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Luís de Albuquerque, Dicionário de História dos Descobrimentos Portugueses. Caminho, Lisboa, 1994

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O mais importante dicionário sobre os Descobrimentos Portugueses

2 volumes, com capa rija, completo.

2 vv. 1120 pp.: il.; 26 cm. Coordenação: Francisco Contente Domingues

 

ALBUQUERQUE, Luís de

Lisboa, 1917- Lisboa, 1992

Luis Guilherme Furtado Mendonça Castilho de Albuquerque (que usou Luís Guilherme Mendonça de Albuquerque) nasceu em Lisboa a 6 de Março de 1917, filho primogénito de Eduardo Castilho de Albuquerque, oficial do Exército da arma de Cavalaria, e Emília Sá Mendonça Furtado de Albuquerque. Teve como avós paternos Luís de Albuquerque e Virgínia Júlia de Castilho de Albuquerque. Em 1943 contraiu matrimónio com Maria Benedita Lares de Morais. Frequentou em Coimbra os Liceus José Falcão e Júlio Henriques, ingressando depois no Colégio Militar (número 89), e conclui o curso geral dos liceus em 1934. Estudou Matemática na Faculdade de Ciências da Universidade de Coimbra, terminando a licenciatura na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa em 1939, e logo em 1940 a licenciatura em Engenharia Geográfica.
Iniciou a carreira universitária em 1941 como assistente do 1o grupo (Análise e Geometria) na Faculdade de Ciências da Universidade de Coimbra, onde foi regente de um longo número de cadeiras de Geometria, Álgebra, Cálculo e Desenho.Em 1946 foi eleito Presidente da Associação Académica de Coimbra, não lhe sendo permitido que venha a tomar posse efectiva do cargo por motivos políticos.
Dois anos volvidos foi aprovado por unanimidade no concurso para Professor de cadeiras e cursos anexos de Desenho na Faculdade de Ciências, vindo a ser provido em 11 de Janeiro de 1949. Dez anos depois obteve o doutoramento em Matemática com 19 valores, na Universidade de Coimbra. Apresenta a tese Sobre a Teoria da Aproximação Funcional. A realização desta prova, essencial ao bom prosseguimento da sua carreira académica, foi-lhe dificultada e protelada de diversas formas, durante anos (a tese estava concluída havia muito) , dado as suas ideias políticas não serem concordes com a ideologia oficial do regime, situação que veio a ser desbloqueada de por intervenção de Manuel Lopes de Almeida, ao tempo diretor da Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra e figura grada da Situação (chegou a ser ministro da Educação em 1961- 2), amigo de uma vida de Luís de Albuquerque e que por ele se responsabilizou perante a polícia política. As condições adversas que lhe criaram na Universidade fizeram-no chegar a leccionar mais de trinta horas por semana.
Logo depois estudou Métodos Estocásticos na Universidade de Göttingen (Alemanha Federal) com uma bolsa do Instituto de Alta Cultura, seguindo os seminários do Professor Konrad Jacobs. No regresso a Faculdade vedou-lhe o retorno à cadeira de Cálculo das Probabilidades, cujo ensino inovara anteriormente e para a qual se especializara. É-lhe entregue a cadeira de Álgebra; virá a ser um dos impulsionadores da mais tarde chamada Escola Portuguesa de Álgebra Linear, que alcança grande prestígio internacional.
Nos meados dos anos cinquenta Armando Cortesão iniciou os trabalhos preparatórios da monumental obra Portugaliae Monumenta Cartographica (Lisboa, 1960): Sabendo-se que Luís de Albuquerque colaborou na sua execução, desconhece-se exatamente em que termos e até que ponto, como sucede aliás com outros colaboradores da equipa da equipa reunida por Cortesão, com exceção de Avelino Teixeira da Mota, cuja proeminência foi tal que assumiu a co-autoria e acabou por ser o principal responsável pelos últimos volumes. A obra em si perdura como um marco na disciplina, a ponto de David Woodward a considerar sem paralelo, apesar de ser ele próprio co-responsável (com John Brian Harley) por uma revolução epistemológica na História da Cartografia que desactualizou a matriz que enformara a realização dos PMC. Trata-se todavia em si mesmo de um monumento, como os monumentos cartográficos que estuda.
Um dos efeitos mais duradouros do labor dessa equipa resultou na institucionalização do trabalho científico na área da História da Cartografia – uma novidade para o tempo em Portugal – com a criação do Agrupamento de Estudos de Cartografia Antiga da Junta de Investigações do Ultramar (em duas secções). Em 1961 surge a Série de Separatas do Agrupamento de Estudos de Cartografia Antiga da Junta de Investigações do Ultramar, que é inaugurada pela Secção de Lisboa do Agrupamento com um trabalho de Teixeira da Mota (A. T. Mota, Cinco Séculos de Cartografia das Ilhas de Cabo Verde, 1960)e pela de Coimbra com o estudo de Luís Albuquerque intitulado Os Almanaques Portugueses de Madrid (1961).
Esta Série, da qual foram publicados 249 títulos, conhecida por "separatas verdes" (em alusão à cor da capa), consistia na tiragem à parte de artigos publicados em revistas nacionais e internacionais, sobretudo em torno da Cartografia Náutica e da História da Náutica, tornar-se-á numa das colecções de publicações portuguesas de maior projecção internacional. O Agrupamento vir-se-ia a denominar Centro, e depois Centro de Estudos de História e Cartografia Antiga, até à integração do Instituto de Investigação Científica Tropical na Universidade de Lisboa em 2015.
Enquanto Avelino Teixeira da Mota dirigia a Secção de Lisboa, Armando Cortesão e Luís de Albuquerque davam corpo à de Coimbra. Juntava-os o interesse comum pela História da Arte de Navegar, um com maior pendor para a Cartografia Náutica, outro para a Náutica propriamente dita. Uma colaboração próxima mas crítica, pois os separavam concepções profundamente divergentes em relação a aspectos chave da História da Expansão Portuguesa: bastará recordar a questão da política de sigilo, de que Cortesão foi um estrénuo defensor, na linha de seu irmão Jaime, enquanto Albuquerque afinava mais por um diapasão crítico e pouco dado a fantasias, criativas que fossem, que vinha mais na linha da intervenção de Duarte Leite na matéria. Todavia, logo nos primeiros tempos de funcionamento do Agrupamento proferiu o discurso de elogio do Apresentante, Prof. João Carrington Simões da Costa, na cerimónia de doutoramento Honoris Causa de Armando Cortesão.

Foi neste enquadramento que Luís de Albuquerque percorreu três dos passos mais importantes da sua carreira: a edição dos livros de marinharia, a que nos referiremos mais à frente, a colaboração da edição das Obras Completas de D. João de Castro, e a organização da [I] Reunião Internacional de História da Náutica.
A obra de D. João de Castro e os seus estudos sobre o magnetismo terrestre foram continuadamente objeto da sua atenção e de vários trabalhos, e é por isso natural que a idealização da edição das Obras tenha sido sua, apesar de ser também assinada por Armando Cortesão, que ainda teria tido alguma participação nos dois primeiros volumes, mas o terceiro, com a correspondência, e o quarto com a reunião de alguns estudos, são da responsabilidade exclusiva de Luís Albuquerque. O livro, de excelente qualidade editorial, foi patrocinado pela recém-criada Academia Internacional da Cultura Portuguesa.
Entretanto Michel Mollat du Jourdin vinha organizando os Colloques Internationaux d’histoire Maritime desde os meados dos anos 50. Constatava-se que os Colloques praticamente não tratavam dos aspectos técnicos da navegação: a excepção fora o colóquio que teve lugar em Lisboa em 1960, no quadro das comemorações henriquinas, onde os temas técnicos dominaram, revelando a influência da historiografia portuguesa pela atenção dada a esta vertente das navegações. Mas do ponto de vista do programa científico estes congressos continuaram a tratar essencialmente de portos, comércio marítimo, e outros capítulos de uma história económica marítima que tem sido até hoje a tendência dominante internacionalmente, como se atesta por esta Comissão ter passado a ser substituída de facto, desde a década de 1990, pela então criada International Maritime Economic History Association.
A cartografia e a náutica continuavam porém a merecer a melhor atenção dentro do Agrupamento de Cartografia Antiga, faltando elevá-las à condição de tema central da historiografia contemporânea, para o que careciam de um espaço de afirmação próprio: foi isso que levou Luís de Albuquerque a promover a realização da Reunião Internacional de História da Náutica em 1968.
Naturalmente que a idade e a condição de responsável pela secção de Coimbra do Agrupamento davam a precedência a Armando Cortesão, mas foi o próprio que logo no discurso inaugural deixou todos os créditos ao seu colega mais novo: “Devo porém, dizer, em abono da justiça, que embora a conveniência e possibilidade de a realizar tenha surgido durante as muitas conversas que eu e o prof. Luís de Albuquerque naturalmente temos sobre estes assuntos, a ideia original, mais do que a mim, a ele pertence. Na verdade algo do que de bom por ventura se tenha feito nesta secção em grande parte se deve à assombrosa actividade intelectual deste homem excepcional” (Rev. da Universidade de Coimbra, xxiv, p.4).
As Actas foram editadas em volume da Revista da Universidade de Coimbra e incluíram colaborações dos principais nomes de entre os estudiosos que por essa altura se dedicavam à história da arte de navegar: entre outros, Guy Beaujouan, Emmanuel Poule, Ursula Lamb, Francis Maddison, Ernst Crone, Marcel Destombes, Wilcomb Washburn, G. R. Tibbetts, David Waters, R. A. Skelton, Max Justo Guedes, Reyer Hooykaas e Rolando Laguarda Trías.
Inicialmente pensado como um evento único, o sucesso deste encontro científico levou à sua repetição,

embora fosse doutrina que a realização de eventos similares se adaptaria a circunstâncias específicas que tornassem viável o seu financiamento, como os ciclos comemorativos. Assim se compreende que Max guedes e Luís de Albuquerque tenham organizado as reuniões subsequentes com um calendário irregular: 1976, 1979, 1983, 1984, 1987.
Nesse ano de 1968 Armando Cortesão publicou ainda os dois volumes da dua História da Cartografia Portuguesa (Cortesão, 1969), fechando assim o excepcional período inaugural das atividades da Secção de Coimbra do Agrupamento de Estudos de Cartografia Antiga.
A carreira universitária de Luís de Albuquerque ia entretanto prosseguindo: foi aprovado em 1963 no concurso para Professor Extraordinário da Faculdade de Ciências da Universidade de Coimbra, foi Professor Agregado no mesmo ano e em 1966 e ficou aprovado no concurso para Professor Catedrático.
A actividade de Luís de Albuquerque foi sempre marcada pela assunção de responsabilidades múltiplas em planos diversos: o professor de Matemática foi também professor de História, o académico serviu a Universidade em vários cargos da maior importância, o cidadão serviu a cidade na qual viveu quase toda a vida com a mesma intensidade. Este empenho no serviço das instituições a que esteve ligado ou a pluralidade das contribuições universitárias reflectem bem tanto o seu carácter como a forma empenhada com que assumia os seus cometimentos. Pouco antes de uma década intensa ao serviço da Universidade foi Governador Civil do Distrito de Coimbra (1974-76), único cargo de natureza política que ocupará alguma vez, tendo tido uma meritória acção na cidade.
Além de vários cargos na Faculdade de Ciências, foi vice-reitor da Universidade de 1978 a 1982, e desde 1978 foi ainda Director da Biblioteca Geral da Universidade (BGUC) até à data da jubilação, cargo de sua particular predilecção e durante o exercício do qual promoveu uma importante série de publicações sobre os seus temas de referência, a Náutica e a Cartografia. A título de exemplo mencionem-se os três volumes com que a Revista da Universidade de Coimbra (editada pela Biblioteca Geral) homenageou Armando Cortesão (vols. XXVI-XVIII), porventura o mais importante repositório conjunto de artigos publicados em Portugal nessa matéria; com maior diversidade temática o seu sucessor na BGUC, preparou-lhe igualmente três volumes de homenagem da mesma publicação, ainda em vida (vols. XXXV-XXXVII).
Um elevado sentido ético no desempenho de cargos públicos não surpreende, atendendo ao seu perfil pessoal. Em 1974, Luís de Albuquerque iniciou a publicação dos seus Estudos de História na série Acta Universitatis Conimbrigensis editada pela BGUC (6 vols., 1974-78), uma compilação de artigos esparsos, cujos volumes III e IV incluíam as colaborações na História da Cartografia Portuguesa de Armando Cortesão. Editado o volume VI, suspendeu a publicação da série para não usar a posição que detinha na publicação dos seus próprios livros.
Os anos oitenta foram de grande atividade: a colaboração com instituições externas à Universidade intensificou-se, a docência multiplicou-se por várias universidades: nos últimos de vida académica activa logo depois da jubilação leccionou na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa,

onde participou no arranque dos estudos pós-graduados de História dos Descobrimentos, nas Faculdades de Letras das Universidades de Lisboa e Coimbra, e ainda na Universidade Autónoma, não contando os numerosos seminários e cursos de curta duração que dirigiu em universidades portuguesas e estrangeiras; enfim, foi a época do reconhecimento público e da grande projecção da sua obra, com um rimo editorial intenso. Do ponto de vista científico é também uma época marcada pela assumpção clara de um papel pedagógico na divulgação da História dos Descobrimentos e das Navegações, mais que da História da Náutica e da Cartografia, voltado para um público mais alargado que o do leitor dos escritos científicos. Sucederam-se assim colectâneas de estudos e a publicação de livros e artigos em número apreciável, despoletados pela conjugação de vários factores.
Em primeiro lugar importa lembrar a acção da Comissão Nacional para as Comemorações dos Descobrimentos Portugueses (existente entre 1987 e 2002), que projectou a imagem deste período histórico com grande pujança, tanto interna como externamente, compreendendo a realização de exposições, promoção de conferências, financiamento de projectos de investigação (este aspecto mais longe dos olhos do grande público) e editando ou apoiando um grande número de publicações, tanto científicas como de divulgação, inclusivamente com atenção especial para as camadas mais jovens, para a qual se direccionou o então criado Grupo de Trabalho do Ministério da Educação para as Comemorações dos Descobrimentos Portugueses, de que foi co-responsável. Do âmbito destas comemorações um dos aspectos mais importantes da sua intervenção foi a criação da Mare Liberum. Revista de História dos Mares, uma revista publicada em formato inusual (A4) com o objetivo de possibilitar a edição de artigos que exigissem ilustração incompatível com a dimensão normal dos periódicos científicos, ou seja, sobretudo estudos de Cartografia e Náutica, também; a Mare Liberum foi até às extinção da CNCDP o órgão da Comissão Científica deste organismo, dirigida desde o início por Luís de Albuquerque (era complementada pela revista Oceanos, de vocação divulgativa). Uma aposta também na internacionalização, como o revela a panóplia de autores logo desde o número 1, e a recepção de textos em seis línguas (incluindo o alemão e o italiano), facto até então inédito nas revistas de História em Portugal.
De alguma forma continuava-se o impulso de grande focagem e promoção da História e da Cultura Portuguesas na época dos Descobrimentos que já fora objeto da XVII Exposição Europeia de Arte, Ciência e Cultura (1983), a qual se desenvolvera em torno de cinco núcleos, tendo sido Luís de Albuquerque o responsável pela exposição dos Jerónimos. Desta feita com maior visibilidade e impacto, a atenção do público encontrou o seu historiador de eleição, não só pela qualidade intrínseca dos seus escritos, como pelo facto de se debruçar sobre temas com muito pouca visibilidade, até dentro do meio profissional da História, como ainda pela capacidade expositiva de uma escrita elegante, escorreita e ao alcance de um público culto não especialista, por mais intrincado que fosse o assunto (o bom exemplo é precisamente a História da Náutica, matéria complexa mesmo para o leitor profissional), uma escrita que todavia não sacrificava em nada o rigor científico.

A década de oitenta é bem o momento em que culmina um trabalho de grande projecção científica (que vinha desde os anos cinquenta) compaginado agora com uma importante vertente divulgativa. Em ambos os níveis dando razão a uma apreciação crítica de W. G. L. Randles: “For future scholars of the Renaissance period, he has raised nautical astronomy the status of an arcane subject to become an ‘incontornável’ core feature of the History of the Discoveries” (W G L Randles, “Luís de Albuquerque and the History of Nautical Science in Portugal”, 1998, p. 135).
Foi por esta altura também, e em consequência, que Luís de Albuquerque dirigiu alguns projectos colectivos de grande impacto, como a obra de seis volumes intitulada Portugal no Mundo, a qual foi acompanhada pela edição (com o mesmo aspecto gráfico) de uma obra intitulada Os Descobrimentos Portugueses, que viria a ser a sua grande elaboração de síntese sobre o período das navegações.
Esta década assistiu também ao ressuscitar de uma questão antiga, tão antiga como errónea e fantasista: “uma torrente de especulações e fantasias” como acertadamente disse Luís Filipe Thomaz da publicação em 1986 de um livro que, com extensa cópia da obra do escritor e bibliotecário Patrocínio Ribeiro (embora sem nunca o citar), quis fazer renascer o mito do “Colombo português”.
Importa reconhecer que a questão transcende a dimensão historiográfica do suposto problema, dada a conotação política que um sector específico lhe quis atribuir, mas Luís de Albuquerque ateve-se exclusivamente àquele aspecto, como seria de esperar, e de alguma forma a “polémica” foi o pretexto que despoletou a intervenção mais directa numa vertente que é constante na sua obra: a crítica aos muitos aspectos fantasistas de que enferma a História dos Descobrimentos, prenhe de glórias imaginárias porque imaginadas, como alguém escreveu. Num plano estritamente científico Luís de Albuquerque, na senda de um Duarte Leite, foi crítico de Armando Cortesão, próximo das formulações de seu irmão Jaime nas concepções diferentes que os opuseram àqueles professores de Coimbra. Neste plano mais alargado inscreve-se o livro em dois volumes intitulado Dúvidas e Certezas na História dos Descobrimentos Portugueses (2 vols., 1990- 91), obra com uma vertente dupla: a das Dúvidas (o volume I) em crítica às questões hipotéticas e fantasistas dos Descobrimentos, as Certezas sobre as realidades que denotam a sua importância efectiva para a história portuguesa e mundial.
Neste mesmo sentido da grande divulgação cumpre ainda destacar a publicação em 1989 da Biblioteca da Expansão Portuguesa, a par do Portugal no Mundo, em nada menos que 50 volumes textos históricos de feição a mais diversa, publicados em português moderno e com estudos explicativos, facilitando quando não propiciando o acesso fácil a um enorme manancial de documentos, mesmo aos profissionais do ofício.
Um labor incansável, mesmo que os seus frutos tenham sido mais tardios, como foi o caso da publicação póstuma do Dicionário de História dos Descobrimentos Portugueses (2 vols, 1994), primeira obra de grande fôlego do género, reunindo 92 colaboradores que redigiram 1010 artigos.
Por fim, neste destaque do trabalho de uma década operosa, cumpre mencionar a iniciativa de maior impacto internacional: em 2 de Junho de 1990 inaugurou-se a Exposição Portugal-Brasil. A Era dos Descobrimentos Atlânticos, na The New York Public Library. Foi um dos curadores desta Exposição de grande projecção, e colaborou activamente no Catálogo com a Introdução escrita em parceria com Max Justo Guedes, um ensaio, um apêndice, e a autoria de boa parte das legendas. A exposição teve uma recepção entusiástica na imprensa local durante o trimestre em que esteve patente ao público.

A década de 1980 foi também e com naturalidade a do reconhecimento académico: em 1985, a Universidade de Lisboa concedeu-lhe o grau de Doutor Honoris Causa em História, por essa altura ia já medrando a ideia de se lhe dedicar um Livro de Homenagem que fosse espelho do tributo de colegas, discípulos e amigos. Foi editado em 1986 e 1987, compilando a contribuição de nomes do maior prestígio internacional nas matérias relativas à História da Ciência e da Exploração Geográfica na época moderna.
1987 foi o ano da jubilação universitária, sendo-lhe dedicadas diversas cerimónias de homenagem em Lisboa e Coimbra. No dia 10 de Junho desse ano foi condecorado pelo Presidente da República com o Grande Oficialato da Ordem do Infante D. Henrique. Em Outubro de 1991 é hospitalizado em consequência de um acidente cardiovascular, de cujas sequelas não se recomporá. Veio a morrer no Hospital de Marinha, em Lisboa, a 22 de Janeiro de 1992.
Um grupo de colaboradores e discípulos inicia a preparação do livro de homenagem intitulado Luís de Albuquerque Historiador e Matemático (1998). O livro contém sete estudos sobre diversos aspectos da sua obra, quatro trabalhos inéditos e a sua bibliografia completa. Integrada nas comemorações do 25 de Abril de 1993, os Serviços Culturais da Câmara Municipal da Figueira da Foz promovem a Exposição "Luís de Albuquerque. O Homem e a Obra", e no ano seguinte o Departamento de Matemática da Universidade de Coimbra publica o volume Estudos de Matemática em Homenagem ao Professor Doutor Luís de Albuquerque (Coimbra, 1994). Foi também homenageado pela Academia de Marinha, e ainda em 1992 e 2017, por ocasião do centenário do nascimento.
De todas os preitos e manifestações in memoriam talvez haja uma que se sobreponha, uma distinção rara no percurso de vida de um historiador: em 1991, no seu 101o encontro anual, a American Historical Association, a maior agremiação mundial de profissionais do ofício, elegeu Luís de Albuquerque como seu 76o membro honorário, uma distinção que foi dada pela primeira vez a Leopold von Rank. Foram seus proponentes Ursula Lamb e Wilcomb Washburn.
A obra científica e literária de Luís de Albuquerque é mais vasta e diversificada do que poderia parecer: é como se tudo lhe tivesse interessado, tudo tivesse estudado e suscitado a sua atenção, contando-se na sua bibliografia mais de um milhar de títulos (Domingues, 1998) reflexo de uma atividade que se manifestou em quatro grandes planos.
Conhece-se bem a obra do matemático, graças aos estudos de J. J. Dionísio, e ver-se-ão Graciliano de Oliveira, José Vitória, Natália Bebiano e Nazaré Mendes Lopes (todos professores do Departamento de Matemática da Universidade de Coimbra), para compreender o caminho de Luís de Albuquerque na disciplina e a forma como nela inovou, nomeadamente pela sua responsabilidade no advento da Escola Portuguesa de Álgebra Linear.

Logo desde as primeiras publicações científicas, Luís de Albuquerque foi paralelamente escrevendo sobre
temas os mais diversos, desde a economia de Angola às potencialidades da energia nuclear, da crítica literária (sobretudo poesia) a notas e comentários sobre os mais diversos assuntos: um livro acabado de sair ou um congresso de engenheiros, o desporto e o olimpismo, o cinema ou os problemas do ensino primário. Adivinha- se uma curiosidade imensa e insaciável por todos os aspectos da realidade que o circundava, e uma vontade irresistível de intervir pela escrita: não por acaso se autodefiniu como grafómano.
A grande maioria destes textos apareceram na revista Vértice, órgão quase oficioso do movimento do neorrealismo português, e que congregou parte importante dos intelectuais de Coimbra que se opunham ao regime vigente, entre os quais teve alguns dos seus amigos, como Egídio Namorado. Outros nomes de relevo das letras foram-lhe também próximos, como Vitorino Nemésio, visita frequente de casa, ou Vergílio Ferreira, que lhe deixou o manuscrito (inédito) do seu primeiro romance. A Vértice passou por dificuldades devido ao seu alinhamento político, com vários autores proibidos de assinar artigos com o seu nome, como aconteceu a Luís de Albuquerque, que usou cinco pseudónimos além dos artigos sem assinatura, para redigir por vezes números inteiros da revista entre os finais dos anos quarenta e inícios do decénio seguinte.
É escusado procurar uma lógica fechada na utilização destes alter-egos, mas é visível que um deles (J. Sousa Mendes) foi preferido para versar temas culturais em geral, e históricos em particular. Em múltiplas ocasiões, artigos de jornal ou em outros meios de grande circulação anteciparam a publicação de textos mais extensos, ou divulgaram resultados já apresentados em artigos e livros científicos. Foi o caso sobretudo da série de artigos sobre temas vários das navegações portuguesas publicados no jornal O Comércio do Porto, mais tarde reunidos em livro (Crónicas de História de Portugal, 1987).
O interesse de Luís de Albuquerque pela História da Náutica derivou da conjunção de um convite de António José Saraiva para colaborar na sua História da Cultura em Portugal com um capítulo sobre “As navegações e as origens da mentalidade científica” (in A. J. Saraiva, História da Cultura em Portugal, vol. II, 1955, pp. 369-507), e com o facto de se ter encarregue da organização da biblioteca de Luciano Pereira da Silva (1864-1926), adquirida por Joaquim Bensaúde e entregue ao Departamento de Matemática da Universidade de Coimbra, onde aquele ilustre professor deixara marca também como historiador da Náutica. Seguramente que a sombra benéfica de Pereira da Silva influenciou o então jovem membro do Departamento, a quem relembraria também a imagem de um outro professor notável, e autor de obra historiográfica de grande relevo: Duarte Leite (1864-1950).
O caminho estava apontado para a História da Náutica, mas importa não esquecer um outro capítulo em que a sua obra foi relevante para o tempo: a História da Educação. Mais uma vez, os trabalhos de Matemática vão a par da intervenção crítica, dos estudos sobre os Descobrimentos em geral, e de uma série de artigos sobre a educação em Portugal desde as reformas pombalinas até aos primeiros tempos do liberalismo, artigos que serão republicados em edição do Autor, e mais tarde, com acrescentos, como volume VI dos seus Estudos de História. Textos importantes para relançar a disciplina da História da Educação em Portugal, como Rui Grácio testemunhou.

Luís de Albuquerque notabilizou-se essencialmente como historiador da Náutica, mas antes do início da série de publicações que o consagraria como o grande especialista da matéria, há-de-se relembrar a série de doze artigos da Vértice intitulados “Introdução à História dos Descobrimentos Portugueses” (1957-59), de que resultaria o livro homónimo publicado em 1959, reeditado em 1962. Esta Introdução foi aliás uma das obras que na viragem dos anos cinquenta para a década seguinte haveria de mudar profundamente a História da Expansão Portuguesa, a par de títulos de Duarte Leite, Vitorino Magalhães Godinho e José Sebastião da Silva Dias.
Luís de Albuquerque deixou uma obra muito importante no domínio que a historiografia portuguesa chama de História dos Descobrimentos e da Expansão, que poderíamos titular também História das Navegações. Sessenta anos volvidos sobre a edição em livro, a citada Introdução continua a ser um livro de leitura obrigatória, mormente pelo seu momento inicial, quando pondera devidamente a geografia imaginária como motivação de algumas das primeiras navegações (o que algum outro livro sobre os primórdios dos Descobrimentos fará até hoje), e pela explicação dos métodos de navegação do Mediterrâneo, e decorrentemente sua inadequação para a navegação atlântica, ao contrário do muito que se escrevera a propósito.
Sem prejuízo da grande valia dos estudos sobre os Descobrimentos em geral, com atenção particular às navegações quatrocentistas, e à extensa e consistente obra sobre os portugueses no Oriente no século XVI, particularmente relevante é, sem contestação, o conjunto dos estudos que dedicou à História da Náutica. William G. L. Randles foi autor de um magistral estudo crítico que é à vez uma ponderação da contribuição de Luís de Albuquerque e um balanço do que foram os principais passos da astronomia náutica em Portugal nos séculos XV e XVI. Estudo que terminou tudo dizendo numa frase: “For future scholars of the Renaissance period, he as raised nautical astronomy the status of an arcane ancilliary subject to become an “incontornável” core feature of the history of the Discoveries” (Luís de Albuquerque Historiador e Matemático, p. 142).Sumariamente, podemos dizer que a sua contribuição para esta matéria residiu em dois aspectos fundamentais: a publicação de fontes e a definição teórico-conceptual.
Com a publicação de O Livro de Marinharia de André Pires, em 1963, é lançada a Série Memórias que pontificaria no conjunto de publicações da Junta de Investigações do Ultramar. Foi a primeira edição de um livro de marinharia feita por Luís de Albuquerque, seguindo o critério que se tornaria usual, o de baptizar o manuscrito com o nome de um piloto nele mencionado, mesmo sabendo-se que não é o autor, ou da instituição onde se guarda. Publicou também os de Manuel Álvares, João de Lisboa, Bernardo Fernandes, Pero Vaz Fragoso, Gaspar Moreira e Manuel Pimentel; ou seja, definiu o corpus documental da matéria, pois de fora ficaram apenas o manuscrito de Praga, publicado há poucos anos com um conjunto de estudos introdutórios, e um outro estante na Real Academia de la Historia de Madrid, que Albuquerque estudou profundamente num artigo publicado no Boletin da Academia e logo reimpresso nos Estudos de História: Num momento em que o jargão académico consagra as “redes” e os “programas” de investigação como forma privilegiada de organização do trabalho científico, cumpre reconhecer que no Agrupamento de Estudos de Cartografia Antiga, em Coimbra, ao longo das décadas de sessenta e setenta, tiveram lugar dois verdadeiros programas de investigação (sobre Cartografia e sobre Náutica históricas), que resultaram entre outras coisas nesta edição sistemática e sem paralelo na Europa da literatura técnica do Renascimento português. Tudo num ambiente do mais elevado nível de cosmopolitismo científico: a rede de contactos internacionais dos dois responsáveis do Agrupamento abrangia quem era quem nestes domínios, contando em particular com a colaboração próxima de nomes cimeiros como Reyer Hooykaas e W. G. L. Randles. Luís de Albuquerque foi responsável por outras edições fundamentais para a consolidação da História da Náutica, e sobretudo fez duas grandes sínteses do que foi a Náutica renascentista portuguesa: a primeira com os dois extensos capítulos fazem parte do volume II da História da Cartografia Portuguesa de Armando Cortesão já mencionados; como sagazmente observou Randles, o facto do seu nome não vir mencionado na capa da obra não terá contribuído para difundir o seu trabalho junto daqueles que podiam estar nele interessados, mas não necessariamente na cartografia náutica. A contrapartida foi a acessibilidade que passou a ter para um conjunto de leitores mais diversificado através da publicação da obra em inglês e, com ela, destes capítulos. Terá sido até esta a principal via do conhecimento da sua obra nos meios historiográficos anglo-saxónicos, onde era amplamente reconhecido, já que muito pouco deixou escrito em inglês. Por outro lado, sabemos da grande projecção internacional deste livro de Cortesão, ainda hoje citado amiúde a partir

da versão inglesa.
Inquirido pelos seus mais próximos sobre a razão pela qual não escrevia uma grande obra de síntese
sobre a náutica portuguesa do Renascimento, Luís de Albuquerque argumentava por via de regra que nada de importante tinha a acrescentar ao que deixara escrito naqueles dois capítulos. Mas viria a mudar de posição: foi exatamente uma obra de síntese com uma visão global e sistemática da Náutica portuguesa que escreveu para inaugurar a série de dexanove obras sobre Portugal na grande colecção sobre os Descobrimentos e a Expansão Europeia. O manuscrito português do livro Historia de la Navigación Portuguesa (1992) foi enviado para Madrid já muito perto do termo da vida do seu autor, que não o pôde rever, e está perdido até hoje.
O mais curto dos livros de marinharia que publicou foi o Livro de Marinharia de Pero Vaz Fragoso, tanto que não saiu em livro como os restantes mas em artigo, e depois em Separata. Paradoxalmente, é o que contém a melhor introdução no que diz respeito à clareza com que explanou conceitos básicos que se tornaram referenciais na disciplina: e foi fundamental para esclarecer a terminologia confusa com que muitos autores se lhes referem, bastando citar o caso do erroneamente designado Diário ou Jornal, que afinal é sim uma Relação da viagem de Vasco da Gama. Relembremos a forma como definiu Textos Náuticos: "todos os escritos de carácter náutico daqueles dois séculos [XVI e XVII] até agora conhecidos contêm três tipos de indicações: a) trechos que dizem exclusivamente respeito a regras de astronomia náutica e à pilotagem; b) descrições de carácter roteirístico, incluindo derrotas, conhecenças, entradas de barras, etc.; e c) 'diários de navegação' que registam dia a dia, como aliás a designação deixa prever, as observações dos pilotos feitas durante uma dada viagem.... Se um texto contém apenas informações do primeiro tipo, é de uso chamar-lhe guia náutico.... No caso de conterem somente indicações do segundo ou terceiro tipos são naturalmente chamados roteiros ou diários, consoante o caso. Mas por via de regra, os manuscritos mais antigos [do século XVI] incluem ensinamentos dos três géneros (embora sejam neles muito raros os diários) e é nesse caso que recebem o nome de livros de marinharia.... um livro de marinharia é sempre uma obra de compilação em que o piloto, um marinheiro ou um simples curioso reuniu textos que considerou de importância para o exercício da sua profissão ou de interesse puramente informativo e documental" ( O livro de marinharia de Pero Vaz Fragoso, 1977, pp.5-6).

Centenas de colegas e amigos colaboraram nos estudos de homenagem com trabalhos científicos ou depoimentos. Estes últimos deixaram clara imagem da marca que Luís de Albuquerque deixou naqueles que tiveram o privilégio de com ele se cruzar nos caminhos da vida. Os adjectivos sucederam-se, mas, em vez de os reproduzir ou querer acrescentar mais alguns, se tal fosse possível, será mais adequado reproduzir o testemunho - simples, no mais elevado sentido do termo, como simples, no mesmo sentido, foi quem o mereceu - de um seu colega da Universidade: “A imagem que guardo deste notável professor da Universidade de Coimbra é a de um homem simples, que fez grandes coisas com a naturalidade dos espíritos superiores, que trabalham como se se limitassem a cumprir a simples obrigação de serem grandes” (Manuel de Oliveira Pulquério).
Biblliografia activa: ALBUQUERQUE, Luís de, As navegações e as origens da mentalidade científica”, in António José Saraiva, História da Cultura em Portugal, vol. II, Lisboa, Jornal do Fôro, 1955, pp. 369-507; Introdução à História dos Descobrimentos, Sep. de Vértice, nos 169-182, Coimbra, 1959. (reedição 1962 e reedição revista 1983; posteriormente reimpresso); Os almanaques portugueses de Madrid, Coimbra, Junta de Investigações do Ultramar – Agrupamento de Estudos de Cartografia Antiga, Separata II, 1961; Estudos de História, 6 vols., Coimbra, Acta Universitatis Conimbrigensis, 1974-1978; O livro de marinharia de Pero Vaz Fragoso, Lisboa, Junta de Investigações Científicas do Ultramar – Centro de Estudos de Cartografia Antiga, Separata C, 1977; Ciência e Experiência nos Descobrimentos Portugueses, Lisboa, Instituto de Cultura e Língua Portuguesa, 1983; Os Descobrimentos Portugueses, Lisboa, Publicações Alfa, 1985; Dúvidas e Certezas na História dos Descobrimentos Portugueses, 2 vols., Lisboa, Veja, 1990-91. ALBUQUERQUE, Luís de, Historia de la Navigación Portuguesa, Madrid, Editorial MAPFRE, Colecciones MAPFRE 1492 IX/1, 1992; (dir. de), Dicionário de História dos Descobrimentos Portugueses, 2 vols., Lisboa, Círculo de Leitores - Editorial Caminho, 1994.

Bibliografia passiva: Academia de Marinha, Homenagem ao Prof. Dr. Luís de Albuquerque, Lisboa, 1987; Academia de Marinha, Sessão de Homenagem ao Prof. Doutor Luís Mendonça de Albuquerque. 29 de Abril de 1992, Lisboa, 1992; CASTRO, Armando de, "Luís de Albuquerque e a História da Expansão Ultramarina Portuguesa e Espanhola", Ler História, no 24, 1993, pp. 87-91; DOMINGUES, Francisco Contente, “Forty years of nautical science”, in Arte de Navegar | Nautical Science 1400-1800, ed. de António Costa Canas, Coimbra, Departamento de Matemática da Universidade de Coimbra, 2014, pp. 9-13; DOMINGUES, Francisco Contente, BARRETO, Luís Filipe, A Abertura do Mundo. Estudos de História dos Descobrimentos Europeus em Homenagem a Luís de Albuquerque, 2 vols., Lisboa, Editorial Presença, 1986-87; GRÁCIO, Rui, “História da História da Educação em Portugal: 1945-1978”, Cultura. História e Filosofia, vol. II, 1983, pp. 135-184; LOPES, Maria Nazaré Mendes, “Luís de Albuquerque – Matemático e Professor”, in Memórias, Vol. XLVII, Lisboa, Academia de Marinha, 2017, pp. 131-139; Luís de Albuquerque Historiador e Matemático. Homenagem de Amizade a um Homem de Ciência, Lisboa, Chaves Ferreira Publicações, 1998; Luís de Albuquerque. O Homem e a Obra [Catálogo da Exposição], coord. Isabel Pereira, Figueira da Foz, Câmara Municipal - Serviços Culturais, 1993; PROVIDÊNCIA, Natália Bebiano da, Luís de Albuquerque. Um cientista português, Lisboa, Gradiva, 2017.
Francisco Contente Domingues


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