Júlio Jesus, O pintor Jean Pillement, Lisboa, 1933

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Jean-Baptiste Pillement (1728-1808)

Pintor-decorador francês nascido em Lyon em 1728, descendente de várias gerações de pintores e revelando, desde muito cedo, uma grande habilidade para o desenho. Ainda jovem, foi discípulo de Daniel Sarrabat II, formado em Roma, mas afastou-se do classicismo barroco do seu mestre para abraçar maioritariamente temáticas paisagísticas, sobretudo marinhas e pastorais.

O seu primeiro ofício foi como desenhador de tecidos de seda e tapeçarias na Royale Manufacture des Gobelins e, poucos anos depois, iniciou uma longa e produtiva deambulação pela Europa, com início em Madrid, seguindo-se Portugal, onde foi estante por três vezes, para além de Londres (onde ficou conhecido por Jean Pilman), Paris, Turim, Milão, Roma, Viena de Áustria e Varsóvia, executando inúmeros desenhos, pinturas de cavalete, tectos e painéis murais, a par algumas gravuras em água-forte, que lhe valeram sempre os mais rasgados elogios, títulos e mercês régias nas Cortes por onde passou, e foram reproduzidas em grande quantidade por meio de gravuras e estampas.

A sua primeira estada no nosso país data do reinado de D. José, c. 1750, trabalhando como pintor e debuxador na Real Fábrica das Sedas e executando pinturas para coleccionadores particulares, como o Secretário de Estado Diogo de Mendonça Corte-Real, com palácio na Junqueira, que o encarregou de várias obras.

Após ter saído em 1754 ou 1755, por causa de uma denúncia à Inquisição, e ter estado em Londres, onde desenvolveu o gosto e a técnica do paisagismo e dos motivos ornamentais, seguido de França, Itália e Polónia, parece ter aqui voltado em 1766, por pouco tempo, e, de novo, entre 1780 e 1786, residindo primeiro no Porto, onde abriu uma escola particular dedicada ao ensino de Desenho, que Vieira Portuense frequentou. Posteriormente veio para Lisboa onde teve uma produção intensa e variada, realizando trabalhos para a Rainha D. Maria I em 1783.

A pintura que Pillement executou em Portugal versou sobretudo os motivos paisagistas, com uma vertente naturalista muito marcada e diversificada, imaginativa e de carácter aristocrático, com influências de Watteau e Fragonard. Nela revela um desenho de grande espontaneidade, sentimento e qualidade, utilizando as técnicas de óleo, guache, aguarela e pastel, numa paleta cromática alegre e contrastante, o que lhe valeu o epíteto do maior paisagista do seu tempo, o mesmo tempo que se dedicou à decoração de interiores, pintura mural e de tectos, ornamentação de mobiliário e tecidos e, até, botões de marfim pintados com miniaturas.

De realçar os motivos chinoiseries que elaborou, de forma requintada e cheios de pormenores com uma multiplicidade de motivos, as pinturas decorativas de dois gabinetes no Palácio de Gérard Devisme em Benfica, as pinturas dos tectos do Palácio Fronteira, os frescos de uma sala do Palácio de Seteais e de uma sala de Jantar do Palácio Ramalhão, em Sintra. Nas salas do Corpo Diplomático do Palácio da Ajuda executou as pinturas do mobiliário que veio a ser colocado nos camarotes reais da nau que levou a Corte para o Brasil

No final da sua estada em Portugal fez um sorteio de pinturas a óleo e pastel, tal como já fizera em Londres em 1779, e, em seguida, partiu para Espanha. Em 1797 retirou-se para a sua cidade natal onde se dedicou à ilustração de livros e deu lições particulares para seu sustento, vindo a falecer em 1808. 


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