Ir para o conteúdo
Estimados clientes. Encontramos-nos encerrados de 25 de novembro a 6 de dezembro. Qualquer assunto só será tratado após esta data. Gratos pela compreensão.

Livros invulgares Literatura portuguesa

Dias, João Pedro Grabato, As Quibíricas: poema éthyco em outavas. Lourenço Marques: Tempográfica, 1972

120 € Adicionar
Acresce o valor do transporte pelos CTT (de acordo com as tabelas em vigor para o correio registado ou não registado). Enviar email para informação de envio por correio.

Peça de coleção. Edição original. 

"Que corre como sendo de Luiz Vaaz de Camões em suspeitíssima athribuiçon Frey Ioannes Garabatus. Impressas em Moçambique, com rial privilégio de Jorge de Sena: em casa de Tempo Impressor. 1972."

João Pedro Grabato Dias/ António Quadros na Revista Caliban. 

 

João Pedro Grabato Dias, Viseu, 1933 - Viseu, 1994

João Pedro Grabato Dias é o poeta de «voz singular ulcerada e mitológica, ensimesmada, onírica, ironicamente realista, brutal, descabelada, ardentemente bizarra, reveladora de um mundo fantasmagórico e quase demasiado verdadeiro, traduzido por uma extraordinária 'fauna léxica' que a um tempo nos subjuga e desorienta...» (Eugénio Lisboa) que habita o corpo do pintor e escultor António Quadros, professor da Faculdade de Arquitectura do Porto e pela mesma doutorado, de seu nome todo António Augusto Melo de Lucena e Quadros.

A coincidência não é pacífica, pois que pintor e poeta sempre a recusaram, tendo este último chegado mesmo ao ponto de juntar aos seus versos uma biografia bem divergente da do cidadão Quadros. Aliás, em antiga polémica com um poeta homónimo, o pintor salientara já que Quadros é que estava bem para pintor, aconselhando o seu homónimo, porque poeta, a assinar Quadras. Há portanto que tratar como personagens diferentes o pintor e o poeta, posto que, por comodidade e uso legal já antigo se tenham de meter os dois no mesmo saco, quer dizer na mesma entrada.

Assim, o doutor António Augusto Melo de Lucena e Quadros, António Quadros quando pintor e escultor, João Pedro Grabato Dias quando editor de poesia ou poeta, uma vez até e nesta última qualidade Mutimati Barnabé João, nasceu em Viseu em 1933 e diplomou-se em pintura na Escola de Belas Artes de Lisboa, onde chegou a exercer actividade docente. Em 1958 e 1959 estudou gravura e pintura a fresco na Escola de Belas Artes de Paris, como bolseiro. E no início dos anos sessenta foi para Moçambique, onde exerceu funções docentes na Escola Técnica de Lourenço Marques e, depois, na Universidade Eduardo Mondlane, ao longo de vinte e cinco anos. Foi ali, exactamente em 1968, que se revelou o poeta João Pedro Grabato Dias que, aliás, se diz: «Nascido em Inhaminga (Moçambique). Mestiço de hindustano, celta, judeu e com prováveis avós nos Concheiros de Muge.»

Revelação do «Prémio Literário de Poesia da Câmara Municipal de Lourenço Marques», que ganhou e nunca se apresentaria a receber, estreou-se em livro em 1970 com 40 e Tal Sonetos de Amor e Circunstância e Uma Canção Desesperada, que logo teria grande acolhimento de leitores e críticos. Publicaria ainda com igual sucesso outros livros até que, em 1972, se apresentou como «editor» do longo e espantoso poema em dez cantos As Quybyrycas Poema Éthyco em Ovtavas que Corre Como Sendo de Luis Vaaz de Camões em Suspeitíssima Athribuiçon de Frey Ioannes Garabatus, um pretenso seu antepassado.

Grabato Dias foi também co-editor e co-director, com Rui Knopfli, dos cadernos de poesia Caliban (1971-1972).

Em 1975, com a independência de Moçambique a comemorar-se, o poeta João Pedro Grabato Dias fez publicar, com o pseudónimo de Mutimati Barnabé João («Mutimati é a voz individual que corporiza a voz colectiva», diz o autor, posto que, na realidade Mutimati fosse o nome do seu criado, Barnabé o do seu gato e João o do seu filho), uma colectânea de poemas sob o título de Eu o Povo, onde são assumidos de forma genial e algo pérfida todos os mitos do movimento político e militar vitorioso.

Em 1985, ainda em Moçambique, João Pedro Grabato Dias publicaria numa primeira edição que afirma ter sido apenas de três exemplares, o livro Facto-Fado: Piqueno Manual de Morfologia dedicado «A Cesário, o verde/Alexandre anil/José Furtacor/poetas/de acto e facto».

Tendo regressado a Portugal em meados da década de oitenta, António Quadros doutorou-se em 1987, em Arquitectura, pela Escola Superior de Belas Artes do Porto, onde então já era docente. Quanto ao poeta Grabato Dias, tem anunciados alguns livros que, em prejuizo da poesia portuguesa, continuam inéditos.
in Dicionário Cronológico de Autores Portugueses, Vol. VI, Lisboa, 1999


Scroll to Top