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José Acúrsio das Neves, Noções históricas, económicas e administrativas sobre a producção, e manufactura das sedas em Portugal e particularmente sobre a real fábrica do subúrbio do Rato e suas annexas, Lisboa, 1827

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Luxuosamente encadernado, in. 8º; Em perfeito estado de conservação.

 

José Acúrsio das Neves

Filho de António das Neves, bacharel em Cânones, e de Josefa da Conceição, foi magistrado, político, escritor e intelectual de elevada craveira, pode ser considerado um dos mais notáveis vultos da vida portuguesa de finais do Antigo Regime e uma das figuras proeminentes do pensamento económico em Portugal. Estudou em Coimbra (1782-1787) e depois de ler na Mesa do Desembargo do Paço, iniciou a sua carreira como magistrado. Nomeado juiz de fora de Angra (1795-1799), foi depois nomeado corregedor da comarca angrense (1799-1802), ofício que exerceu em vincada clivagem com o então capitão-general, o conde de Almada. Durante a sua estada na Terceira, José Acúrsio das Neves casou com D. Delfina Maria das Neves, viúva de um seu tio.

 

Os textos mais teóricos e de cariz mais reformista de José Acúrsio das Neves espelham a sua admiração por Colbert e pelo marquês de Pombal, com a defesa do fomento das actividades económicas. Esta matriz está presente em alguns dos textos administrativos produzidos por José Acúrsio das Neves durante a sua estadia nos Açores, assim como a ordem de Polícia e outros conceitos que encontramos em obras da tratadística política e do memorialismo económico da época. O magistrado procurou ganhar os favores do Ministro e Secretário de Estado da Marinha e Domínios Ultramarinos, D. Rodrigo de Sousa Coutinho, redigindo, talvez em 1798, uma Memória Geográfica, Política, Económica da Ilha Terceira, hoje desaparecida. Deste período (1800) data igualmente outro texto importante, a Memória Económico-Política sobre a liberdade do comércio dos grãos com a sua aplicação às Ilhas dos Açores, opúsculo no qual José Acúrsio das Neves defendeu uma perspectiva liberal da economia, nomeadamente a livre exportação dos cereais. 

 

José Acúrsio das Neves regressou a Lisboa a 10 de Outubro de 1807. Em 1810, foi nomeado deputado da Real Junta do Comércio, Agricultura, Fábricas e Navegações, servindo igualmente como director da Real Fábrica das Sedas e desembargador da Relação do Porto. Em 1814 e 1817, publicou as suas Variedades sobre Objectos Relativos às Artes, Comércio e Manufacturas, Consideradas Segundo os Princípios da Economia Política, estudo citado por João da Rocha Ribeiro, um importante e informado homem de negócios da praça de Angra, em representação de 25 de Junho de 1817, na qual o negociante terceirense defendeu os princípios do livre-cambismo recorrendo a José Acúrsio das Neves, que defendia a liberdade de comércio inclusivamente como solução para prevenir as fomes. 

 

Depois de 1820, José Acúrsio das Neves afirmou-se como politicamente conservador, opondo-se ao vintismo. Com um percurso político agitado, foi partidário convicto de D. Miguel, enquanto que, em matérias económicas, continuou a pautar-se pelos princípios da liberdade de comércio. Em 1833, abandonou Lisboa e a política, mas continuou partidário da causa miguelista. Em 1834, foi encontrado morto num palheiro, que servia de refúgio aos partidários de D. Miguel. 

 

Bibliografia:

ALMODOVAR, António (s. d.), O pensamento político-económico de José Acúrsio das Neves: uma proposta de leitura in Obras Completas de José Acúrsio das Neves, 1: História Geral da Invasão dos Franceses em Portugal e da Restauração deste Reino, Tomos I e II, Porto, Edições Afrontamento, s. d., pp. 15-60. CASTRO, Armando de, José Acúrsio das Neves, um doutrinador da sua época historicamente atrasado in Obras Completas de José Acúrsio das Neves, 1: História Geral da Invasão dos Franceses em Portugal e da Restauração deste Reino, Tomos I e II, Porto, Edições Afrontamento, s. d., pp. 61-136. RODRIGUES, José Damião, Percursos de um magistrado nos Açores: a etapa açoriana de José Acúrsio das Neves in O Liberalismo nos Açores: do Vintismo à Regeneração. O Tempo de Teotónio de Ornelas Bruges (1807-1870), Angra do Heroísmo, Instituto Açoriano de Cultura, 2008, pp. 147-160. 

 

Autor: José Damião Rodrigues


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