Jorge Dias, Vilarinho da Furna, uma aldeia comunitária, nota preliminar de Orlando Ribeiro, cancioneiro Margot Dias, desenhos de Fernando Galhano, INCM, Lisboa, 1981

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Jorge Dias

Etnólogo português, António Jorge Dias nasceu a 31 de julho de 1907, no Porto, e faleceu a 5 de fevereiro de1973, em Lisboa. Foi uma das figuras que mais contribuiu para o progresso dos estudos etnográficos, tendo sido a figura dominante da Antropologia em Portugal. Licenciou-se em Filologia Germânica na Universidade de Coimbra e doutorou-se em Etnologia na Alemanha, mais concretamente em Munique. Em 1947 criou o Centro deEstudos de Etnologia na Universidade do Porto. Foi diretor da secção de Etnografia do Centro de Estudos de Etnologia Peninsular e um dos mais importantes impulsionadores do Atlas Etnográfico de Portugal. Neste centro, e mais tarde no Centro de Estudos de Antropologia Cultural e no Museu de Etnologia do Ultramar, que ajudou a criar em 1965 e que é hoje o Museu de Etnologia de Lisboa, Jorge Dias constituiu e dinamizou umas equipa de investigadores que tiveram um papel decisivo no desenvolvimento da Etnologia emPortugal. Foi ainda professor nas faculdades de Letras de Coimbra, Porto e Lisboa e fez parte do corpo redatorial da Revista Ethnologica Europea. Autor eclético, sofreu influências das diversas correntes teóricas que reinavam na época tais como cultura e personalidade,  evolucionismo,  difusionismo, particularismo histórico e  estrutural-funcionalismo. Esta última, a par do difusionismo, terão sido, contudo, as perspetivas teóricas que mais marcaram o seu percurso científico. Durante a sua fecunda carreira científica escreveu e publicou mais de uma centena e meia de artigos e obras sobre Etnologia e Antropologia.

 

Margot Dias (Nuremberga, 4.06.1908 - Oeiras, 2003), de seu nome de solteira: Margot Schmidt), nacionalidade alemã, nasceu a 4 de Junho em 1908 em Nuremberga, onde seu pai era Braumeister numa fábrica de cerveja. Foi em 1940, no início da guerra, que Margot Schmidt, uma pianista com uma carreira promissora à sua frente - obteve o diploma do Curso Superior de Música da Academia Nacional de Música em Munique-, conheceu António Jorge Dias, que na altura assegurava o leitorado de cultura portuguesa na universidade dessa cidade alemã. Casaram-se no ano seguinte, tiveram o primeiro de três filhos e decidiram viver em Portugal. Margot Dias trocou a Alemanha por Portugal e o piano pela investigação científica. O seu trabalho foi pioneiro na área da etnomusicologia, do estudo da cultura material e do parentesco. Com Jorge Dias e o grupo por ele formado, que incluía Fernando Galhano, Ernesto Veiga de Oliveira e Benjamim Pereira, constituíram uma equipa de trabalho que, num escasso período de tempo, revolucionou os estudos etnológicos e antropológicos em Portugal. Ainda no início da década de quarenta, Margot Dias ocupou-se do cancioneiro que integra a obra de Jorge Dias sobre Vilarinho das Furnas (uma aldeia da serra do Gerês, no Minho, que seria mais tarde sepultada pelas águas do rio Homem), e que veio a constituir a tese de doutoramento em Etnologia do marido, apresentada em 1944 na Universidade de Munique. A partir daí, foi a companheira infatigável de vida e de trabalho deste antropólogo, enveredando por uma carreira ao seu lado, na área da investigação etnológica e etnomusicológica. Em 1947, Jorge Dias integra o Centro de Estudos de Etnologia Peninsular, então sediado no Porto. Entre 1957 e 1962, o casal Dias, juntamente com Manuel Viegas Guerreiro, integra a Missão de Estudos das Minorias Étnicas do Ultramar Português, e realiza trabalho de terreno em Moçambique, do qual resultaria a publicação dos quatro volumes de Os Macondes de Moçambique. Margot Dias ocupou-se dos estudos relativos ao parentesco e à cestaria, completando um trabalho pioneiro em Portugal no tocante a estas matérias.

Em l962, Jorge Dias criou o Centro de Estudos de Antropologia Cultural, actual Centro de Antropologia Cultural e Social do Instituto de Investigação Científica Tropical, que, extinta a Missão das Minorias Étnicas, passou a herdeiro dos materiais nela recolhidos, sendo um dos objectivos deste centro a organização de um museu de etnologia. A partir daqui, o casal Dias e os seus companheiros conseguem, graças a uma grande unidade e espírito de equipa, disciplina rigorosa e amor ao trabalho, proceder a uma exaustiva investigação de terreno em Portugal, da qual resultaram mais de uma dezena de obras publicadas, bem como as recolhas que constituíram o acervo do Museu de Etnologia do Ultramar, às quais se juntaram os objectos oriundos da missão e os que viriam a ser recolhidos noutros contextos etnográficos por Vítor Bandeira e demais colaboradores.

Margot Dias morreu em Oeiras, aos 93 anos.

 


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