Arquivo Pitoresco, Semánario Ilustrado, Castro, Irmão & Cia., 1857 a 1858, 11 volumes

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ARQUIVO PITORESCO (AP) Semanário ilustrado de qualidade gráfica notável. Publicou-se em Lisboa de 1857 a 1868 e teve boa aceitação em Portugal e no Brasil. Inseriu centenas de gravuras e textos de escritores nacionais populares na sua época, sofrendo apenas uma interrupção (10-11-1858 a 19-2-1859). 

A colecção coampleta tem 11 volumes (in folio). Publicaram-se 52 fascículos. Nos índices, organizados por ordem alfabética, os textos acompanhados de gravuras estão assinalados. 

Pertenceu à empresa Castro Irmão e C.a Lda., cujos proprietários foram considerados, no tempo, os mais dedicados promotores da gravura em madeira. Os redactores foram José de Torres, Francisco Pereira de Almeida, F. A. Nogueira da Silva, António Feliciano de Castilho e António da Silva Túlio que dirige o periódico até ao fim de 1865. Seguem-se Inácio de Vilhena Barbosa e Pedro Venceslau de Brito Aranha. Entre 1864 e 1866 saiu o Anuário do Arquivo Pitoresco (AAP) redigido por Manuel Pinheiro Chagas, Brito Aranha e outros. 

O AP anuncia assim as suas intenções (n.o 1, 1-7-1857): “[...] o Arquivo procura fomentar a nossa gravura em madeira, dar relevo à palavra e abrir campo em que as vistas curiosas espaireçam pelas criações da arte, da natureza ou da fantasia”. Os redactores concebem-no como “jornal português para portugueses [...] útil ou agradável a ambos os hemisférios em que se fala a [...] língua que Camões imortalizou”. 

Ao contrário de periódicos anteriores (v. A Ilustração), que tenderam a subalternizar a escrita, o AP destacará frequentemente o papel do livro que na época regressava em força com as edições “populares” de grandes escritores e com a crescente alfabetização. 

Pinheiro Chagas retrata os assinantes do AP (AAP, n.o 1, 1-1-1864): “[...] procuram no Arquivo instrução e recreio no tocante aos tempos que já foram ou a coisas então originadas pelos gloriosos descobrimentos de nossos antepassados [e] a resenha dos sucessos do tempo presente, em que a multidão dos factos [...] vai contribuindo para o assombroso progresso da humanidade e da ciência”. 

No periódico, de cariz literário mas atento às inovações com incidência na vida quotidiana, colaboraram Carlos José Caldeira, Maria del Pilar S. Marco, José M. Latino Coelho, F. A. Rodrigo de Gusmão, Francisco Gomes de Amorim, Luís A. Rebelo da Silva, M. Pinheiro Chagas, Júlio de Arouce, Alberto Teles, Tomás Ribeiro, António Osório de Vasconcelos, Júlio de Castilho, Tito de Carvalho, A. Filipe Simões, entre outros. Merecem destaque os desenhadores Nogueira da Silva, Tomás José da Anunciação, Cristino da Silva, Manuel Bordalo, etc. O nome completo dos gravadores vem consignado em anuários do tempo. 

O AP deu relevo à produção literária em língua portuguesa (originais e traduções) e dedicou numerosos artigos à instrução pública formal, nomeadamente ao ensino primário. Para isso contribuiu a sua ligação à Sociedade Madrépora. Fundada no Rio de Janeiro, fazia distribuir o AP em numerosas escolas de Portugal e do Brasil (1000 e 2500 exemplares de cada volume, respectivamente). A iniciativa veio a provocar prejuízos que ameaçaram a sobrevivência da empresa proprietária. 

O AP foi composto na Tipografia de Castro e Irmão. A assinatura anual custava 2000 rs. e o fascículo avulso 50 rs. 

BIBL.: Pereira, A. X. da Silva, Dicionário Jornalístico Português, Academia das Ciências, Lisboa, s/d; idem, Os Jornais Portugueses, Sua Filiação e Metamorfoses. Notícia Suplementar Alfabética de Todos os Periódicos Mencionados na Resenha Cronológica do Jornalismo Português, Lisboa, Imprensa de Libânio da Silva, 1897; Ribeiro, José Silvestre, História dos Estabelecimentos Científicos, Literários e Artísticos de Portugal, nos Sucessivos Reinados da Monarquia (HECLA), Lisboa, Academia Real das Ciências. 

Referência bibliográfica: 

ESTEVES, R. – Arquivo Pitoresco. In BUESCU, Helena Carvalhão, coord. - Dicionário do romantismo literário português. Lisboa : Caminho, 1997. ISBN 972-21-1101-9. p. 23-24. 

Dos redactores e colaboradores podemos destacar, entre muitos outros, os seguintes: António Feliciano de Castilho, A. da Silva Tullio, Brito Aranha, Latino Coelho, Rebelo da Silva, Pinheiro Chagas, Inocêncio Francisco da Silva, Júlio de Castilho,Júlio César Machado, F. Gomes de Amorim, Vilhena Barbosa, Simões de Castro, Sousa Telles, etc. Dos desenhadores realçamos a colaboração de Nogueira da Silva, Coelho Junior, Cristino da Silva e de Manuel Bordalo, (pai de Rafael Bordalo Pinheiro).

Dos temas retratados por meio de gravuras em madeira, cerca de 2.000, apontemos a "Vista da entrada do porto do Rio de Janeiro", "Alexandre Herculano", "António Feliciano de Castilho", "Gruta de Camões, Macau", "Illuminação do Passeio Público, Lisboa", "Vendedeiras de fruta de Avintes", "Antiga cidade de Malaca", "A cidade de Agra", "Varinas, vendedeiras de peixe", "D. Pedro V"; "Comboios a vapor para navegação fluvial", "Santarém-Seminário patriarcal", "Mosteiro da Esperança em Ponta-Delgada", "Felix de Avellar Brotéro", "D. Fernando II", "Vista da rua do Ouro por ocasião do consorcio real", "Palácio Real da Ajuda", "Loanda", "Ilha de Malta", "Egreja da Conceição Velha em Lisboa", "Almeida Garrett", "Madrid", "Salamanca", "Granada", "Quinta das Águias, na Junqueira", "A Custódia dos Jerónimos", "Quinta dos Marqueses de Fronteira, em S. Domingos de Benfica", "Meca", "Almada", "Ilha de Cuba", "Coimbra", "Bruxellas", "Torre de Belem", "Convento da Flor da Rosa, Crato", "Sé de Portalegre", "Fábrica de fiação em Xabregas", "Convento das Carmelitas em Guimarães", "Hospital de Portalegre", "Sé de Viseu", "Porta de Aviz em Évora", "Caldas de Vizella", "Vista da praça Luiz de Camões no acto de collocação da pedra fundamental do seu monumento", "Desembarque de S. M. a Rainha Maria de Saboya na Praça do Commercio de Lisboa [Bela gravura de página inteira]"; "Real Collegio das Ursulinas de Coimbra", "José Estevão", "Casa onde nasceu Almeida Garrett, Porto", "Convento e Serra do Pilar [duas curiosas e invulgares perspectivas]", "Castelo de São Jorge da Mina", "Mossamedes", "Egreja de Cedofeita", "Fac-simile do rosto da primeira edição dos Lusíadas - 1572", "Ermida de Nossa Senhora da Conceição em Braga", "Villa Nova de Famalicão", "Palácio da Bolsa, Porto [bonito desenho]", "Palácio do Visconda Trindade , e a praça de Carlos Alberto", "Convento de Jesus de Setubal", "Casa dos Bicos", "Ponte de Sacavem", "Ceifador mechanico", "Panorama da cidade de Setubal", "Castello de Palmella", "Convento de S. Gonçalo em Amarante", "Rua Nova de Sousa e Porta Nova, em Braga", "Cidade do Funchal", "Hospital Real de Santo António, Porto", "O Douro, e a sua margem direita desde Mossarellos até à Foz", "Ponte de Afife", "Palácio de Cristal na cidade do Porto", "Villa de Ponte da Barca", "Monte da Sé, no Porto", "Panorama do Porto e Villa Nova, ponte pensil sobre o Douro [bela gravura de pág. inteira", "Barcellinhos", "Fabrica do tabaco em Xabregas", "Vista de Vianna do Castello do lado do caes", "Sacavem", "Villa nova de Gaya", "Pico e ribeira de São João, no Funchal", "Largo de S. Roque", "Fortaleza da barra de Villa do Conde", "Fabrica da Abelheira", "Torre da Marca e Massarellos", "Cidade de Guimarães [bela gravura de pág. inteira]", "Macau [duas belas gravuras de pág. inteira]", "Villa de Ponte do Lima", "Estação de Ovar, no caminho de ferro do norte", "Castelo de Vinhaes", "Paços da Inquisição", "Ponte de Mirandella", "Palácio da Brejoeira", etc, etc.


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