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//Novidades// Antropologia

José Redinha, Álbum etnográfico, CITA, Luanda, 1971

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José Redinha, (1905-1983)

Etnógrafo e funcionário da administração colonial portuguesa em Angola. Não teve formação universitária durante a juventude e trabalhou como funcionário no Posto Administrativo do governo colonial português na localidade de Chitato (Angola). Em 1936, foi contratado pela Companhia de Diamantes de Angola (Diamang) para participar da fundação do Museu do Dundo, do qual se tornou conservador em 1942, devido ao seu conhecimento das línguas nativas, à sua intimidade com chefes políticos locais e às suas habilidades para o desenho e o retrato. Entre 1936 e 1946, participou de diversas expedições etnográficas em regiões habitadas por populações lundas e chokwes, com o intuito de recolher objetos e informações etnográficas para o acervo do museu. Referindo-se à falta de preparação teórica da equipe, afirmou sobre essas expedições: “a tarefa exigia, em bloco, ser viajante, etnógrafo, arqueólogo, naturalista, angariador, e até ‘cientista’; e, por isso, fomos todas essas coisas, porque a missão o exigia, sem que fôssemos, afinal, nenhuma delas.” Segundo Patrícia de Matos, carecendo de formação teórica, Redinha “teve como referência o método de trabalho etnográfico de exploradores como Emil Torday, Léo Frobenius e Livingstone, assim como Serpa Pinto, Capelo e Ivens e Henrique de Carvalho[...], que incluía o levantamento geográfico e humano dos territórios e a recolha de objetos etnográficos.” Em 1945, foi enviado a Portugal para cursar Etnografia na Faculdade de Letras de Lisboa sob orientação de Manuel Heleno, tendo realizado ainda um estágio no Museu Nacional de Arqueologia. Abandonou o Museu do Dundo em 1959, tornando-se um dos membros fundadores da Seção de Etnografia do Instituto de Investigação Científica de Angola e um colaborador do Museu de Angola. Sua obra é composta por uma vasta produção etnográfica a respeito de diversos aspectos das culturas angolanas, sintetizados em Etnias e culturas de Angola (1975). Durante suas viagens, também registrou em numerosas fotografias e desenhos as populações que estudou. Do ponto de vista de Osório de Oliveira, seu trabalho como curador do Museu do Dundo constituiu um “arranjo imperfeito, pois algumas vezes atendeu-se mais ao sentido decorativo do que ao rigor científico e à função cultural”.


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