Cancioneiro da Biblioteca Nacional, antigo Colocci-Brancuti, Leitura, Comentários e Glossário, Elza Paxeco Machado e José Pedro Machado, Edição da Revista de Portugal, Lisboa, 1949-1964, 8v.

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O  Cancioneiro da Biblioteca Nacional (Colocci-Brancuti) é uma cópia quinhentista de uma coletânea, datada do século XIV, de textos poéticos compostos por trovadores galego-portugueses. Foi mandado copiar pelo colecionador italiano Angelo Colocci, provavelmente na Cúria, a partir de uma compilação trecentista - de que partiria também a cópia quinhentista designada  Cancioneiro da Vaticana  -, correspondente talvez ao  Livro dasCantigas mencionado no testamento do conde de Barcelos, D. Pedro, e composta já num momento de maturação da poesia galego-portuguesa. Redescoberto no século XIX, na biblioteca do conde Paolo Brancuti, foi parcialmente editado, apenas nas composições que não figuravam simultaneamente no  Cancioneiro da Vaticana , por Ernesto Monaci, de acordo com a edição preparada por Enrico Molteni ( Il Canzoniere portoghese Colocci-Brancuti, publicato nelle parti che completano il Codice Vaticano 4803 , Halle, Niemeyer, 1880). Em 1924 foi comprado aos herdeiros de Monaci pelo governo português, conservando-se naBiblioteca Nacional (de onde deriva a sua denominação). 

Vários aspetos individualizam este cancioneiro relativamente aosCancioneiro da Ajuda e  Cancioneiro da Vaticana . Por um lado, o  Cancioneiro da Biblioteca Nacional é o que documenta o maior número decomposições, cerca de 1560 cantigas, distribuídas pelos três géneros canónicos: cantigas de amor, cantigas de amigo e cantigas de escárnio e maldizer, sendo para várias delas documento único, já que não estão registadas no  Cancioneiro da Vaticana . Como consequência, é testemunho para um maior número de autores, cerca de 150, correspondentes a um arco cronológico que vai do fim do século XII até meados do século XIV, ou seja, basicamente, o período de florescimento da poesia lírica galego-portuguesa. Por outro lado, ao contrário dos outros dois cancioneiros, o Cancioneiro da Biblioteca Nacional contém uma "Arte de Trovar", um tratado anónimo de teorização poética, que, embora fragmentária, descreve os géneros em que se desenvolvem os textos da lírica galego-portuguesa. Estabelece, assim, as diferenças e normas que regem as cantigas de amor e cantigas de amigo (cap. IV), as cantigas de escárnio e maldizer (caps. V e VI), as tenças, cantigas de vilão e cantigas de seguir(caps. VII, VIII e IX). Finalmente, uma outra circunstância torna este manuscrito original relativamente aos outros dois cancioneiros, visto que a ação de Angelo Colocci não se restringe à supervisão do trabalho dos copistas, tentando também impor uma determinada ordem e seleção ao códice. O colecionador intervém no próprio texto, que, deste modo, oferece dois níveis textuais: o do cancioneiro, enquanto repositório poético, e o dos comentários filológico-literários inscritos pelo humanista.

 

Cancioneiro da Biblioteca Nacional in Artigos de apoio Infopédia Porto: Porto Editora, 2003-2018

 


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