D. Jerónimo Osório, Cartas portuguesas, Paris, 1818

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D. Jerónimo Osório, natural de Lisboa, filho primogénito de João Osório da Fonseca, Ouvidor geral que foi da Índia, nos primeiros anos depois da. conquista.-Frequentou com grande aproveitamento as Universidades de Salamanca, Paris e Bolonha, e mereceu por suas obras latinas ser honrosamente cognominado o Cícero português. Foi Secretario particular do infante D. Luis, e Mestre de D. Antonio, prior do Crato; Prior das freguesias de Santa Maria de Tavares e S. Salvador de Travanca, no bispado de Viseu; Arcediago do bago da cathedral de Évora, de que tomou posse a 30 de Março de 1560, e nomeado Bispo de Silves em 1564, cuja cathedral se transferiu no seu tempo para Faro em 1577. Morreu em Tavira a 20 de Agosto de :f.580, com 74 anos de idade, se devemos estar pelas contas de Barbosa, que todavia parece haver padecido algumas equivocações n'esta parte, a ponto de serem inconciliáveis entre si as datas da primeira quadra da vida d'este insigne varão, e doutíssimo prelado.

Para a sua biografia vej. além de outras, a notícia que de sua vida e escritos dá o bispo de Viseu D. Francisco Alexandre Lobo nas Obras tomo I, pag. 293 a 301. Noto porém, que aí se dêem ainda como inéditas as Cartas de Osório em linguagem, de que a esse tempo havia já as duas edições abaixo mencionadas, pois que a noticia é indubitavelmente escrita depois de 1820.

As obras de D. Jerónimo Osório, em que se fundamentou a. sua fama de escritor, e pelas quais é geralmente conhecido e apreciado no mundo literário, são todas na língua latina. Quem quiser ver os títulos parciais de cada uma, pode recorrer à Bibl. Lus. tomo II pp. 514 a 516, onde as achará descritas miudamente.

Deles se fez uma colecção por diligência de seu sobrinho, chamado também Jerónimo Osório, cónego da Sé de Évora, que as imprimiu reunidas em quatro tomos de fólio, Romae, apud Bartholomaeum Bonfadini 1592. A maior parte haviam sido já publicadas em separado durante a vida de seu ilustre autor; e alguns tratados mais notáveis foram modernamente reimpressos em Coimbra, na Imp. da Univ. 1791 a 1794. 8º 10 tomos. (V. neste Dicionário tomo II, n.º 341)

Acerca da sua famosa obra De rebus Emmanuelis, traduzida por Filinto Elisio, vej. também no Dicionário, dito vol., o n.° F, 1354.

As únicas composições portuguesas que dele possuímos impressas, e que no sentir dos críticos são manifesto argumento do sumo grau de perfeição com que soube manejar apropria lingua (como diz o P. Francisco José Freire nas suas Refexões parte lª, pág. 12) são apenas cinco cartas políticas, de que Barbosa faz menção no tomo II da Bibl., e que já no século corrente sairam à luz em colecção, quase ao mesmo tempo e por dois editores diversos, a saber:

174) Obras inéditas de D. Hieronymo Osorio, bispo de Silves no Algarve, precioso ornamento do seu século. Dedicadas ao muito alto e poderoso senhor D. João VI, etc. por Antonio Lourenço Caminha. Lisboa, na Imp. Regia 1818. 8.º  de xLIV-217 pág.

Cartas portuguezas de D. Hieronymo Osorio, bispo de Silves, publicadas e ao ill.mo e ex.mo sr. Conde de Palmela oferecidas, por Veríssimo Álvares da Silva, com as reflexões críticas e filosóficas, que sobre ellas fez seu defunto pai José Veríssimo Álvares da Silva, etc. Paris, na Offic. de P. N. Rougeron. 1819. 12-º. gr. de xlvii-79 pág., e mais uma no fim com as erratas.

A primeiro, segunda e quinta cartas d'esta colecção já tinham sido impressas pelo sobredito A. L. Caminha em 1807, juntamente com as Ordenações da Índia do senhor rei D. Manuel, copiadas segundo ele diz de um papel manuscrito, que possuiu o Marquez de Angeja. Sendo para estranhar, que nem ele, nem Álvares da Silva tivessem conhecimento de que essas mesmas três cartas andavam já publicadas desde 1747 por Diogo Barbosa Machado no III tomo das suas Memórias d'el-rei D. Sebastião, a págs. 215, 266 e 607; e que não as conheceram prova-se pelo facto de estarem elas ahi muito mais correctas do que em qualquer das edições deles ditos Caminha, e Álvares da Silva, que sobre infinitas variantes as apresentam até mutiladas com períodos inteiros, como o leitor poderá ver, fazendo a devida confrontação.

Os que se interessam nos estudos filológicos podem consultar com proveito a respeito destas edições, e do seu mérito, a memória de Cândido José Xavier inserta no tomo iv dos Annaes das Sciencias, das Artes, e das Letras., pag. :139 a 160; e nos mesmos Annaes o tomo v, parte I, pag. 146 a 148.

Alguns atribuem também a D. Jeronymo Osorio, e talvez com razão, a tradução publicada anónima dos Decretos e determinações do Sagrado Concilio Tridentino, feita por mandado do cardeal D. Henrique, e impressa em Lisboa e Coimbra em 1564.-. (V. no Dicionário, tomo II, o n.° C, 41) Acerca da asserção que algures aventara à pouco um nosso escritor moderno, da qual os menos lidos nas cousas patrias :poderiam deduzir a errada preocupação de que existissem em português escritos de maior polpa do bispo Osório, e tais que a sua celebridade convidasse os sábios estrangeiros a empreenderem o afanoso estudo do nosso idioma, só para os ler no original, veja-se o que a outro propósito, e incidentemente tive ocasião de dizer no tomo II, n.° F, 1466.

In: Inocêncio, tomo III, pp. 272-273


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