Correia da Serra (org.), Colecção de livros inéditos da história portuguesa dos reinados de D. Affonso V, a D. João II...etc., Lisboa, Academia Real das Sciencias, 1790-1824

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Raro conjunto de 5 tomos; todos os exemplares são da 1.ª edição.

José Correia da Serra, 1750-1823, (editor literário.)

Mateus de Pisano, 1385-14--

Rui de Pina, 1440?-1522?

Gomes Eanes de Zurara, ca. 1410-ca. 1474

Fernão Lopes, 1380?-1460

Cristovão Rodrigues Acenheiro, 1474-1538

Francisco Manuel Trigoso de Aragão Mourato, 1777-1838

Collecção de livros ineditos da historia portuguesa dos reinados de D. Affonso V, a D. João II..., org. por José Correa da Serra, Lisboa, Academia Real das Sciencias, 1790-1793. - 3 v.

Collecção de livros ineditos de historia portuguesa dos reinados de D. Dinis, D. Affonso IV, D.Pero I e D. Fernando..., publicados por ordem da Academia Real das Sciencias, pela comissão de história da mesma academia, 1816-1824. - 2 v.

Tomo I: Livro da Guerra de Ceuta / escrito por Mestre Mattheus de Pisano em 1460 ; Chronica do Senhor Rey D. Duarte / escrita por Ruy de Pina ... ; Chronica do Senhor Rey D. Affonso V / escrita por Ruy de Pina ... - XI, [1 br.], 626, [2] p. - Tomo II: Chronica d'el Rey D. Joaõ II / escrita por Ruy de Pina ... ; Chronica do Conde Dom Pedro de Menezes / escrita por Gomes Eannes de Zurara ... - 1792. - [6], 635, [1 br., 3, 1 br.] p. - Tomo III: Chronica do Conde D. Duarte de Menezes / de Ruy de Pina ; Livro Vermelho do Senhor Rey D. Affonso V ; Fragmentos de Legislaçaõ Portugueza, extrahidos do Livro das Posses da Casa da Supplicaçaõ. - 1793. - [4], 615, [3 br., 4] p., [2] folhas de est. - Tomo IV: Chronica do Senhor Rei D. Pedro I, oitavo rei de Portugal / por Fernão Lopes ; Chronica do Senhor Rei D. Fernando, nono rei de Portugal / pelo mesmo Autor ; Foros antigos dos concelhos de Santarem, S. Martinho de Mouros, Torres Novas. - 1816. - [4], 7, [1 br., 1, 1 br.], VII-XXXVII, [1], 641, [1 br., 4] p. - Tomo V: Chronicas dos Senhores Reis de Portugal / por Christovão Rodrigues Acenheiro ; Foros antigos dos concelhos de Gravão, Guarda, e Béja. E descripção do terreno em roda da cidade de Lamego. - [8], 621, [1, 1 br.] p.

Coleçcão iniciada pelo Abade Correa da Serra

«José Francisco Correia da Serra, (mais conhecido pela denominação franceza de Abbade Corrêa), Presbytero Secular, Fidalgo da Casa Real, do Conselho de Sua Magestade, Conselheiro da Fazenda, Commendador da Ordem de N. S. da Conceição, Cavalleiro da de Christo, Doutor em Direito Canonico pela Universidade de Roma; Conselheiro de Legação e Agente diplomatico em Londres, Ministro plenipotenciario de Portugal junto ao Governo dos Estados-Unidos; Deputado ás Côrtes ordinarias em 1822; Socio fundador, e Secretario perpetuo da Academia Real das Sciencias de Lisboa; Sócio da Sociedade Real de Londres, da Linneana e da dos Antiquários da mesma cidade; Membro correspondente do Instituto de França, da Sociedade Philomática de Paris; das Academias de Turim, Florença, Bordeaux, Lião, Marselha, Liege, Sena, Mantua e Cortona; e das Sociedades Reaes da Agricultura do Piemonte, e da Toscana; e da Económica de Valença etc.- N. na villa de Serpa, na província do Alemtejo a 6 de Junho de 1750, sendo filho do bacharel em medicina Luis Dias Corrêa, e de sua mulher D. Francisca Luisa da Serra.- Passou com seus paes para a Italia em 1756, e foi educado em Roma, dizem que sob os auspicios do duque de Lafões D. João de Bragança; alli recebeu a ordem de presbytero em 1775. Regressando a Portugal por via de Hespanha, entrou n’este reino por Mertola com a sua familia em 29 de Março de 1777, havendo erro da parte dos que o suppuzeram recolhido na companhia do seu protector, cuja chegada parece que só se realisára algum tempo depois. Honrado com o favor e confiança do duque, e assistindo com elle no proprio palacio, traçou José Corrêa da Serra os fundamentos e organisação da Academia Real das Sciencias de Lisboa, sendo approvados os respectivos estatutos por aviso regio de 24 de Dezembro de 1779. Erradamente se persuadem alguns de que fôra elle o primeiro secretario d’esta sociedade; quando é certo que succedêra n’este cargo ao Visconde de Barbacena, que o deixou, ao que eu presumo, pelo motivo de sua nomeação para o de governador da capitania de Minasgeraes. 

Duas vezes teve Corrêa da Serra de abandonar a patria, para subtrahir-se ás perseguições de invejosos ou adversarios. Da primeira, que parece haver tido logar em 1786, resta um testemunho irrecusavel no soneto que lhe dirigiu Domingos Maximiano Torres (e o LXVIII no volume dos Versos d’este poeta, impressos em 1791). Da segunda em 1797, falam mais extensamente todos os seus biographos. Em Londres, para onde fôra, recebeu a nomeação de conselheiro da Legação Portugueza, por decreto de 18 de Abril de 1801; porém foi em breve destituido, ao que se diz, por intrigas do embaixador portuguez n’aquella côrte; e n’esse mesmo anno, ou no seguinte, se transferiu para Paris, onde prolongou a sua residência até 1813. Sahiu de lá para os Estados-Unidos, vivendo em principio como particular; e professando depois em Philadelphia um curso de botânica, até que el-rei D. João VI, ainda príncipe regente, o nomeou em 31 de Janeiro de 1816 seu ministro plenipotenciario junto ao governo da republica. N’este cargo prestou o importante serviço que se colhe da Gazeta extraordinária do Rio de Janeiro, n.o 2, do 1.o de Maio de 1817. Foi nomeado conselheiro da Fazenda em 1819, e agraciado com a commenda da Ordem da Conceição em 28 de Maio do mesmo anno, tendo-o já sido com o habito de Christo em 6 de Agosto de 1807.- Em Agosto de 1821 restituiu-se a Lisboa, achando- se pouco depois novamente eleito secretario da Academia, e no anno seguinte deputado ás Côrtes ordinarias, nas quaes tomou assento, pelo circulo eleitoral de Beja. Foram estas as ultimas funcções publicas que desempenhou. Enfermo de diabetes, e aggravando-se-lhe de dia para dia os symptomas d’este importuno e incurável padecimento, appellou em ultimo recurso, e por conselho de peritos para o uso dos banhos das Caldas da Rainha: mas em vez do alivio que esperava viu chegado o termo fatal, expirando na mesma villa das Caldas a 11 de Setembro de 1823, e não em Agosto, como inadvertidamente escapou a alguns dos seus biographos. 

Os elogios não suspeitos que o nosso sábio compatriota recebeu dos estrangeiros, que de mais perto tiveram occasião de conhecer e avaliar a profundidade dos seus conhecimentos nas sciencias naturaes, são outros tantos testemunhos inconcussos da realidade do seu merito, e servem de gloria para a patria que lhe deu o ser. Para o caracterisar como botanico sobeja o conceito que d’elle faz o celebre professor De Candolle na Theorie Elem. de la Botanique, cujas palavras poderá quem quizer ver traduzidas na Revista Universal Lisbonense de 11 de Julho de 1844, n.o 48, artigo 3153. De outros muitos que poderia citar, apontarei com particularidade, por tel-os agora presentes, Balbi no Essai Statistique, tomo II, pag. LIII; Link, Voyage en Portugal, tomo I, pag. 291; e Ferdinand Denis, Resumé de l’Hist. Litt. du Portugal, pag. 506; Sané, Poésie lyrique Portug., na Introduction pag. LXXVIII: recordando-me de ter lido ha annos a seu respeito um artigo na Biographie Universelle, cheio egualmente de expressões honrosas, mas que (seja dito de passagem) deixava muito para desejar no tocante á exactidão de factos e datas, como acontece, salva alguma excepção rarissima, em todas as biographias de portuguezes traçadas por extranhos que, faltos quasi sempre de boas informações, merecem n’esta parte pouca ou nenhuma fé. 

Do que entre nós se escreveu até agora ácerca da vida e feitos de Corrêa da Serra, apontarei: 1.º um artigo biographico assás succinto, que foi inserto no Diario do Povo, n.º 34 de 23 de Dezembro de 1835, e me parece não passa de traducção, ou extracto do artigo da Biopraphie Univ. a que acima alludi. 2.º Outro no Archivo Popular, vol. II (1838), pag. 223, que está pouco mais ou menos nas mesmas circumstancias. 3.o Outro na Collecção de Retratos e biographias das personagens illustres de Portugal, 1840. (Vej. no Diccionário o tomo II n.º C, 358). 4.º O Elogio académico de Corrêa da Serra por Manuel José Maria da Costa e Sá, lido na Academia, e publicado no tomo II, parte 2.ª da segunda serie das respectivas Memórias (1848), de pag. IX a XXV. 5.o Os Apontamentos para a biographia de Corrêa da Serra, insertos na Illustração, jornal universal, tomo II (1846), a pag. 9, continuados a pag. 13, e seguidos de um catalogo das obras do abbade a pag. 43.- Estes apontamentos são tidos por mais exactos e dignos de fé que todos os precedentes, como fundados sobre os que em seu poder conserva o sr. M. B. Lopes Fernandes, havidos da própria mão de D. Maria José, irmã de José Corrêa da Serra. Por elles cumpre rectificar as desconcordancias, e preencher as lacunas que mais ou menos se encontram nas outras biographias. O catalogo dos escriptos extrahido, como lá se diz, da Notice sur la vie et les travaux de Mr. Corrêa da Serra pelo sr Conde do Lavradio (Vej. D. Francisco de Almeida Portugal), memória lida na Sociedade Philomatica de Paris, e inserta nas do Museu da mesma cidade, anno 1824, da qual se tiraram em separado alguns exemplares. 6.º A noticia que sob o titulo Bosquejos biographicos: o Abbade Corrêa da Serra, e Felix Avellar Brotero publicou em 1853 o sr. dr. Rodrigues de Gusmão; é para sentir que este não tivesse presentes para a elaboração do seu consciencioso trabalho os apontamentos já então impressos na Illustração, com os quaes facilmente se premuniria contra as poucas inexactidões, a que o induziram os guias menos fieis que só pôde consultar. 

Na sala das sessões da Academia existe um quadro pintado a oleo, que passa por ser o retrato de Corrêa da Serra: as feições offerecem todavia notavel dessimilhança confrontadas com as de outro retrato da mesma especie, que possue o já dito sr. M. B. Lopes Fernandes; do qual segundo creio, são cópias os que appareceram lithographados, tanto na collecção acima citada, como em outra de similhante genero, porém de menor formato e peior execução artistica, que sahiu em 1843 ou 1844; e bem assim o que precede os apontamentos biographicos na Illustração. 

Passemos á indicação dos escriptos que nos restam de José Corrêa da Serra. Poucos são elles em numero para o que haveria razão de esperar, se não soubessemos pelo testemunho dos que com elle conviveram, que mais affeito a lêr e meditar, que a escrever, só com difficuldade se resolvia a pegar da penna, sacrificando de bom grado á sua indole naturalmente preguiçosa a fama e applausos que poderiam provir-lhe da publicação de suas concepções e estudos. 

3296) On the fructification of the submersed Alge.- Inserto nas Philosophical Transactions, 1796, pag. 494. 

3297) On a submarine forest on the east coast of England.- Philosophical Transactions, 1799, pag. 145. 

3298) On two genera of plants belonging to the natural family of the Aurantia.- Transactions of Linnean Society, vol. V, pag. 218. 

3299) On the Doryanthes a new genus of plante from New-Holland next akin to the Agave.- Transactions of Linnean Society, vol. VI, pag. 218. 

3300) Observations sur la famille des orangers, et sur les limites qui la circonscrivent.- Annales du Muséum, vol. VI, pag. 317. 

174. 

3301) Memoire sur la germination du nelumbo.- Annales du Muséum, vol XIV, pag. 

3302) Observations carpologigues. - Annales du Muséum, vol. VIII, pag. IX, e X. 

3303) Memoire sur la valeur du périsperme, consideré comme caractère d’affinités des plantes.- Bulletin de la Societé Philomatique, vol. XI, pag. 350. 

3304) De l’etat des Sciences, et des lettres en Portugal, à la fin du dixhuitième siècle.- Sahiu nos Archives litteraires de l’Europe, vol I (1804), pag. 63.- Anda reproduzida textualmente no Essai Statistique de Balbi, tomo II, pag. cccxxxiij a ccclviij; - e traduzida em portuguez por Francisco Freire de Carvalho no seu Ensaio sobre a Historia Litteraria de Portugal, de pag. 403 a 443. 

3305) Sur l’agriculture des arabes en Espagne.- Nos mesmos Archives Litteraires tomo II, pag. 239 e 404. 

3306) Sur les vrais successeurs des Templiers, et sur leur état actuel.- Nos mesmos Archives tomo VII, pag. 273.- Sahiu traduzida esta memoria na Illustração, jornal universal, tomo II (1846), a pag. 55, 58 e 62. Refere-se á instituição da Ordem de Christo em Portugal. 

3307) Observations and conjectures on the formation and nature of the soil of Kentucky.- Nas Transactions of the American Philosophical Society, Philadelphia 1811. 

3308) Considerations générales sur l’etat passé et futur de l'Europe.- Foi publicada a primeira parte d’este escripto em um periodico de Philadelphia, The American Review, 1812. Da segunda parte, que o auctor parece não concluíra, só se publicou um esboço em um folheto de Mr. Harper ácerca dos negocios da Russia, impresso em 1813. 

3309) Discurso historico, recitado na Academia Real das Sciencias de Lisboa, na sessão publica de 24 de Junho de 1822.- Inserto no tomo VIII, parte 2.ª, das Memorias da Academia (1823), de pag. IV a XIV. 

São também da sua penna as prefações, e introducções antepostas a varias obras ineditas publicadas pela Academia das Sciencias, no tempo em que foi d’ella secretario; a saber: a Vida do infante D. Duarte, por André de Resende (vej. o Diccionario, tomo I, n.º A, 321): - a Collecção de Livros ineditos da Historia Portugueza, tomos I, II e III (Diccionario, tomo II, n.º C, 350): - as Poesias de Pedro de Andrade Caminha, impressas em 1791; etc.- E ultimamente o Discurso preliminar do tomo I das Memorias Economicas da Academia, que sahiu em 1789. 

Consta que em París fôra durante algum tempo collaborador da Biographie Universelle, e que para ella escrevêra varios artigos. 

Ficaria este incompleto, se eu não aproveitasse agora a opportunidade que se me offerece de pagar á memoria de varão tão respeitavel mais um tributo de merecida admiração. Registarei portanto nas paginas do Diccionario Bibliographico as reflexões conscienciosas e bem cabidas, que ácerca dos trabalhos do nosso botanico acaba de escrever a meu rogo, e para este fim, outro benemerito cultor da mesma sciencia, e nosso consocio academico, o sr. dr. Isidoro Emilio Baptista. Tenho para mim, que estas poucas linhas não poderão deixar de ser lidas com gosto por todos os que em seus peitos sentirem palpitar corações verdadeiramente portuguezes. Diz pois: «José Corrêa da Serra foi um dos sabios que deram o mais poderoso impulso ao progresso das sciencias naturaes, na epocha da sua renovação, que caracterisou a transição do passado ao presente seculo. Contemporaneo dos grandes genios que fundaram o methodo natural, e com quem conviveu desde a sua emigração em 1786, elle concorreu principalmente para imprimir á sciencia do reino vegetal o caracter das sciencias exactas, definindo, com todo o rigor de que são susceptiveis, a circumscripção das familias e os phenomenos da organisação que as caracterisam. «Jussieu, revelando o facto das associações naturaes dos generos de plantas fundados por Linneo, acabava de formular em expressões symbolicas, e de coordenar em um quadro synoptico os dogmas que os seus predecessores haviam registado na sciencia durante os dous seculos e meio anteriores, e ao mesmo tempo deixava enunciados novos problemas ás futuras investigações, que deviam para um grande numero de familias creadas pela primeira vez, fixar as condições anatomicas que determinassem a unidade, a integridade e a homogeneidade que convém aos grupos naturaes, assim como as suas cathegorias na ordem taxonomica.«O sabio secretario perpetuo da Academia das Sciencias de Lisboa, foi um dos primeiros que se empenharam na tarefa de realisar a grande obra de Jussieu, encaminhando-a desde a sua nascença no sentido de uma sciencia positiva, de exactidão theorica e de certeza pratica, de que estava dependente todo o seu desenvolvimento futuro. «As reflexões profundamente philosophicas, que se acham em todas as suas memorias botanicas, denotam um dos espiritos mais eminentes da epocha da grande revolução scientifica. Percorrendo com a superioridade do genio todas as grandes bases da physiologia, elle apprecia- as segundo o seu valor pratico, e chama-as ao campo da applicação immediata, aos factos positivos da observação, verificados com todos os contrastes da rigorosa analyse, e expostos com uma simplicidade, clareza e methodo, que eram ainda pouco conhecidos n’este genero de sciencias. «Os principios das unidades typicas, e da symmetria dos orgãos appendiculares de que Linneo tinha apenas um vago presentimento, foram pelo nosso compatriota fixados e definidos com uma precisão geometrica, desde as suas primeiras memorias sobre a familia das laranjeiras, publicadas em 1799 nas Transacções da Sociedade Linneana de Londres, e nos Annaes do Museu de París de 1805. O principio da libração organica de que Geoffroy Saint-Hilaire fazia tão felizes applicações a zoologia, era quasi pela mesma epocha applicado á botanica por José Corrêa da Serra. «Desde o meiado do XVI seculo, Gessner, Lobel e Cesalpino tinham estabelecido como principios fundamentaes das grandes series do reino vegetal os caracteres fornecidos pelos orgãos da floração, da fructificação e da germinação; Ray, Linneo e Jussieu fundaram os seus systemas naturaes sobre as fórmas e a composição geral d’estes orgãos. Mas a obra de Gærtner, publicada ao mesmo tempo que a de Jussieu, veiu abrir uma nova epocha, apresentando os caracteres precisos, que a anatomia do fructo e da semente offerece á definição de muitos grupos subordinados. «Corrêa da Serra, escapando pela segunda vez em 1797 ás perseguições de que era victima na sua patria, partiu para Inglaterra, foi immediatamente recebido na Sociedade Real de Londres, e sob a direcção do presidente d’esta illustre academia, sir Joseph Banks, emprehendeu no mesmo anno continuar os estudos de que um immenso campo acabava de ser aberto por Gærtner. Ao mesmo tempo que o fundador do methodo natural, auxiliado pelas descobertas do celebre botanico allemão, reformava uma parte das suas familias, Corrêa da Serra tractava de continuar e completar as dissecções e as descripções dos fructos, e das sementes de que elle havia traçado os delineamentos fundamentaes; de definir e resumir em um quadro methodico os caracteres que estes orgãos offerecem; de tornal-os claros e facilmente applicaveis á determinação das familias naturaes. «Os escriptos de J. Corrêa são calcados sobre uma feliz combinação dos methodos inductivo e deductivo, que começava apenas a penetrar no dominio da historia natural, e que forma a phase caracteristica das sciencias do seculo XIX; o illustre academico portuguez comprehendeu desde logo todo o alcance d’este methodo, e soube manejal-o com uma habilidade rara no seu tempo. L’ariditè apparent des détails, diz elle, ne plait qu'aux naturalistes consommés, et les rèsultats seuls ont des attraits pour la généralité des lecteurs. «Partindo do exame completo que fez de mais de vinte especies, que accrescentou a umas mil analysadas por Gærtner, elle chegou a estabelecer os principios geraes da carpologia applicados ás divisões fundamentaes do reino vegetal, mostrando a procedencia anatomica das diversas partes do fructo; as condições que determinam os phenomenos da sua dehiscencia e da dispersão das sementes; a estructura dos carpellos e das placentas; a constituição e as situações relativas do embrião; a origem do perisperma; as modificações graduaes por que passa, e o seu valor como caracter de affinidades, segundo as posições que toma, e as substancias de que é formado chimicamente.  «Além das memorias destinadas a este assumpto, o auctor desenvolveu os mesmos principios, já em memorias especiaes, já nas que tiveram por objecto a descripção e analise de plantas novas: memorias que se acham nas collecções dos Annaes do Museu, e do Boletim da Sociedade Philomatica; nas Transacções da Sociedade Real de Londres, da Sociedade Linneana, e da Sociedade Philosophica Americana.  «Em algumas d’estas memorias foi Corrêa da Serra o primeiro que explicou, segundo os principios da sciencia moderna, a formação de alguns terrenos de origem vegetal, e dos phenomenos geologicos que occasionaram a sua disposição actual; corno são os da costa de Lincolnshire em Inglaterra, e da bacia de Kentucky no centro dos Estados-unidos da America.» 

in: Inocêncio Francisco da Silva, Dicionário bibliográfico português. Estudos aplicáveis a Portugal e ao Brasil. Lisboa: Imprensa Nacional, 1858-1923, v. tomo XII , pp.- 336-341

http://www.aatt.org/site/index.php?op=Nucleo&id=1608

«José Correia da Serra (1750-1823) was a Portuguese naturalist and close friend of Thomas Jefferson.

Early in 1812, the Portuguese abbé renowned for his universal learning and epigrammatic wit arrived in the United States. José Correia da Serra was a brilliant member of the international brotherhood of scientific philosophers Thomas Jefferson so valued. One American admirer called him "the most extraordinary man now living, or who, perhaps ever lived."

Correia was born in Serpa, Portugal, and educated in Italy, where he took holy orders and received a law degree. He established a reputation as a botanist, was an enthusiastic geologist, and helped to found the Academy of Sciences in Lisbon. Forced to leave Portugal in 1795, he settled in London and then Paris, associating with figures like Sir Joseph Banks and the Barons Cuvier and von Humboldt. When Napoleonic France also proved uncongenial, Correia embarked for the United States in 1811.

Bearing letters of introduction from Lafayette, Dupont de Nemours, and von Humboldt, the Portuguese abbé first met Jefferson on a visit to Monticello in the summer of 1813. His host was captivated by the learned foreigner, calling him "the greatest collection, and best digest of science in books, men, and things that I have ever met with; and with these the most amiable and engaging character." A mutual friend reported that Correia "was enchanted with Monticello and delighted with its owner."

Correia's combination of learning and amiability caused Jefferson to wish for more of his company. "Come and make [Monticello] your home," he wrote in 1816. In his nine years in America, Correia visited Monticello seven times, making what he always called his annual "pilgrimage." Books and botanical "rambles," often in the company of Thomas Mann Randolph, were his main amusements. Correia's curiosity about American natural history caused him to travel north to the Canadian border, west to Kentucky, and south to Georgia. He left the United States in November 1820.

In 1816 Correia was appointed Portugal's minister plenipotentiary to the United States. Although diplomatic disagreements somewhat soured his last American years, his friendship with Jefferson was unaffected. After his "farewell visit" to Monticello in 1820, Correia wrote a friend that its residents were "the family I am most attached to in all America.”»

http://wiki.monticello.org/mediawiki/index.php/José_Correia_da_Serra


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