António Albuquerque, Marquez da Bacalhoa, Imprimerie Liberté, Bruxelles, 1908

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Exemplar encadernado, meia francesa. Com assinatura de posse. Com documento anexo com a explicação das personagens do livro.

António de Albuquerque de Meneses e Lencastre (1866-1923)

Nasceu em Viseu no ano de 1866. Escritor, a sua obra não é abundante. Ficou, no entanto, conhecido pelo seu livro `O Marquês da Bacalhoa´, publicado em 1908 e proibido, embora já se tivessem vendido bastantes exemplares; escandalizou a sociedade da época, por retratar de modo visível os costumes da família real e da corte. António de Albuquerque, porém, quase no fim da vida, penitenciou-se publicamente, repudiando o referido livro. Morreu em Sintra no ano de 1923.

É publicado, sob a chancela da Imprimerie Liberté de Bruxelas, o romance "O Marquês da Bacalhôa", da autoria de António de Albuquerque, havendo suspeitas de que terá sido impresso em Lisboa, numa pequena tipografia da Rua do Arco do Bandeira, que seria propriedade do republicano Gomes de Carvalho. Terminado em 6 de Setembro de 1907, o livro vem a sair ao público pouco antes do regicídio. É um escândalo na época, esgotando-se imediatamente mais de 6000 exemplares, apesar do preço elevado (800 réis) e da proibição? "Fizeram mal em proibir o Marquês da Bacalhoa. Já há quem tenha dado por um exemplar três mil réis, e o preço corrente é agora de dez a quinze tostões... Se o queriam inutilizar apreendessem-no, tanto mais que toda a gente sabia onde era impresso." (Raul Brandão). O romance conta as "tropelias" do Ministro Nunes durante o durante o reinado do Marquês da Bacalhoa e, em especial, os amores sáficos da rainha D. Amélia, por quem Mouzinho de Albuquerque nutria uma paixão, cujos amores contrariados o teriam levado ao suicídio? segundo Vasco Pulido Valente, as personagens seriam "o marquês (D. Carlos, na realidade, proprietário da Quinta da Bacalhoa), a marquesa (D. Amélia); o conselheiro João Nunes dos Santos (João Franco); D. Álvaro de Luna (Mouzinho de Albuquerque); Maria de Silves (a condessa de Sabugosa); e a condessa da Freixosa (a condessa de Figueiró, a famigerada Pepa Sandoval, amiga da rainha)." O escândalo ficou a dever-se, sobretudo, aos costumes devassos da Corte retratados no romance.

Inocêncio XXII, 166: “António de Albuquerque, como usa assinar seus escritos é-segundo informações que tenho-aparentado com famílias nobres do país, porém não consegui colher notas biográficas a seu respeito.' 'Este livro causou ruidoso sucesso. Dias antes do seu aparecimento, já era procurado com interesse. Uma noite fez-se a distribuição pelas livrarias enquanto o autor transpunha a fronteira. Alguns livreiros suspeitando, talvez, que o livro continha doutrina prevista pela célebre lei de 13 de Fevereiro de 1896, não o aceitaram, e outros o vendiam com precaução. Entretanto o gerente da Livraria Tavares Cardoso, Largo do Camões, expunha-o na montra. No dia imediato foi ali o agente da polícia, que apreendeu um exemplar do livro, voltando no seguinte a convidar o dito gerente a comparecer perante o Chefe Ferreira. Idêntico convite foi feito aos Srs. Joaquim Monteiro, gerente da Parceria António Maria Pereira, José Pereira, sócio do livreiro José António Rodrigues, e Francisco José Gomes de Carvalho, a quem muitos supunham o editor, ou, pelo menos, que havia cedido a casa para a composição do Marquez da Bacalhoa. A autoridade inquiriu do número de exemplares vendidos e quem havia fornecido um para o Paço. Ouvidas as respostas, aconselhou a que custassem a venda, para o que confiava na probidade dos livreiros. Se porém não acatassem esse convite mandaria proceder a buscas domiciliárias e apreensão de exemplares. Isto não obstou à continuação da venda clandestina.' na propalada e requestada obra contam-se 'as tropelias de um ministro 'Nunes' durante o reinado do 'Marquês da Bacalhoa', não sendo muito difícil descortinar a que personagens reais correspondiam os nomes postos no livro pelo autor, António de Albuquerque.”


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