que contribuem para a sensação de estranheza que os seus textos provocam. Levando às últimas consequências a criação de um universo pessoal que desde os anos 60 não tem paralelo na literatura portuguesa, a obra de Maria Gabriela Llansol faz estilhaçar as fronteiras entre o que designamos por ficção, diário, poesia, ensaio, memórias, etc.

Obras

• 1962 - Os Pregos na Erva

• 1973 - Depois de Os Pregos na Erva

Geografia de Rebeldes

• 1977 - O Livro das Comunidades.

• 1983 - A Restante Vida.

• 1984 - Na Casa de Julho e Agosto.

O Litoral do Mundo

• 1984 - Causa Amante.

• 1986 - Contos do Mal Errante. Com posfácio de Manuel Gusmão

• 1988 - Da Sebe ao Ser.

• 1990 - Amar um Cão.

• 1990 - O Raio sobre o Lápis.

• 1990 - Um Beijo Dado mais tarde.

• 1993 - Hölder, de Hölderlin.

• 1994 - Lisboaleipzig I. O encontro inesperado do diverso.

• 1994 - Lisboaleipzig II. O ensaio de música.

• 1998 - A Terra Fora do Sítio.

• 1998 - Carta ao Legente.

• 1999 - Ardente Texto Joshua.

• 2000 - Onde Vais, Drama-Poesia?

• 2000 - Cantileno.

• 2001 - Parasceve. Puzzles e Ironias.

• 2002 - O Senhor de Herbais. Breves ensaios literários sobre a reprodução estética do mundo, e suas tentações.

• 2003 - O Começo de Um Livro é Precioso.

• 2003 - O Jogo da Liberdade da Alma.

• 2006 - Amigo e Amiga. Curso de silêncio de 2004.

Diários

• 1985 - Um Falcão no Punho. Diário I.

• 1987 - Finita. Diário II.

• 1996 - Inquérito às Quatro Confidências. Diário III.

Traduções

• 1995 - Emily Dickinson, Bilhetinhos com Poemas (sob o pseudónimo de Ana Fontes)

• 1995 - Paul Verlaine, Sageza.

• 1996 - Rainer Maria Rilke, Frutos e Apontamentos.

• 1998 - Rimbaud, O Rapaz Raro.

• 1999 - Teresa de Lisieux, O Alto Voo da Cotovia.

• 2001 - Apollinaire, Mais Novembro do que Setembro.

• 2002 - Paul Éluard, Últimos Poemas de Amor.

• 2003 - Charles Baudelaire, As Flores do Mal.

Prémios

• Prémio Dom Dinis da Fundação Casa de Mateus do ano de 1985 - obra "Um Falcão no Punho"

• Grande Prémio de Romance e Novela APE/IPLB da Associação Portuguesa de Escritores do ano de 1990 - obra "Um Beijo Dado Mais Tarde"

• Grande Prémio de Romance e Novela APE/IPLB da Associação Portuguesa de Escritores do ano de 2006 - (Julho de 2007) - obra "Amigo e Amiga"

 


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